Gerson Sartori, presidente do PDT, e Fernando Souza, presidente do Republicanos na cidade, divergem em temas nacionais, mas concordam sobre a necessidade de fortalecer a região, reduzir a polarização e priorizar projetos para a população.
Em um cenário político marcado pela radicalização, debate promovido pelo jornalista Itamar Gonçalves, no programa Bastidores da Política, da Rádio Difusora e Jornal de Jundiaí, mostrou que ainda existem pontos de convergência entre representantes da direita e da esquerda quando o assunto é o futuro de Jundiaí e da Região Metropolitana.
Participaram da entrevista o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Gerson Sartori e atual presidente do PDT em Jundiaí, representante de uma linha política ligada à esquerda, e o advogado e presidente municipal do Republicanos, Fernando de Souza, o Ferrugem, identificado com a direita. Ao longo da conversa, os dois divergiram sobre temas nacionais, modelo de distribuição de recursos e gestão pública, mas encontraram consenso em questões consideradas estratégicas para o desenvolvimento regional.
Um dos principais pontos defendidos pelos entrevistados foi a necessidade de a população priorizar candidatos da região nas eleições para deputado estadual e federal. Ambos avaliaram que Jundiaí e os municípios vizinhos perdem força política quando distribuem votos para candidatos sem vínculo com a região.
Pontos de convergência
Segundo eles, uma bancada regional fortalecida amplia a capacidade de articulação junto aos governos estadual e federal, facilita a conquista de investimentos e dá maior representatividade às demandas locais. A discussão ocorreu em meio ao período eleitoral, quando partidos já iniciam oficialmente suas campanhas.
Outro consenso foi a importância de superar a polarização política. Durante o debate, Sartori afirmou que o ambiente político brasileiro passou a privilegiar disputas pessoais em detrimento da discussão de propostas. "Hoje a polarização ficou tão ruim para a cidade que virou torcida. Hoje nós não discutimos mais projetos, discutimos pessoas", afirmou.
Ferrugem concordou com a análise e destacou que o debate político deveria voltar a ser baseado em ideias e soluções concretas. "A disputa deveria ser para saber quem tem a melhor proposta. Hoje praticamente não existe mais esse debate", observou.
Na avaliação dos dois, essa mudança prejudica diretamente a população, que deixa de discutir temas como saúde, educação, mobilidade urbana, segurança pública e desenvolvimento econômico para concentrar a atenção em disputas ideológicas.
Defesa da política regional
Outro tema recorrente foi a necessidade de fortalecer a atuação política regional. Os entrevistados defenderam que municípios da Região Metropolitana de Jundiaí precisam atuar de forma integrada, principalmente em áreas como mobilidade, preservação ambiental, saúde e infraestrutura.
Fernando destacou que problemas como a proteção da Serra do Japi, o trânsito entre municípios e os investimentos públicos exigem planejamento regional e representantes comprometidos com essas pautas.
Sartori também lembrou que, ao longo da história recente de Jundiaí, a cidade conseguiu importantes conquistas quando possuía parlamentares atuantes em Brasília e na Assembleia Legislativa.
Durante a entrevista, ambos citaram exemplos de ex-deputados da região, como Ary Fossen, Miguel Haddad, Luiz Fernando Machado, que mantinham interlocução permanente com os governos para buscar recursos e obras, defendendo que esse protagonismo precisa ser retomado.
Divergências permanecem
Apesar do ambiente de respeito, não faltaram divergências. Sartori atribuiu parte dos investimentos recentes recebidos por Jundiaí à atuação do Governo Federal e criticou prefeitos que, por diferenças partidárias, deixam de buscar recursos disponíveis.
Fernando apresentou uma visão diferente. Para ele, o principal problema está na excessiva concentração de recursos na União, defendendo uma revisão do pacto federativo para ampliar a autonomia financeira dos estados e municípios.
Também houve críticas ao atual modelo de distribuição de emendas parlamentares, ao excesso de burocracia nas licitações públicas e ao clima permanente de disputa política, que, segundo ambos, acaba atrasando projetos importantes para a população.
Mesmo em lados opostos do espectro político, os dois concordaram que a política precisa voltar a priorizar resultados concretos.
Ao final da entrevista, os convidados fizeram um apelo para que o eleitor conheça melhor os candidatos da região e avalie suas propostas antes de votar.
Na avaliação dos debatedores, independentemente da posição ideológica, o fortalecimento da representação regional será decisivo para ampliar a capacidade de Jundiaí e dos municípios vizinhos de conquistar investimentos e defender interesses comuns nos próximos anos.