Tomate, queijo e manjericão


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Um bolo salgado ótimo para beliscar hoje à noite durante a entrega do Oscar; você prepara em uma hora e fica  apetitoso pelo perfume, textura e combinação de sabores
Um bolo salgado ótimo para beliscar hoje à noite durante a entrega do Oscar; você prepara em uma hora e fica apetitoso pelo perfume, textura e combinação de sabores
Escrevo manjericão, seguindo o uso comum em nossa língua, e me pergunto por que não basílico, como nos idiomas italiano, alemão, inglês, francês, polonês, holandês... Fico curiosa, intrigada e vou ao dicionário em busca da etimologia em português. Encontro mais de dez espécies: cheiroso, miúdo, ordinário, do-ceilão, do- campo, de molho, de folha grande e que tais. Mas sobre a origem do vocábulo, o grande Antenor Nascentes deixa gravado o adjetivo instigante: “obscura”. Nenhum filólogo sabe dizer exatamente como apareceu em nossa língua. Basílico e manjericão são a mesma coisa, mas em nosso idioma quase não usamos o primeiro, fazendo opção pelo segundo. E ainda existe outra forma, explicável pela língua árabe da Península Ibérica que via colonizadores afetou as colônias: albahaca, que virou alfavaca. Botanicamente, todas pertencem ao mesmo gênero, Ocimum, nome científico que revela o perfume das folhas.
 
O Ocimum basilicum é o de folha larga e brilhante, conforme se vê na ilustração desta página. Em latim basílico significa “o melhor tipo de manto”, o que nos autoriza a depreender que o nome foi dado porque suas folhas, sendo maiores que as de outras espécies, poderiam cobri-las. E quais são as outras? Uma é a Ocimum gratissimum, e este gratissimum pode ser traduzido por “bem-vindo”, o que se relacionaria à fácil adaptabilidade climática. Foi a esta que os árabes chamaram albahaca, substantivo que levaram à Espanha, onde ficaram por oito séculos. Por fim, temos o ocimum minimum, porque suas folhas são miudinhas, como as do tomilho e do orégano.  No Brasil encontramos nos varejões e feiras esses manjericões diferentes, de folhas largas e grandes e de folhas estreitas e miúdas. Italianos fazem diferença quanto ao uso: de folhas largas, na salada caprese, sempre; de folhas pequeninas, no molho pesto, desde que foi inventado. Quanto à alfavaca, na culinária de origem hispânica é empregada para temperar peixes. 
 
Posto isso, tudo é manjericão e brotou pela primeira vez na Índia, onde é cultivado quase como planta sagrada, transitando entre os espaços de comer e os de curar. Sua mítica espalhou-se de lá pelo mundo. Na Grécia, os ortodoxos a usam nas cerimônias religiosas. No México ocupa espaço nas áreas de Cupido e é tida como “talismã do amor”. Viram quanta história uma palavra comporta? É por isso que gosto tanto delas. E de manjericão também gosto. Nas saladas, em determinados pratos de massa, nas omeletes, em certos sanduíches, nos legumes cozidos, em alguns tipos de risoto, no molho de tomate. Este, aliás, é a companhia mais usual do manjericão. São unha e carne, combinam os sabores e texturas com perfeição, ficam lindos lado a lado com suas cores, vermelho e verde intensos. E, interessante, remetem a culturas muito distantes que se ligaram por vias quase inimagináveis. O tomate, nativo da América Central, foi levado à Europa pelos colonizadores e os italianos se apropriaram dele batizando-o com outro nome: em lu
gar do asteca tomatl, chamaram-no pomodoro, fruto de ouro. E o basílico, que cresce à vontade no Mediterrâneo, para cá foi trazido pelos italianos, que impuseram o uso mas não o verbete.
 
A receita que você vê na foto tem manjericão, tomate e dois tipos de queijo. Você pode combinar queijo coalho com parmesão; meia cura com queijo de cabra; frescal com ricota. Um é ralado; outro, cortado em quadradinhos. Eles entram na massa do bolo salgado que fica saboroso pela combinação dos ingredientes e bonito por causa das cores. Agrada crianças, adolescentes, adultos. Contempla o paladar de muitos, embora se saiba que há os que não suportam manjericão. Se é o seu caso, substitua-o por salsinha ou orégano.
 
Pra fim de conversa, pegue seu liquidificador, eletrodoméstico da maior importância em qualquer cozinha, grande invenção norte-americana que veio facilitar demais as atividades culinárias. Coloque no copo o leite, a cebola ralada, o sal,  a manteiga e os ovos e bata durante dois minutos. Numa tigela peneire duas vezes a farinha de trigo misturada ao fermento em pó. Sobre os secos, derrame os liquidos e mexa bem. Acrescente o queijo ralado,  e, depois, o outro cortado em cubinhos. Volte a mexer. Agregue os tomates. Podem ser três tomates pequenos sem sementes, cortados em quadradinhos ou oito tomatinhos-cereja partidos ao meio. Misture para que fiquem bem espalhados pela massa. Reúna então as folhas de manjericão inteiras, procedendo da mesma forma, para que não se acumulem de um só lado do bolo. Unte com manteiga ou óleo uma forma retangular. Polvilhe com farinha. Distribua a massa pela forma, alise com colher e leve ao forno já aquecido a 180 graus. Em geral 40 minutos são suficientes para que fique assado. 
Teste com o palito: espete, veja se sai limpo, espere amornar e desenforme Decore com tomatinhos e folhas de manjericão. 
 
 
INGREDIENTES
 
 2 ½  copos de leite
 1 ½ copo de farinha de trigo
 1 colher (sopa) de fermento em pó
 1 cebola média ralada
 2 ovos