O fato de as discussões sobre veículos elétricos avançarem como alternativa de mobilidade em médias e grandes cidades não implica que as frotas devam ser trocadas da noite para o dia. Essa é a opinião do gestor de Mobilidade e Transporte da Prefeitura de Jundiaí, Aloysio Queiroz, que avaliou, em entrevista à Rádio Difusora Jundiaí, em que pé estão os debates pelo mundo e em Jundiaí e o que esperar dos carros sustentáveis aqui no município.
“A substituição da frota de ônibus circulares será gradativa, mas nem podemos afirmar que eles serão elétricos. Se fizermos a troca de uma só vez, inviabilizamos o negócio para as empresas”, pontuou o gestor. Queiroz refere-se ao novo edital de concessão do transporte público municipal que está sendo elaborado em Jundiaí, após vinte anos de vigência do contrato anterior.
Segundo a Unidade de Gestão, a ideia é que as novas empresas responsáveis pelo sistema tenham pelo menos uma parte da frota com menos impacto ambiental. A questão, no entanto, gira em torno de recentes diálogos mundiais que apontam que a mobilidade elétrica não é, comprovadamente, a mais indicada como solução para os espaços urbanos.
“Alguns países na Europa estão experimentando usar o hidrogênio, porque já estão questionando se o veículo elétrico é, de fato, o modelo mais adequado. Isso porque, além do custo, também há o problema de descarte das baterias. Precisamos mudar nossa matriz energética, sabemos que carros movidos a motores a combustão não têm mais futuro, mas para onde vamos mudar é uma incógnita”, avaliou.
Na Europa, um ônibus urbano elétrico roda em torno de 300 quilômetros com uma carga de bateria. Com o hidrogênio, a distância chega a 400 quilômetros. Segundo Aloysio, o continente europeu é uma das referências do poder público local no que tange à mobilidade, especialmente nos modelos de caminhabilidade que a prefeitura tem implementado dentro do programa Cidade das Crianças.
Isso significa que, além da transição energética das frotas do sistema circular gratuito, o desafio do Executivo tem sido equilibrar a expansão de uma cidade notoriamente logística levando em consideração também os pedestres.