MP denuncia 23 suspeitos de lavagem de dinheiro envolvendo PC
O Ministério Público de São Paulo denunciou 23 pessoas, incluindo policiais civis, sob acusação de participar de um esquema de lavagem de dinheiro bilionário que funcionava também dentro de departamentos da Polícia Civil. A denúncia, feita pelo Gaeco (grupo de combate ao crime organizado) com base nas investigações da Operação Bazaar, deflagrada no início de março, foi divulgada nesta segunda (27).
Todos os 23 alvos são acusados de fraude processual, corrupção ativa e passiva e associação criminosa. Os policiais civis são suspeitos de receber propina dos demais criminosos.
O Ministério Público afirma que, para manter as operações, o grupo pagava propina sistematicamente aos policiais civis que investigavam o esquema. De acordo com a denúncia, os pagamentos ocorriam desde agosto de 2020 e se mantiveram mesmo após intervenção da Polícia Federal.
A acusação também cita tentativas de interferir na investigação, como a substituição de dispositivos eletrônicos apreendidos e a retirada de documentos relevantes ao caso.
De acordo com o Gaeco, a rede de corrupção alcançou diversas partes da Polícia Civil de São Paulo, como o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e o 16º Distrito Policial.
Na denúncia, a Promotoria defende a manutenção das prisões preventivas (sem prazo) já decretadas na operação Bazaar, além de outras medidas.
"O Ministério Público requer a manutenção das prisões preventivas já decretadas contra parte dos acusados e das medidas patrimoniais impostas no âmbito da Operação Bazaar. Para os demais, os pedidos envolvem medidas como proibição de deixar a comarca, restrição de contato com outros investigados, entrega de passaporte, recolhimento noturno e uso de tornozeleira eletrônica. O GAECO espera obter também o bloqueio de bens e valores dos policiais civis denunciados, até o limite de R$ 5 milhões por pessoa [...]", diz o órgão em nota publicada nessa segunda (27).
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha e colabora com as investigações do Ministério Público.
"A PC [Polícia Civil] reafirma que não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes. Todas as medidas legais e disciplinares cabíveis serão adotadas caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades."