Com escrita e narração impecáveis, daquelas que fazem com que o leitor/ouvinte imagine os detalhes sem precisar do recurso visual, Chico Felitti, de 36 anos, provavelmente é hoje um dos jornalistas brasileiros mais comentados, apreciados e geniais. Criador e narrador da série 'A Mulher da Casa Abandonada', com notoriedade ao falar da socielity paulistana Margarida Bonetti, Felitti se torna um ícone do jornalismo pelos detalhes nas entrevistas.
Nesta segunda reportagem exclusiva do JJ, o paulista ainda bebê mudou-se para Jundiaí, onde viveu a infância e adolescência e coleciona memórias afetivas da cidade. O jornalista conta um pouco sobre seus trabalhos e vida, passando desde o processo de apuração das matérias até as lembranças da Terra da Uva. A primeira parte você pode conferir na edição de domingo (31) do Jornal de Jundiaí pelo www.jj.com.br.
Jornal de Jundiaí: como surgiu a vontade de fazer jornalismo?
Chico Felitti: Foi uma escolha no escuro. Chegou a hora de prestar vestibular, eu tinha 17 anos e nenhuma ideia do que queria (ou do que podia) fazer da vida. E jornalismo me pareceu uma carreira 'ok' para alguém que era curioso, irrequieto e despido de muita inteligência.
JJ: Quais seus passatempos favoritos no tempo livre?
CF: Eu nado todos os dias e gasto 90% do meu tempo cuidando das minhas cachorras (rs).
JJ: Por quantos anos viveu em Jundiaí? Quais as melhores lembranças que você tem da cidade? Alguma coisa que te marcou?
CF: Na real, eu nasci em São Paulo, mas fui embora ainda bebê e vivi o grosso da minha infância em Jundiaí. Foi um período de muita liberdade. Eu sempre fiz as coisas a pé e desde criança tinha tempo livre com meus amigos. A gente passava muitas tardes ali na pracinha da rua Conrado Offa, perto do Paineiras, de papo pro ar, arranjando confusão. É uma lembrança que guardo com carinho.
JJ: Você acredita que Jundiaí tem alguma história ou personagem que vire um grande caso? (como o Fofão da Augusta ou a Margarida Bonetti?)
CF: Sem dúvida. Quando eu era adolescente, tinha um moço que chamávamos de 'Marcelinho Vai Chover', que andava pela avenida 9 de Julho e que ficava furioso se alguém gritasse 'vai chover'. E as pessoas sempre gritavam isso para ele. Hoje, eu morro de curiosidade de saber qual era a história dessa pessoa e porque ele tinha uma relação tão forte com essa frase.
JJ: Quais os planos futuros? Alguma outra história em apuração? Você pensa em escrever algo de ficção ou o jornalismo investigativo é sua paixão?
CF: Estou já investigando meu próximo podcast e lanço em novembro o livro 'Rainhas da Noite' pela Companhia das Letras. É a história real de três travestis que foram chefonas de uma máfia de centenas de pessoas no Centro de São Paulo entre os anos de 1970 a 2000. É uma história riquíssima não só de violência, mas de como pessoas marginalizadas conseguem construir um universo próprio e, de uma forma ou de outra, criar beleza e riqueza. E fico com a realidade, por enquanto, sem planos de fazer ficção.
O RECONHECIMENTO
Depois da publicação de uma reportagem no site BuzzFeed News Brasil narrando a história do artista Ricardo Correa da Silva, conhecido como 'Fofão da Augusta', que gerou o livro 'Ricardo & Vânia', Chico Felitti não parou mais. De lá para cá, publicou também 'A Casa', um livro-reportagem que reconstrói os 40 anos da seita que João de Deus fundou e comandou em Abadiânia antes de ser preso pelo estupro de dezenas de mulheres e 'Mulher Maravilha', a biografia de Elke Maravilha.
Criou e narrou os podcasts 'Desconhecido', 'Além do Meme', 'Gente!' e o mais recente - e de maior sucesso - 'A Mulher da Casa Abandonada'.