Jéssica Gomes dos Santos, de 26 anos, que sobreviveu ao ataque a facadas cometido pelo ex-companheiro na madrugada de quarta-feira, 5, no Jardim Guanabara, em Franca, recebeu alta hospitalar e deixou a cidade no mesmo dia. Em entrevista ao Portal GCN/Sampi, ela negou que tivesse retomado o relacionamento com Alberto Nunes Rodrigues Neto, de 26 anos, principal suspeito do crime, que segue foragido.
No ataque, Alberto esfaqueou Jéssica e Thainara Aparecida Almeida dos Reis, de 22 anos, que mantinha um relacionamento com ela. Thainara chegou a ser socorrida para a Santa Casa de Franca, mas não resistiu aos ferimentos.
Ainda abalada, Jéssica disse que tenta compreender a dimensão da tragédia. "Eu já saí do hospital e não estou mais em Franca. Ainda estou tentando assimilar tudo o que aconteceu."
Ela também esclareceu que, ao contrário do que algumas pessoas passaram a comentar após o crime, o casal não havia reatado o relacionamento.
"Nunca reatamos. Ele disse que eu poderia ficar no apartamento por causa do nosso filho, mas tudo ficou bem esclarecido que a gente não tinha mais nada. Todos esses dias ele parecia bem e entender a situação. Ele estava dormindo lá, sim, mas cada um no seu canto."
Jéssica contou que o relacionamento havia terminado oficialmente em 13 de junho, após uma discussão que resultou em boletim de ocorrência, pedido de medida protetiva e sua saída de Franca. Alberto tinha flagrado ela e Thainara no apartamento. Revoltado, agrediu fisicamente Jéssica.
Segundo ela, depois da separação, Alberto manteve contato apenas para falar sobre o filho do casal, de 1 ano e 7 meses. "Ele entrou sempre em contato comigo por causa do filho. Ele sempre ligava para ver o menino e tudo, isso normal. Eu nunca impedi ele de ver o filho."
Ela explicou que aceitou retornar a Franca porque Alberto pediu que a criança passasse o Dia dos Pais com ele. Antes da viagem, procurou familiares do ex-companheiro para saber como ele estava. "Uma tia dele me disse que ele estava muito bem, aparentemente já estava aceitando que era o fim, que era seguir em frente."
Ao chegar à cidade, Alberto ofereceu que ela permanecesse no apartamento para facilitar a convivência do filho com o pai durante aqueles dias.
"Ele falou que eu podia ficar no apartamento para o bem do menino. Eu não vi mal algum, sempre deixando bem claro que a gente não tinha nada, que não era para ele confundir as coisas, que a gente não dava mais certo."
Segundo Jéssica, Alberto ainda insistia em dizer que a amava, mas, nos últimos dias, aparentava ter compreendido que o relacionamento havia acabado, mas voltava ao assunto.
A sobrevivente também levantou a suspeita de que um vizinho possa ter alimentado o ciúme do ex-companheiro. Em seu relato, Jéssica afirmou que o mesmo morador já havia provocado problemas anteriormente.
Segundo ela, na discussão que antecedeu a separação, em junho, o vizinho enviou mensagens para Alberto dizendo que teria ouvido barulhos vindos do apartamento durante a madrugada. "No horário que ele disse ouvir barulho, eu estava dormindo, apagada, porque tinha trabalhado o dia inteiro. Não tinha nenhum barulho naquele dia. Foi por causa disso que ocorreu toda a briga de 13 de junho e a gente se separou de vez."
Ela acredita que comentários feitos por terceiros contribuíram para aumentar a desconfiança do ex-companheiro.
"As pessoas hoje em dia estão tão ocupadas olhando para a vida dos outros que esquecem de olhar para a delas mesmas. Eu espero que ele esteja com peso na consciência, porque isso é coisa que não se faz."
Jéssica também falou sobre o impacto da tragédia no filho do casal, que estava no apartamento durante o ataque.
"Eu tenho um filho de 1 ano e 7 meses para criar, que presenciou boa parte. Tenho certeza que, apesar de tão novo, ele vai ficar traumatizado. Do nada, ele começa a chorar. Se a gente que é adulto não consegue entender bem, imagina uma criança."
A jovem afirmou acreditar que sobreviveu por uma nova oportunidade dada por Deus. "Pelo jeito que tudo aconteceu, era para eu estar morta também. Acredito que Deus me deu uma nova chance. Agora é recomeçar a vida pelo meu filho. Tenho que ficar forte para cuidar dele, porque é o meu bem mais precioso."
Na madrugada de quarta-feira, 5, Thainara Aparecida Almeida dos Reis, de 22 anos, foi morta a facadas dentro de um apartamento na rua Irmãos Antunes, no Jardim Guanabara, em Franca. Jéssica também foi esfaqueada ao tentar impedir as agressões.
Segundo a investigação, Alberto Nunes Rodrigues Neto invadiu o imóvel e atacou as duas mulheres. Thainara sofreu diversos ferimentos e morreu após ser socorrida à Santa Casa. Jéssica foi levada ao Pronto-socorro Municipal, passou por atendimento médico e recebeu alta posteriormente.
De acordo com a Polícia Civil, Alberto deverá responder por feminicídio consumado pela morte de Thainara e por tentativa de feminicídio contra Jéssica. O suspeito fugiu logo após o crime em um GM Corsa preto e continua sendo procurado pelas forças de segurança.
Leia mais:
Rapaz mata jovem e fere ex em frente filho de 3 anos em Franca
Imagens revelam cenário de horror após ataque em apartamento
Câmeras mostram suspeito fugindo após atacar Thainara e Jéssica
Polícia pede prisão de suspeito de matar Thainara no Guanabara