Uma exposição onde cada peça carrega a sensação de que algo está em transformação, como se o artista jamais tivesse parado de criar: essa é a mostra “Tao Sigulda – um alquimista do século XX”, que se encontra na Pinacoteca Diógenes Duarte Paes até o dia 28 de abril. A mostra é uma homenagem aos 20 anos de sua morte e reafirma o impacto duradouro do artista que parecia trabalhar além do próprio tempo.
Na exposição, o visitante encontra pinturas, esculturas e trabalhos em diferentes suportes, que evidenciam o diálogo do artista com metais, pedra e madeira, além de técnicas como aquarela, óleo e pastel. Sua produção incorpora influências do cubismo e do surrealismo, desenvolvidas em uma estética própria, aberta à interpretação e ao imaginário.
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O pesquisador Andrei Lima explica a origem do título da mostra: “Ele é chamado de alquimista do século 20, pois trabalhava com vários materiais e os transformava em objetos novos que dialogam com o imaginário plástico do século 20”. Essa dedicação era intensa e constante, com jornadas de até 14 horas diárias. Segundo o curador das obras, Tuko Slobodian, essa profundidade se revela na própria experiência estética: “Tem quadros que vejo há 10 anos e ainda descubro novos elementos, novas histórias”.
Mais do que apresentar técnicas e estilos, a exposição também revela aspectos pessoais do artista. De acordo com Tuko, Dona Tama, esposa de Tao, costumava dizer que ele precisaria viver mais 100 anos para transformar todas as suas ideias em matéria. A admiração mútua também está presente nas obras com figuras femininas, que retratam Tama. O artista plástico Gerson Pasianoti, ex-aluno e amigo da família, relembra: “Ele colocava palavras a níveis de universo com uma simplicidade fácil de entender. Esse era o Tao, um homem maravilhoso”.
Além das obras, a mostra disponibiliza material informativo sobre a trajetória do artista e sobre o Centro Cultural Tao e Tama, permitindo ao público conhecer o contexto que moldou sua produção.
Nascido em Riga, em 1914, Tao Sigulda construiu uma trajetória marcada por guerras e recomeços até se estabelecer definitivamente no Brasil. Pintor, escultor, arquiteto e cineasta, fixou-se no interior paulista a partir da década de 1960. Ao lado da esposa, criou em Jarinu sua residência e espaço de arte. O Centro Cultural Tao e Tama, inaugurado em 1985, reunia obras de artistas amadores, renomados e do próprio Tao, e permanece aberto para visitação mediante agendamento. O artista faleceu em Jundiaí, em 2006.
Serviço
Exposição: Tao Sigulda – um alquimista do século XX
Data: de 7 de fevereiro a 28 de abril
Local: Pinacoteca Municipal Diógenes Duarte Paes – rua Barão de Jundiaí, 109 – Centro
Entrada: gratuita
Horário: de terça a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados, das 10h às 14h