Caminho de volta


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A pandemia fez um estrago geral em nossas vidas. O isolamento social foi a solução mais aconselhada. Foi o começo do desequilíbrio. Da instabilidade emocional. O que sai da unidade só traz confusão. Em casa faltava luz. Faltava sol. Faltava a absoluta segurança. Com a retomada, descobre-se que só pensávamos na volta da bagunça colorida de nosso viver. Podem me taxar de retrógrado e saudosista. Compras pela internet, delivery, Facebook, o tal do mundo moderno só nos faz vedar os olhos para as coisas mais essenciais da vida.

Ontem, caminhei pelo centro histórico de Jundiaí. Trafeguei por minhas lembranças. Uma ponta de saudade, dos velhos jovens tempos tocou meu triste coração. Por onde andarão tantos e tantos jundiaienses, que ali puderam viver os seus anos de brilho, de luzes e de uma animada agitação? Quem não há de se lembrar do "point" na Pauliceia, onde vicejava a juventude saudável, na paquera das gurias bonitas?

Os dois grandes cinemas, o Marabá, na rua do Rosário e o Ipiranga, na rua Barão, ponto de encontro obrigatório dos embalos de sábado. As agitadas brincadeiras dançantes no Clube Jundiaiense e no Grêmio da Rangel. A saída da missa matinal aos domingos, tanta gente bonita e elegante. Os aconchegantes bares e restaurantes: a "caipirinha" do Redondo, os salgadinhos do restaurante Dada, a batida de coco e o "croquetinho" do Haiti, o filé com fritas da Cantina Jundiaiense.

Ah! Os encontros da noite. O Saveiro com suas cortinas vermelhas. O Urso Branco do tradicional creme de aspargos. O bar do Lula com seu incomparável sanduíche de pernil. O Mirim Dog, imbatível, com seus deliciosos lanches. A inesquecível Choperia Cristal. No centro histórico, pulsava o coração palpitante da cidade. Aos poucos foi perdendo seu glamour. Cines e bares, que esquentavam as noites fecharam. O público se afastou e a noite perdeu o brilho de seu encanto.

Sinto, todavia, nesta volta, algo especial, que os golpes da pandemia não venceram. Nosso centro histórico recuperou suas energias e ressurge forte na persistência de vencer. Sua energia espelha-se na característica urbanística mantida ao longo de tanto tempo. Ergue-se no seu marco principal a imponente Catedral e o artístico velho casario. Policiais militares estão atentos na movimentação das ruas. O comércio começa a respirar novos ares. Suas lojas já apostam num comércio alternativo, com preços competitivos frente aos grandes shoppings. Mais vida, cores e luzes ao coração da cidade. Se ainda não aprendemos que caminho a seguir, para monumentalizar o centro da cidade, ao menos, sabe-se os atalhos a evitar. Nosso centro histórico deve ser motivo de orgulho e honra, não só daqueles que fizeram a sua grandeza, mas todos nós, que temos orgulho de viver aqui.

Guaraci Alvarenga é advogado.

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