Em tempos modernos, com apenas poucos cliques no celular, é possível solicitar um carro por meio de aplicativos de transporte. A praticidade, aliada à popularização dos smartphones, transformou a forma como a população se desloca. Em Jundiaí, o cenário não é diferente. De acordo com dados da Prefeitura de Jundiaí, em dezembro de 2025 haviam 416 motoristas de aplicativos cadastrados. Já os taxistas somam atualmente 209 profissionais em atividade, com 218 permissões de uso - nove delas estão vagas no momento. Ao todo são 634 motoristas, o que coloca os taxistas como apenas 34% da categoria, frente aos 66% de motoristas de aplicativo.
Mesmo em menor número, o serviço de táxi ainda marca presença no município. Jundiaí possui 59 pontos de táxi ativos, distribuídos pela cidade. Os pontos podem ser consultados no site da Prefeitura. Em um desses pontos, na rua Siqueira de Moraes, no Centro, trabalha há 25 anos o taxista Antonio Lopes Neto, de 75 anos.
Nascido no Ceará, Neto atua como taxista há 35 anos. Ele chegou em Jundiaí em 1991, após deixar a carreira de político e professor no interior do seu estado natal. “Quando cheguei, não tinha mais idade para entrar em uma indústria e senti que a filosofia do ensino aqui era diferente do que eu estava acostumado, então precisei arrumar uma forma de ganhar dinheiro e vi no táxi uma alternativa”, relembra.
Bem-humorado e sorridente, ele permanece na profissão por paixão. “Apesar de todas as dificuldades, da falta de descanso e da concorrência com os aplicativos, sigo no táxi porque gosto do que faço e pelas amizades que construí ao longo do caminho. Gosto de conversar com todo mundo, fazer amizade e conhecer as histórias”, conta.
Ainda assim, ele reconhece que a realidade mudou drasticamente ao longo dos anos. A popularização da internet foi um divisor de águas. “Antigamente eu fazia 40 corridas por dia. Atualmente, em um dia bom, faço dez. Costumo dizer que o táxi foi bom antes da internet, na época em que o telefone fixo ainda era muito utilizado. Hoje, qualquer um pede um carro pelo celular, principalmente o jovem.”
Apesar da queda na demanda, o táxi ainda conta com usuários fiéis. A aposentada Angela Maria Mina, de 69 anos, afirma que utiliza tanto aplicativos quanto táxis, dependendo da necessidade. “Sempre avalio na hora o que preciso, seja um motorista de aplicativo ou um taxista. Mas gosto do táxi pela agilidade, não preciso ficar esperando o carro chegar”, explica.
Ações
A Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte (SMMT) informa que, no momento, não há previsão de aumento no número de pontos de táxi em Jundiaí, mas destaca que ainda existe demanda para o serviço. Para 2026, eles informaram que a pasta prevê uma série de ações voltadas ao segmento, como estudos para atualização da localização de pontos considerados defasados e a abertura de novas vagas para permissionários.