Medo


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Quando eu era pequena e ouvia histórias de fantasmas não conseguia dormir. Qualquer porta de guarda-roupas ou gaveta aberta já me deixava amedrontada: estaria ali escondido uma alma penada?
Crianças têm medo, assim como os cachorros, que se apavoram com um trovão, mas não sabem que quem morre por um raio nunca ouve seu barulho, pois o som demora a chegar. Mesmo assim há o medo do desconhecido, ou pior: o temor de sofrer. Isso é ainda pior do que o sofrimento em si.

No budismo, aprendi que há tipos diferentes de medo. Tem o que paralisa, mas esse tipo não serve pra nada: ficamos paralisados, sem reações em choque. Inclusive se alguém precisa de ajuda quando estamos com esse tipo de medo é quase impossível ajudar efetivamente.
Saímos correndo, ou paralisados deixamos de socorrer.
Mas tem um medo importante. Trata-se daquele que nos impulsiona em direção ao conhecimento, que faz a gente melhorar.

Com esse tipo de medo nós progredimos, pensamos nas consequências e seguimos em frente. Esse medo nós dá coragem, somos encorajados pelos resultados.
Se não fizermos nada o prejuízo será maior.
Se não tivermos coragem nada mudará, se não nos encorajarmos ninguém vai fazer por nós.
Temos que começar enfrentar com a mente calma um passo de cada vez, ganhando confiança. Assim, todos os nossos medos vão se transformar em sabedoria. Buscar ações pensando nos seus resultados. Calculando efeitos.

Podemos fazer melhor do que nos esconder do trovão, mesmo os fantasmas aparecendo podemos lidar com eles.
No budismo, aprendi que até fantasmas precisam de compaixão, são seres que querem ser felizes assim como nós e não conseguem.
Vamos aprender e aumentar nosso conhecimento. Uma força inimaginável vai surgir dessa disposição. A força da sabedoria. Sabedoria nada mais é do que a mente(pensamento) inteligente e compassiva que nunca nos engana, e serve para nos libertar.

Kelsang Gen Chime é monja budista

 

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