Paros é uma ilha paradisíaca que os turistas que vão à Grécia incluem no roteiro porque faz parte das Cyclades e, como tudo naquele pedaço de mundo, tem muita história. Em Paros, de ruelas tortuosas e íngremes, casas brancas e trepadeiras coloridas, viveu Arquíloco, no século VIII aC. Poeta lírico e soldado, ele foi levado em alta conta pelos contemporâneos mas também pelos pósteros que o consideravam em pé de igualdade com Homero. Escrevia iambos, unidade lírica composta por sequências de versos de ritmos alternados, um longo e outro curto.
É por alguns de seus iambos, que às vezes tomavam o caminho da sátira, que somos informados de decreto que proibia aos atenienses comercializar figos com estrangeiros. Era crime, considerado contrabando: figos eram tidos como frutos sagrados pelos gregos.
Vem também de Arquíloco a notícia de que os que denunciavam os comerciantes ilegais de figos eram chamados sifocantas. Esta palavra sobreviveu por séculos na sua designação de “delator” e, por extensão, ganhou ao longo do tempo conotação de caluniador, embusteiro, impostor, mentiroso. Se eram malvistos os contrabandistas de figos, e penalizados pela lei, pior seriam avaliados pelo povo os dedos-duros, raça que não se extingue, sobrevive historicamente a terremotos, tsunamis e meteoritos.
O verbete sicofanta permanece dicionarizado. Mas muito antes dos sicofantas o figo já era fruto mencionado com louvor na Odisseia, poema cuja autoria, apesar de atribuída a Homero, perde-se nos primórdios da civilização com suas mitologias.
Tão antiga quanto a humanidade, a figueira parece até preceder a criação do homem, pois no Antigo Testamento é sua folha que cobre o sexo de Adão ao ser expulso do Paraíso. Aliás, as palavras figo e figueira são encontradas cinquenta vezes no Velho Testamento, do Gênese ao Apocalipse. Mas perdem para mel e leite, citados em mais de sessenta versículos, sendo célebre a passagem em Exodus, onde Canãa surge descrita como a “terra de onde mana leite e mel”. E onde localizar os primeiros registros de iogurte, entre estes alimentos milenares?
Na Bíblia também, sob a forma “leite fermentado”, receita que Abraão teria aprendido com um anjo para curar doença de sua mulher. Com a grafia iuhrt, que os ingleses transformariam em yogurt, faz parte da dieta turca há séculos, pois há documentos que nos informam que era vendido nas ruas de Istambul desde quando esta se chamava Constantinopla. Foram os turcos, com sua vida pautada pelo nomadismo, que desenvolveram formas de prolongar a durabilidade dos alimentos. Iogurtes e queijos eram dois deles.
Figos, mel, iogurte são alimentos revigorantes que ganham plus com as amêndoas, outra longeva. Na taça de cristal combine os ingredientes conforme mostrado no passo a passo. É nossa sugestão prática e simbólica para a mesa de Páscoa.
