Jundiaí tem uma vocação turística tradicional e promissora. A “Terra da Uva” há quase um século realiza as festas que atraem multidões. A vantagem de estar entre duas capitais: a megalópole paulistana, a maior cidade do Brasil e a capital da inteligência, nossa Campinas. Que já foi filha de Jundiaí! Quem não se lembra do primitivo nome da povoação: “Nossa Senhora da Conceição de Campinas, do Mato Grosso de Jundiaí”. Bela história de filha a suplantar a mãe.
Só que fazer turismo precisa cada vez mais de profissionalismo. O Poder Público deve zelar para que as rotas já existentes sejam aprimoradas. Não é possível deixar que surjam “cogumelos” turísticos cercados de ocupações toscas, feias, que agridem a natureza.
Fiscalização e zoneamento específico, para estimular iniciativas que possam convergir com a vocação turística e trazer mais visitantes, que vão adquirir produtos, consumir alimentos, movimentar a economia local.
Já existem bons exemplos. A Família Maziero, com o dinâmico empreendedor Clemente na vanguarda, tem uma adega no bairro da Toca, à rua Maria Negrini Negro, 2051, que é um ponto de referência nacional. Ali, principalmente nos fins de semana, aportam excursões, famílias e pessoas em busca dos vinhos fabricados pela família e que ganharam notoriedade por serem consumidos pelo Papa São João Paulo II, quando esteve no Brasil.
Quem visita o espaço agradável, além de muitas espécies de vinho, encontra licores saborosos e delícias da cozinha italiana. Tudo o que o paulistano e o campineiro querem nos fins de semana.
Mas é preciso fazer com que não proliferem ocupações que enfeiam o trajeto. Por que não estimular que haja mais construções típicas, repletas de verde e agradáveis de ver? É isso o que a Europa faz, impedindo ataques antiestéticos nas rotas turísticas.
Aquele destino, que inclui a Roseira, já possui outros restaurantes e pode se converter num eixo magnífico, a acelerar a economia jundiaiense, isso se houver também o empenho da Prefeitura, tanto para impedir destinos incompatíveis com a paisagem que deve permanecer íntegra, como para persuadir empreendedores a investir nesse destino tão atrativo.
Cabem, nesse projeto, casas que ofereçam aos visitantes frutas frescas, geleias, compotas, doces, pães, biscoitos e outras guloseimas tão caras principalmente ao povo peninsular, que veio a desbravar aquela área. Foi graças ao Barão de Jundiaí, Antonio de Queiroz Telles, que se atraiu a imigração italiana e que fez do Núcleo Colonial Residencial o lugar em que os “Oriundi” se estabeleceram com ânimo definitivo.
Prestigiar essa aventura tão bem-sucedida é uma política ainda incipiente no âmbito da administração municipal. Não se encontra convite a que se conheçam as plantações de uva, que poderia ser colhida na hora, por interessados em saber como ela é cultivada. Nem se investe na tradição vêneta de produzir pão caseiro, todo o tipo de massa que já integra o cardápio dos que se adaptaram ao Brasil, a pizza e tantas outras coisas gostosas que as “nonnas” faziam e que hoje parecem esquecidas.
Há um tesouro a ser descoberto pela gestão municipal que se interessa por alavancar o turismo, uma indústria que salvou diversos países de crises econômicas e que, para Jundiaí, é uma vocação à espera de mais empenho do Poder Público, em aliança com a iniciativa privada.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo