Muitas crianças e adolescentes já estão de férias escolares e só retornam às atividades em agosto. O período é de descanso, mas também exige atenção já que eles estão mais tempo em casa, em hotéis, parques, e outros espaços de convivência. Para garantir a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes neste período é necessário buscar alternativas que garantam diversão, descanso e segurança ao mesmo. As atividades recreativas são bons exemplos e desempenham importante papel no estímulo da criatividade, da autonomia, da interação social e descobertas.
No entanto, a supervisão de adultos no desenvolver das atividades ajuda a evitar acidentes graves, a exemplo de quedas, queimaduras, intoxicações, engasgos, e até afogamentos. Um levantamento realizado pela Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, com base em dados do Tabnet/DataSUS, revela que mais de 120 mil crianças foram hospitalizadas em 2024 em decorrência de acidentes evitáveis. A Organização estima que aproximadamente 90% destas ocorrências poderiam ser prevenidas por meio de orientações básicas de segurança e da presença atenta de adultos responsáveis.
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Para José Carlos Sturza de Moraes, Ponto Focal do Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, o período de férias exige maior atenção das famílias e cuidadores. “As crianças passam mais tempo explorando ambientes diferentes e se movimentando em atividades realizadas ao ar livre ou mesmo em ambientes fechados. Por isso, é fundamental mapear os espaços, identificar possíveis riscos antecipadamente e criar condições para que elas possam brincar e se divertir com segurança”, afirma.
Segundo Moraes, a adoção de medidas simples, como instalar redes de segurança em janelas e restringir o acesso a produtos perigosos, pode reduzir significativamente os riscos de acidentes. “Muitas ocorrências podem ser evitadas com pequenas adaptações no ambiente e com o acompanhamento constante dos adultos. A segurança deve fazer parte da rotina, claro, mas é durante as férias que a probabilidade de acidentes aumenta”, destaca.
Entre os principais cuidados recomendados pelo pesquisador da Aldeias Infantis SOS estão a proteção de janelas, sacadas e escadas para prevenir quedas; a instalação de protetores em tomadas; o armazenamento seguro de medicamentos, produtos de limpeza e objetos cortantes; e a utilização de travas em gavetas e armários que contenham materiais potencialmente perigosos.
Antes de se hospedar em hotéis, pousadas ou casas de familiares, é importante verificar se o local oferece condições adequadas de segurança para crianças. Já nas atividades ao ar livre, o uso de equipamentos de proteção, como capacetes, joelheiras e cotoveleiras, é indispensável para quem pratica esportes ou utiliza bicicletas, patins e skates.
Outro ponto de atenção envolve as brincadeiras aquáticas. “Piscinas, rios, lagos e até recipientes com pouca água, como baldes e piscinas infláveis, podem representar riscos de afogamento. A recomendação é que crianças permaneçam sempre sob a supervisão direta de um adulto e utilizem coletes salva-vidas quando necessário”, orienta Sturza.
Nos parquinhos e áreas de recreação, também é importante observar as condições dos brinquedos antes do uso. Equipamentos danificados, enferrujados ou sem manutenção adequada podem gerar incidentes. Já em hotéis, colônias de férias e atividades coletivas, os responsáveis devem verificar se há profissionais capacitados para acompanhar as crianças e prestar primeiros socorros em caso de necessidade.
Sturza ressalta que informação, planejamento e supervisão são os principais aliados na proteção da infância. “As férias são uma oportunidade valiosa para fortalecer vínculos, criar memórias afetivas e proporcionar experiências educativas às crianças. Quando a prevenção faz parte da rotina, conseguimos garantir que esse período seja vivido de forma plena e segura. Esse cuidado também passa pelo uso consciente das telas por parte dos adultos, para que estejam atentos às crianças e às suas necessidades.”, conclui.