O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e deputadas federais do partido buscaram minimizar nesta sexta-feira (3) a crise desencadeada entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Michelle Bolsonaro desde que a ex-primeira-dama divulgou vídeo em que afirma ter sido desrespeitada pelo enteado.
O pré-candidato do PL à Presidência, por sua vez, evitou falar do racha com Michelle e também fez acenos ao público feminino após a declaração do influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, que afirmou que mulher vota muito mal, especialmente as solteiras.
"É a mulherada que manda em casa, é a mulherada que manda no Brasil e que fala por último no palco", disse Flávio.
O PL fez nesta sexta um seminário sobre comunicação, voltado para influenciadores de direita e assessores de parlamentares.
Além de Flávio, o presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, compareceram e discursaram. Michelle foi mencionada pelas mulheres que falaram ao microfone.
O vídeo da ex-primeira-dama dizendo ter sido humilhada pelo enteado foi publicado no último dia 24 de junho. Desde então, aliados tentam estancar a crise, que teve como uma das consequências imediatas a saída de Michelle da presidência do PL Mulher e a ameaça de recuo dela à pré-candidatura ao Senado.
Nesta sexta, deputadas e o próprio Flávio tentaram reforçar os laços familiares do senador, que tem mulher e duas filhas.
A deputada Soraya Santos (PL-RJ) disse que partiu de Flávio a ideia de congelar a vaga de presidente do PL Mulher até o fim da eleição, porque, segundo ela, Michelle é "insubstituível".
"Dizem que o PL não gosta de mulher e é a bancada que mais mulher tem. Dizem que você é duro com as mulheres e eu quero dizer que você é voto vencido porque lá [na casa de Flávio] são 3 contra 1. Por que você acha que as pessoas podem supor que esse partido pode levar essa fama?", disse Soraya, em painel com Flávio.
A jornalistas, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse ter "certeza de que Michelle apoiará Flávio".
O PL fez um painel sobre o impacto das mulheres no cotidiano das famílias, com Flávio entre os debatedores, ao lado da deputada Bia Kicis (PL-DF).
O senador, que já havia feito aceno ao público feminino mais cedo ao indicar que agressores de mulheres devem ser mantidos presos, sugeriu a ampliação de creches para que mulheres possam trabalhar.
Também falou da relação com as filhas. "Sou um homem comum", afirmou. "Era para Bolsonaro estar aqui. Mas estou aqui firme e forte, mais forte do que nunca, de cabeça erguida, para disputar a presidência ao Brasil", disse o pré-candidato.