OPINIÃO

Quantos passos você dá por dia?


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Você sabe quantos passos dá por dia? Essa pergunta simples pode revelar muito sobre a sua saúde. O celular, o relógio, um anel ou um pedômetro ajudam a acompanhar uma métrica que vai além da caminhada planejada: mostram o quanto nos movimentamos durante a rotina. E, quando o corpo se movimenta, o cérebro também se beneficia.

Foi a leitura de "Cérebros quebrados: uma epidemia invisível", do neurologista Pedro Schestatsky, que me inspirou a escrever este artigo. O Dr. Pedro Neuro, como é conhecido na internet, foi meu professor em uma pós-graduação, e recomendo o livro a quem deseja compreender melhor os cuidados com a saúde cerebral. Nele, encontrei uma classificação de passos diários que ajuda a observar nossos hábitos: menos de 5 mil passos indica um estilo de vida sedentário; de 5 mil a 7.499, pouco ativo; de 7.500 a 9.999, atividade moderada; a partir de 10 mil, muito ativo; e, acima de 12.500, altamente ativo.

Essas faixas são referências, não uma obrigação igual para todos. Pesquisas associaram cerca de 7 mil passos diários a benefícios importantes, mesmo sem alcançar a conhecida marca dos 10 mil. Se você dá 3 mil passos hoje, acrescentar pequenas caminhadas já é um começo. Primeiro, conheça sua média. Depois, escolha uma meta possível e avance gradualmente.

Uma das vantagens dessa contagem é que os passos podem ser distribuídos ao longo do dia. Caminhar até a padaria, usar as escadas, passear com o cachorro ou dar uma volta entre compromissos: tudo entra na conta. O movimento acumulado está associado à saúde cardiovascular e metabólica e ajuda a preservar a mobilidade e a autonomia ao longo da vida.

E por que falar do cérebro? A atividade física favorece a circulação e estimula mecanismos ligados à plasticidade cerebral, a capacidade de aprender e formar novas conexões. O exercício pode aumentar os níveis de BDNF, proteína que participa desses processos. Também pode beneficiar a atenção e o humor. Palavras cruzadas e sudoku são desafios interessantes, mas não substituem o estímulo que o movimento oferece ao organismo inteiro.

Uma revisão de estudos encontrou menor risco de depressão entre pessoas que davam 7 mil passos ou mais por dia, em comparação com aquelas que davam menos. Isso não significa que caminhar, sozinho, trate a depressão ou que exista um número capaz de impedir uma doença. Mostra que se movimentar merece um lugar na conversa sobre saúde mental.

Passos, porém, não contam toda a história. O treino de força ajuda a manter músculos preparados para as exigências da vida. O músculo também se comunica com outros tecidos por meio de substâncias chamadas miocinas. Exercícios de equilíbrio e mobilidade completam esse cuidado, especialmente quando pensamos em envelhecer com independência.

Que tal observar sua contagem durante uma semana? Sem se comparar com outras pessoas ou transformar o relógio em fonte de cobrança. Apenas veja onde você está, encontre uma oportunidade de caminhar um pouco mais e repita. Cuidar do cérebro também pode começar com algo tão concreto quanto dar o próximo passo. Muita saúde a todos.

 

Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil

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