OPINIÃO

Cem mil lagos...


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Passei dez dias na Suécia, para falar sobre aquecimento global e transmitir um pouco daquilo que São Paulo faz para adaptar a megalópole aos fenômenos extremos que vieram para ficar. E este ano, a ameaça de um El Niño mais rigoroso faz com que o tema se imponha com inaudita urgência.

Quando ouvi pela primeira vez referência à Suécia, foi por saber que Eduardo de Souza Filho, o “Mano” ou “Maninho”, filho daquele Anjo Branco que era Vitória Furlan de Souza e do Dr. Eduardo de Souza, residira lá quando adolescente. Quando voltou, contou maravilhas de uma nação que tem quase a idade do planeta.

Voltei em 1987, mas em viagem de turismo. Percorri toda a Escandinávia e de Estocolmo fui de navio a Helsinque, na Finlândia, e de lá para a Noruega, depois de conhecer o Círculo Polar, ver as renas e o esplendor de um verão que praticamente não tem noites.

Agora, tive mais tempo de verificar o que é Estocolmo e como vivem os suecos. Impressionou-me a Prefeitura, um verdadeiro Palácio com inúmeros estilos, onde se realiza a entrega oficial e o banquete aos convivas da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel. 

A Suécia tem mais de cem mil lagos! De todas as dimensões. Eles integram a vida sueca e servem para tornar o clima sempre propício à vida e são utilizados para incrementar um turismo de excelente nível.

Toda a Suécia não possui mais do que dez milhões de habitantes, menos do que a maior cidade brasileira, nossa São Paulo. Isso permite ofertar a quem vive ali uma qualidade existencial de Primeiro Mundo.

Todas as crianças têm direito à educação pré ensino fundamental e as famílias podem escolher escolas confessionais ou particulares, pois o custo será coberto pelo Estado.

Os 101 vereadores de Estocolmo não têm salário, recebem apenas um jeton de 150 euros por sessão a que comparecem e não dispõem de viatura oficial. Vão às reuniões de trabalho de bicicleta, ônibus ou metrô. E também não dispõem de estrutura de apoio. Usam seus computadores pessoais.

As propriedades preservam o verde. Quase metade do território sueco é coberto por florestas e não há cercas delimitando os lindes dominiais. Pois a natureza é um bem da vida que precisa estar disponibilizado a todos, não apenas ao titular do registro de imóveis. O direito a usufruir do ambiente natural é superior ao direito à propriedade.

Como nação de escassa população, considerado o contingente dos países densamente povoados, a Suécia esmerou-se em criatividade, inovação e tecnologia. Suas Universidades estão repletas de estrangeiros que querem assimilar um pouco de sua expertise nos setores mais importantes desta era algorítmica.

Mais de cem museus na capital, que se estende por catorze ilhas e cujo lago Malaren se emenda ao Mar Báltico, representam um chamado sedutor a quem se encanta com história, com a tradição Viking, com o conjunto ABBA e no Palácio de Drotthingholm, situado na ilha de Lovo, reside a família real. A Raínha Silvia, que completa este ano suas Bodas de Ouro, é quase brasileira e passou sua infância em São Paulo. Para os jundiaienses, importante saber que ela é prima da família Toledo, aqui tão bem representada pelo Dr. Joaquim Jacintho Floriano de Toledo, de saudosa memória.

Há mais de mil coisas a aprender com uma visita à Suécia.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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