Na disparidade de preços de imóveis na região de Campinas e São Paulo, absurdos provocados por razões as mais evidentes e até as mais insuspeitadas podem definir preços exorbitantes para edificações e terrenos. O panorama é claro! Bairros desejados sem espaço ficam mais caros e mais empreendimentos se concentram.
Itaim Bibi e Moema são os novos lugares para supermilionários, com seu novo ícone do mau gosto, o espetacular e excêntrico neoclássico edifício Adolpho Lindenberg, homenageia o primeiro dono da empresa lembrando que financiou o comando de caça aos comunistas no período da ditadura! Além de construir mais de 700 edifícios, o preço é a extravagante e absurda quantia de R$ 45 mil o metro quadrado, onde um apartamento de 250 m², o menor da unidade oferecida, sai por R$11.250.000. Números que não passam por aqui e que nem próximos estão! Por quê?
A Fazenda Santa Helena, da JHSF, a aproximadamente 43 km de Jundiaí, em Bragança Paulista,tem terrenos de 3000 metros quadrados que custam mais de R$ 6 milhões, os menores disponíveis para venda. Já os lotes de 1.000 m² com casa construída têm o preço de venda de R$ 15 milhões. O Condomínio Terras de São José (I e II), em Itu, a 53 km, tem lotes
de esquina com valor de R$ 5 milhões e casas construídas que chegam até R$ 20 milhões, ou a Fazenda da Grama, em Itupeva, a 38 km, la terrenos custam a partir de R$ 7 milhões , casas começam em R$ 12 milhões e vão a R$ 50 milhões.
Jundiaí não está no mapa dessas empreiteiras, mas está no centro, com distâncias médias
de 40 km para chegar a cada uma. E, por aqui, não existem mais áreas de 2.000.000 m2 para conterem esses itens de luxo.
Ainda sobre os exorbitantes preços de apartamentos de luxo em SP, vamos comparar com os oferecidos pelas empreiteiras locais. Aqui, o preço máximo de apartamento, que não é de luxo como aquele, mas é vendido como se fosse, é um terço menor do que o praticado pelo mercado nesses lugares para super-ricos. O máximo são exagerados R$ 15 mil por metro quadrado e, ainda assim, para poucos. Pode-se identificar ricos, com condição essencial para conviverem, em “Coisa de Rico”, livro de Michel Alcoforado, mas raramente pode-se estar próximos de super-ricos, que estão escondidos discretamente em lugares às vezes menos espalhafatosos, mas que são identificáveis na Fazenda da Grama, por exemplo, que tem jundiaienses com lotes ou construindo ali.
Em janeiro deste ano, publiquei o artigo “Coisa de Rico”, onde escrevo sobre os signos que identificam essa categoria de super-ricos: “seguranças, até 6 ou 7 por pessoa da família, apartamento em Miami, mordomias nos apartamentos em cidades do mundo para os quais podem, a qualquer momento, se deslocar. Quem é rico tem que ter casa na Baleia, em Trancoso, em Paris, Miami, na Grama ou na Baronesa.”
Dados publicados em matéria da Revista Investe Jundiaí, do Jornal de Jundiaí Regional, mostraram uma alta nos empreendimentos de alto padrão no mercado imobiliário de Jundiaí, que, insisto, não é o padrão para super-ricos, que movimentou R$ 250,6 milhões em vendas no primeiro trimestre. Na última quinta-feira, o jornal publicou os dados que apontam que o segmento de materiais de construção movimenta um potencial estimado de R$ 1,32 bilhão. Cresce o segmento da Classe A, mas a faixa B tem retração de 8,7%. Então, que estão construindo estão distribuídos em edifícios de apartamentos, casas em condomínio ou outro emprego desses materiais que não foi especificado.
O que se conclui é que quem determina o preço é a raridade do terreno em São Paulo, mas, no interior, a JHSF faz o preço que quiser e vende; colocou à venda seus lotes no recente Santa Helena, em Bragança Paulista, por R$ 2.650,00 o m², onde o ticket médio de terreno é de R$ 85 o metro quadrado, como na região do Quinta da Baroneza, por exemplo.
Eduardo Carlos Pereira é arquiteto e urbanista.