OPINIÃO

A queda de investimento da indústria brasileira


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A Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria nesta última quinta (20 de agosto) traz um sinal claro de alerta para o setor produtivo. O índice de intenção de investimento da indústria recuou 0,6 ponto em relação a julho, caindo de 53,2 para 52,6 pontos. Este é o terceiro recuo consecutivo do indicador, que atinge o patamar mais baixo de 2026. Essa postura de maior cautela do empresariado industrial reflete um cenário desafiador no qual as decisões de expansão, modernização de fábricas e aquisição de novas máquinas passam a ser adiadas.

A menor propensão a investir é acompanhada pela deterioração das expectativas para o segundo semestre do ano. Os índices de expectativas de quantidade exportada, que registrou 49,5 pontos, e do número de empregados, que ficou em 49,4 pontos, recuaram e cruzaram a linha divisória de 50 pontos. Na metodologia da pesquisa, valores abaixo de 50 pontos indicam expectativa de retração. Ou seja, nos próximos 6 meses, os empresários passam a projetar uma diminuição das vendas externas e corte de postos de trabalho nas empresas.

A cautela dos empresários decorre de um ambiente macroeconômico muito adverso, sustentado por três fatores principais que pressionam as margens do setor. Em 1º lugar, o patamar elevado da taxa de juros encarece o financiamento para inovação e expansão no Brasil. Atualmente, a taxa Selic está fixada pelo Banco Central em 10,50% ao ano. 

O Brasil possui hoje a 2ª maior taxa do mundo, apenas atrás da Turquia. Quando o custo do dinheiro é alto, o retorno do investimento produtivo muitas vezes não compensa o risco do endividamento, desestimulando a modernização tecnológica e o ganho de eficiência operacional. Em 2º lugar, o aumento contínuo dos custos de produção reduz a margem de lucro operacional das empresas, diminuindo a capacidade financeira própria para reinvestimento. Isso se reflete na perda de dinamismo do índice de compra de insumos, que recuou 1,2 ponto, alcançando 51,2 pontos. Em 3º lugar, a forte entrada de produtos importados no mercado nacional tem acirrado a concorrência, forçando indústrias locais a competir com bens precificados de forma mais agressiva e favorecidos por condições externas substancialmente mais competitivas.

Embora o indicador de demanda dos consumidores ainda se mantenha positivo em 52,6 pontos, a sequência de quedas na intenção de investir demonstra que a produção nacional opera em modo de preservação. Sem crédito mais acessível, previsibilidade de custos e isonomia em relação ao avanço dos importados, o setor industrial tende a focar na gestão de eficiências imediatas, desacelerando os investimentos estruturantes que impulsionam a produtividade e o desenvolvimento econômico de longo prazo.

 

Francesconi Júnior é primeiro vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp 

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