OPINIÃO

O Carnaval e os carnavais de Jundiaí


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O Carnaval em Jundiaí tem uma história registrada na memória de todos nós, ou pelos salões dos clubes Grêmio e Jundiaiense, São João, nos seus áureos tempos,  ou nos blocos mais desaforados que circulam pelo Centro da cidade e bairros. E, apesar dos adeptos do contra, o Carnaval vai bem obrigado e é um marco da cultura jundiaiense - neste ano, com mais de 20 blocos por toda a cidade.

Se não fosse pelo  Clube 28 de Setembro -  idealizado e fundado em 2 de abril de 1895 por um grupo de ferroviários negros da Companhia Paulista de Estradas de Ferro - talvez não teríamos a expoente do samba em nossa cidade. Sob as mãos de jovens e talentosos sambistas mais jovens, o clube vem formando músicos, criando espaços e profissionalizando - através das leis de incentivo - o verdadeiro samba em nossa cidade.

Mesmo antes de Jundiaí ganhar seus blocos de rua modernos, a cidade já tinha manifestações de samba organizadas. Um marco importante foi a Escola de Samba Santa Cruz, considerada uma das primeiras da cidade, surgida ainda no fim dos anos 1930 e início dos 1940, quando as expressões culturais afro-brasileiras começaram a se afirmar mais abertamente no Brasil.

Ao longo das décadas seguintes, surgiram várias outras escolas de samba pelos bairros da cidade — nomes como Pitangueiras, Além Viaduto, Vianelo e Retiro marcaram a vida do carnaval jundiaiense nas décadas de 1950 e 1960.
Mais tarde, outras escolas se tornaram referências locais, como a União da Vila Rio Branco (fundada em 1988), a Cai-Cai (1979) — que é uma das mais antigas ainda em atividade — e a Arco-Íris Acadêmicos do Samba, que ganhou destaque pelo número de títulos e participação comunitária. Não posso deixar de citar Nego Véio e sua lindíssima escola de samba Eldorado.

O Bloco Carnavalesco Refogado do Sandi, criado em 1993 por um grupo de amigos com o objetivo de resgatar o espírito dos antigos carnavais de rua, valorizando a alegria popular sem regras rígidas ou competição formal, é hoje o mais expoente bloco de rua. Ao meu amigo e saudoso fundador, Erazê Martinho, meus sinceros agradecimentos. Para mim, todos os anos Sandi saúda tua inteligência, brasilidade e alegria.

Há outros tantos. Sou adepta - desde a fundação - do Kekerê (os mais belos afrossambas estão ali), do Carne com Queijo, com seu maracatu e trago os filhos e amigos de outras cidades para curtir Jundiaí como ela é.

Para mim, este carnaval de rua é o símbolo da alegria brasileira. E, a despeito de grandes festas e manifestações gigantescas em SP ou Rio, acho que o carnaval pequenininho, feito pela moçada do bairro, pelos grupos que têm afinidade e pertencimento cultural tem muito mais validade.

Já fui dessas de passar pelo Grêmio, Jundiaiense e Clube São João numa noite só. Hoje, me contento aos 60 minutos que aguento em pé vendo meus blocos passarem. Mas incentivo meus filhos e amigos a participar do carnaval jundiaiense.

Porque tradição é tradição!  Na beleza do samba, o que há de melhor de ritmo e música brasileiras, nossa maior expoência cultural como povo e maior produto de exportação de qualidade.

Quem não gosta de samba brasileiro não é.

Ariadne Gattolini é jornalista e escritora. Pós-graduada em ESG pela FGV-SP, administração de serviços pela FMABC e periodismo digital pela TecMonterrey, México. É editora-chefe do Grupo JJ

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