25 de fevereiro de 2026
EDUCAÇÃO

Bebel critica projeto que separa alunos por nível; ENTENDA

Por Da redação |
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Divulgação

A deputada estadual Professora Bebel (PT), segunda presidenta da Apeoesp, criticou o Projeto Voar, anunciado pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo secretário estadual da Educação, Renato Feder. A iniciativa, instituída por portaria publicada no dia 4 de fevereiro no Diário Oficial do Estado de São Paulo, será aplicada a estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e prevê a separação de alunos conforme níveis de aprendizagem.

Segundo a Secretaria Estadual da Educação, o projeto será implantado inicialmente em 147 escolas distribuídas em 10 Unidades Regionais de Ensino. Em Piracicaba, 14 unidades estaduais foram selecionadas: Professor Abigail de Azevedo Grillo, Dom Aniger Francisco de Maria Mello, Professor Antonio de Mello Cotrim, Professor Augusto Saes, Professora Catharina Caselle Padovani, Dr. Dario Brasil, Professor Dr. João Charini, Professor Hélio Neringh, Dr. João Sampaio, Professor José Romão, Professor Manassés Ephraim Pereira, Professora Márcia Regina Modesto de Paula Rocha, Professora Maria de Lourdes Silveira Consentino e Paulo Valério.

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Para Bebel, a proposta representa um retrocesso. “Sob o pretexto de ‘acelerar’ a aprendizagem dos supostos defasados, o que teremos, inevitavelmente, é um processo de segregação e rotulação desses estudantes, que poderão ser objetos de bullying ou, no mínimo, sentir-se-ão muito desconfortáveis perante os colegas e a própria família”, afirmou.

A parlamentar recordou ainda que, durante a gestão da ex-secretária estadual da Educação Rose Neubauer, houve a proposta de diferenciar escolas por cores nas portas, conforme o desempenho no Saresp. “Como se vê, as péssimas ideias são recicláveis”, declarou. Ao fundamentar sua crítica, Bebel citou educadores como Lev Vygotsky e Jean Piaget, que, segundo ela, demonstraram que a aprendizagem é um processo social, construído também na interação entre os próprios estudantes, e não apenas na relação com o professor.

A deputada reconhece a necessidade de políticas de recuperação e reforço escolar, mas defende que essas medidas não devem promover a separação dos alunos dentro da própria escola. “As escolas públicas estaduais precisam de investimentos, melhores condições de trabalho para os professores, currículos que dialoguem com a realidade dos estudantes, gestão democrática e valorização dos profissionais da educação”, concluiu.