A região de Ribeirão Preto e Franca registrou um aumento de 240% nas denúncias de trabalho infantil em 2026. Dados divulgados pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) da 15ª Região mostram que, entre janeiro e maio deste ano, foram recebidas 75 denúncias relacionadas ao trabalho proibido para crianças e adolescentes. No mesmo período de 2025, foram registrados 22 casos.
O levantamento foi divulgado às vésperas do Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de junho, e reforça o alerta para a necessidade de ampliar as ações de conscientização e enfrentamento dessa violação de direitos.
A região está entre as áreas atendidas pelo MPT da 15ª Região que apresentaram crescimento no número de denúncias. O órgão também identificou aumento dos registros em outras regiões do interior paulista e do litoral norte.
Alerta para a exploração infantil
Segundo a coordenadora regional da Coordinfância (Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente), Ana Raquel Machado Bueno de Moraes, o combate ao trabalho infantil deve ser tratado como uma prioridade permanente.
“Enquanto houver uma única criança privada de sua infância, estaremos falhando como sociedade e como Estado, pois não existe forma de exploração que possa ser tolerada ou naturalizada sob qualquer justificativa socioeconômica”, afirmou.
Para a procuradora, o crescimento das denúncias reflete a permanência de uma cultura que ainda relativiza a exploração de crianças e adolescentes.
“O aumento expressivo no número de denúncias de trabalho infantil que observamos no interior de São Paulo é o reflexo direto de uma cultura permissiva que, de forma equivocada e perversa, ainda insiste em naturalizar a exploração de pessoas com idade inferior a 18 anos sob o pretexto de que o trabalho seria um caminho para a formação do caráter”, declarou.
Aprendizagem profissional
O MPT destaca que a aprendizagem profissional é uma das principais estratégias para prevenir o trabalho infantil. A modalidade permite que adolescentes ingressem no mercado de trabalho de forma protegida, conciliando qualificação profissional, geração de renda e permanência na escola.
A legislação determina que as empresas mantenham entre 5% e 15% de aprendizes em funções que exigem formação profissional. Apesar disso, o órgão aponta que ainda há descumprimento da regra.
Entre janeiro e maio deste ano, o MPT recebeu 125 denúncias relacionadas ao não cumprimento da cota legal de aprendizes em sua área de atuação. O número representa alta de 9,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
“A aprendizagem profissional constitui a ferramenta mais eficaz de combate ao trabalho infantil, pois substitui a exploração predatória por um sistema regulado, que garante ao adolescente o acesso à qualificação técnica e o convívio escolar”, destacou Ana Raquel.
Cenário nacional
Os dados mais recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que o Brasil tinha 1,65 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024.
Desse total, 560 mil estavam submetidos a atividades consideradas entre as piores formas de trabalho infantil, incluindo trabalhos perigosos, degradantes e outras situações que colocam em risco o desenvolvimento físico e psicológico de crianças e adolescentes.
Casos de trabalho infantil podem ser denunciados ao Ministério Público do Trabalho, ao Disque 100 ou ao Sistema Ipê, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Leia mais: Franca expõe 104 adolescentes à 'pior forma' de trabalho infantil
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.
Comentários
3 Comentários
-
Marcio 1 dia atrasEu comecei a trabalhar com 14 anos de idade em fábrica de sapatos passando cola naquela época não era trabalho escavo era nescessidade por isso que hoje em dia tem tantos adolescentes no uso das drogas ninguém deixa eles trabalhar para ganhar seu salário, preferem que eles robem e usam drogas -
Adauto Casanova 2 dias atrásMuito bom, do trabalho estão protegidas, mas e do resto? -
Darsio 2 dias atrásNormal! Afinal, a turma dos bolsonaristas tudo faz para impedir a aprovação da escala 5 por 2 e, para isso está propondo que o trabalhador receba por hora trabalhada. Isso mesmo! Defendem que o trabalhador não tenha os dias de descanço e as férieas de forma remunerada. Creio que não tardará para proporem a revogação da Lei Áurea. Afinal, o próprio pastor e deputado, Marco Feliciano, defende que o trabalhador trabalhe até a exaustão. Aquele mesmo que, mama nas tetas do Estado, não trabalha e coloca todas as suas despesas nos bolsos do idiota contribuinte, Como não esquecer do seu tratamento de estética nos dentes que, nos custou quase 150 mil reais. E, o pior de tudo é perceber que otário para apoiar esses caras é o que não falta, mesmo sendo os imbecis que serão prejudicados.