No livro da história de Jundiaí, uma de suas páginas mais marcantes, de nosso maior orgulho, está o notável registro do 12º Grupo de Artilharia Antiaérea, o tão querido (12º GAC). Suas origens remontam ao ano de 1919. Sua saga gloriosa data participações memoráveis já nos primeiros anos de existência. Em 1924 e 1930 participou do movimento revolucionário com baterias na 2ª Brigada de Artilharia, Campinas e Quitaúna, na Capela de Ribeira. Na revolução de 64, realizou sua maior façanha, marchando 450 km numa só jornada, para reforçar a 5ª região militar. Sua bandeira ostenta a Medalha Constitucionalista e em 1997 recebeu a insígnia de bandeira da Ordem do Mérito Militar, a mais elevada distinção honorífica do Exército Brasileiro.
Neste sábado, 28, retornam estes heróis reservistas ao berço da brasilidade com a 27ª - Volta à Caserna. Estes orgulhosos reservistas desfilam novamente em frente à Casa principal. Quando o comandante 12º tenente Coronel Mario Henrique Madureira e o Comandante da Companhia de Comunicação de Defesa Antiaérea Capitão Marcos Vinicius Mello Andrade de Araújo, abrirem os portões, as emoções tocaram a todos. Em frente ao belo pavilhão militar, o orador da classe Nilson Macrino dos Santos(1956) fará a saudação ao cinquentenário da classe. Os comandantes, ao lado do soldado Antonio Agnholon Filho, o mais velho dos reservistas (1944), o acompanharão para hastear e fazer tremular a céu aberto, o auriverde pendão da minha terra. Não há como conter tamanha emoção, ao que já se chamou carinhosamente de “mar de cabelos grisalhos”. O nobre reservista, a lenda Roque José Agostinho, figura dourada no álbum de figurinhas, sempre abrilhantando o saudoso encontro, exporá um painel com fotos e notícias destes tempos vividos na vida militar. Algumas doces lembranças serão buscadas na memória. O corte de cabelo ‘reco”. A primeira marcha carregando mochila e fuzil. O primeiro acampamento; dormir no mato. O treinamento à noite. A saudosa “baixa”. O. coturno reluzente, companheiro do cotidiano. A vistoria, feita todos os dias, para sair do quartel. A barba feita, farda limpa, o “rango”, a generosa comida do quartel: arroz, feijão, salada, carne cozida no molho com batata, pão. A elegante farda verde oliva e o ajeitado quepe. Ah! o primeiro soldo.
Este ano a volta à caserna e será uma cerimônia que marcará como um importante ponto de encontro e emoção para reunir familiares. Todos sentirão um ambiente seguro, um espaço de convivência e valorização da cultura da história e das pessoas que formam uma nação. O verdadeiro patriotismo se traduz em atitudes de solidariedade, justiça e responsabilidade social com a comunidade.
Ao vê-los, companheiros, caros reservistas, neste encontro memorável, acreditam-se no nosso maior triunfo, o triunfo da democracia. O respeito ao nivelamento das classes sociais. A ordem, a disciplina, a coesão. A educação cívica. Quero dedicar a coluna de hoje a todos estes herois reservistas. Quero no brilho da festa dar um abraço afetuoso aos amigos Roque José Agostinho, Renato De Sordi e Dirceu Carbonari.
A Caserna companheiros é o filtro admirável, onde os homens se depuram e se apuram, e nos fazem acreditar que o sentimento de brasilidade jamais será esquecido. Somos filhos da Caserna, somos filhos da Pátria.
Guaraci Alvarenga é advogado