"Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará. "
Essa letra de música poderia ser o hino dos tempos atuais. Na verdade, tudo sempre foi e será impermanente.
Nada permanece do mesmo modo sequer por um minuto. Nossa ilusão de que as coisas são e ficarão do mesmo jeito que as percebemos é falsa. Por ignorarmos esse fato reagimos aos acontecimentos de maneira equivocada.
Temos, por exemplo, a impressão que todo dia é a mesma coisa. De maneira alguma. Por mais que a repetição aconteça nunca é a mesma coisa. A mente que percebe também não é a mesma.
O céu de agora jamais se repetirá. Nunca mais veremos as coisas como percebemos hoje. Estamos em constante mudança, interior e exterior. Nossa teimosia e sofrimento surgem de nos agarrarmos à nossa percepção equivocada.
Então, ficamos presos nessa percepção e pensamos: essa pessoa é assim, ou aquele lugar é ruim, mas nada ficou igual. Nem ninguém. Estamos mudando agora mesmo. Essa pessoa também não é a mesma, o lugar mudou, tudo, tudo mesmo está se transformando momento a momento. Nosso corpo, nossos sentidos, nosso entendimento mudam a todo minuto.
O que temos que entender é que não temos controle de nada. Mas sabemos que cada ação tem seu próprio efeito. Ações virtuosas levam à felicidade. Já ações não-virtuosas ou negativas têm como efeito sofrimento.
A impermanência é um objeto apreendido pela mente; amor e compaixão são estados mentais.
Meditar é familiarizar nossa mente com objetos virtuosos como amor, compaixão e paciência. Familiarizadas com esses pensamentos, nossas ações serão virtuosas e seus efeitos serão só felicidade. A impermanência nos ajuda a enfrentar situações difíceis sabendo que tudo muda, nada permanece. Desenvolvemos paciência, ora para aceitar o que é fato e paciência para encontrar soluções para os problemas. De fato, com a mente calma o que pode ser solucionado encontra solução.
GEN KELSANG CHIME é monja budista