Experiência e razão


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As imagens deste fim de semana envolvendo o desembargador e o guarda municipal na cidade de Santos dizem muito. Não cometerei a descortesia de jogar gasolina no braseiro, em hipótese alguma. Acredito que as pessoas, em sua maioria, arrependem-se quando não agem corretamente. Também acredito que certos fatos, quando tornados públicos, funcionam como uma espécie de pena, pois geram uma avassaladora vergonha. De modo que, neste momento, não interessa a aparente disputa de poder entre aqueles servidores públicos na orla da cidade que alberga o maior time de futebol de todos os tempos. Interessa-me o aprendizado que a observação da realidade pode nos proporcionar. O ser humano passa a vida inteira aprendendo e forma o seu saber a partir de várias fontes. Seja pela razão, pela experiência ou mesmo pela fé, formamos o nosso repertório de saberes sobre o mundo ao nosso redor. Na maioria das vezes o saber adquirido permanece pouco trabalhado dentro de nós. Teremos aí uma opinião, qualquer que seja, sobre um determinado tema. Outras vezes nos pomos a enfrentar, estudar e refletir sobre certos assuntos. Daí então teremos um conhecimento mais profundo e trabalhado sobre certas questões. Animal superior, o ser humano se diferencia das outras espécies pela razão. A exemplo do homem, outros seres vivos também aprendem com a experiência. Veja-se do que são capazes os cães, por exemplo. Mas por sermos dotados de razão, somos capazes de potencializar nossos saberes quando a ela aliamos a experiência. E assim a humanidade caminha: pensando, experimentando e, por vezes, melhorando. Há momentos em que o império da razão, apesar de seu poder, não nos constrange. Daí, onde se espera racionalidade surge irracionalidade. Sempre que isso acontece é como se esquecêssemos quem somos e o papel que desempenhamos como cidadãos. Nesses momentos somos capazes das atitudes mais ignóbeis. Sofre-se uma espécie de “overdose” de irracionalidade. Faltando a razão, atos e palavras saem irrefletidamente. Acontece um estrago. A experiência aparece como uma contra força que é capaz de conter a irracionalidade. Entenda-se o ponto. Quando vemos ou vivemos certas experiências, digamos assim, desabonadoras, é bem provável que a partir delas algum aprendizado nos fique. Em assim sendo, sempre haverá a chance de que aquela atitude desabonadora não seja por nós repetida. Enfim, tanto a experiência quanto a razão são fontes que nos permitem aprender e seguir aprendendo. Por que não aprendermos a partir daquela lastimável cena? Ter visto as cenas daquele arroubo impróprio de autoridade foi uma amarga experiência. Porém, submetendo-a à razão, dela devemos tirar aprendizado de como não devemos nos portar em nossas relações com quem nos cerca.

GLAUCO GUMERATO RAMOS é advogado, professor da Fadipa, presidente para o Brasil do IPDP e diretor de Relações Internacionais da ABDPro.

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