Tecnologia ajuda no controle de tempo de tela, mas diálogo continua essencial.
Com o avanço da tecnologia e o crescente uso das redes sociais por crianças e adolescentes, os pais enfrentam o desafio de equilibrar a liberdade digital dos filhos com a segurança online. Para ajudar nesse controle, aplicativos e softwares de monitoramento parental têm ganhado popularidade, oferecendo desde restrições de conteúdo até a replicação de atividades realizadas nos dispositivos.
O tema ganhou ainda mais destaque nos últimos anos. Dados do Google Trends indicam um aumento de 47% nas buscas sobre controle parental em 2024 em comparação com o ano anterior. O pico de interesse ocorreu em setembro, impulsionado pelo lançamento da Conta de Adolescente no Instagram, que implementou restrições automáticas para menores de 18 anos. A preocupação com o tema começou a crescer em 2019 e se intensificou na pandemia, quando o tempo de exposição às telas aumentou consideravelmente.
VEJA MAIS:
No início deste ano, o Google atualizou o aplicativo Family Link, permitindo que os responsáveis estabeleçam limites diários para o uso de cada aplicativo e controlem contatos adicionados pelos filhos. Além disso, o Governo Federal lançou o guia "Crianças, Adolescentes e Telas", que reúne recomendações baseadas em evidências científicas para um uso mais seguro e consciente dos dispositivos digitais.
Apesar da crescente adoção desses aplicativos, especialistas alertam que a tecnologia não deve substituir a conversa entre pais e filhos. Para a psiquiatra infantil Danielle Admoni, supervisora da residência de psiquiatria da Unifesp, é essencial construir uma relação de confiança desde cedo. "A confiança vem lá de trás. Não dá para simplesmente começar a monitorar um adolescente de 15 anos sem nunca ter tido esse tipo de relação antes", afirma. Segundo a especialista, o ideal é que a supervisão parental seja uma extensão do diálogo e não uma imposição repentina.
A presidente da GlobalSign, Luiza Dias, destaca que muitos pais enfrentam dificuldades para orientar os filhos na internet por desconhecerem o ambiente digital. "Os responsáveis têm a missão de ensinar segurança online, mas muitas vezes não dominam esse universo", explica. Para ela, é necessário tratar a internet com a mesma cautela do mundo físico. "Assim como verificamos a segurança de um local antes de entrar, é fundamental avaliar aplicativos antes de permitir que os filhos os utilizem."
Diante desse cenário, diversas ferramentas foram desenvolvidas para auxiliar no controle do uso da tecnologia. Confira algumas das principais opções disponíveis no mercado:
Os aplicativos de controle parental são aliados importantes para garantir a segurança digital das crianças e adolescentes, mas devem ser utilizados com cautela. O diálogo e a construção de um relacionamento de confiança continuam sendo as estratégias mais eficazes para proteger os jovens no ambiente virtual.