OPINIÃO

Desafios e rumos da indústria nacional


| Tempo de leitura: 2 min

A posição do Brasil no cenário industrial global passa por transformações que exigem um acompanhamento técnico aprofundado. Dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e compilados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) revelam uma queda expressiva do país em um ranking trimestral de 90 nações: o Brasil ocupava a 33ª colocação no início de 2024, passou para o 47º lugar em 2025 e figurou na 69ª posição no primeiro trimestre de 2026.
 
Embora recortes trimestrais reflitam oscilações do mercado global, dados mostram que o Custo Brasil é o fator que mais tem pesado para este resultado. Esse gargalo histórico refere-se ao conjunto de ineficiências estruturais, burocráticas, tributárias e financeiras que encarecem a produção nacional. É esse peso que impulsiona o nítido movimento de desindustrialização no país: nos anos 1980, a indústria de transformação representava 36% do PIB nacional; hoje, esse braço produtivo responde por cerca de 12%.
 
Quando comparamos o Brasil com os quinze países maiores exportadores de produtos pro Brasil, percebemos que o Custo Brasil eleva os custos dos produtos manufaturados nacionalmente em  24,1% . Impressionantes 89% desse gargalo são gerados pela tributação, juros sobre capital de giro e custos de matérias-primas e energia. Em 2023, por exemplo, o Brasil liderou o ranking mundial de juros reais entre 42 economias que respondem por 90% do PIB mundial.
 
Pressionadas por essa pesada estrutura de custos, as empresas perdem mercado ou reduzem margem para sobreviver, o que se reflete em menos investimento, menor produtividade e no agravamento da desindustrialização.
 
Diante disso, o Ciesp e a Fiesp já fizeram várias sugestões ao Ministério da Indústria. Uma delas ressalta que, apesar de a reforma tributária reduzir disfunções, é necessário revisar o regulamento de novos tributos, assegurar o não aumento da carga tributária e avançar sobre a reforma da tributação sobre a renda. Também foram sugeridas medidas como a redução do spread bancário, unificação do sistema de garantias e ampliação do acesso ao crédito, além de racionalização tarifária e maior previsibilidade regulatória do setor elétrico.
 
Superar esses obstáculos é essencial para destravar o potencial produtivo nacional e garantir uma inserção internacional competitiva. Um exemplo emblemático da importância de se industrializar é a produção de café em cápsulas: em comparação ao grão in natura, o valor do produto se eleva em 34 vezes, gerando mais empregos, tributos, salários maiores, além de impulsionar pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e investimentos.

Francesconi Júnior é 1⁰ vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp

Comentários

Comentários