05 de fevereiro de 2026
CASO CONCLUÍDO

Cão Orelha: Boné e moletom identificaram autor do crime; ENTENDA

Por Bia Xavier - Jornal de Piracicaba |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Orelha foi agredido por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro.

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta terça-feira (3), o inquérito que apurou a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida no início de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. O trabalho investigativo reuniu análise de imagens, depoimentos e recursos tecnológicos para identificar o responsável pela agressão que levou à morte do animal.

Segundo a polícia, o cruzamento de registros visuais com dados de deslocamento foi fundamental para chegar ao autor do crime, um adolescente, para quem foi solicitada a internação. Três adultos também foram indiciados por coação a testemunha.

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Ataque ocorreu durante a madrugada

Orelha foi agredido por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro. De acordo com laudos da Polícia Científica, o cachorro sofreu um impacto violento na região da cabeça, compatível com chute ou golpe causado por objeto rígido, como madeira ou garrafa.

No dia seguinte ao ataque, o animal foi encontrado por moradores e encaminhado a uma clínica veterinária, mas não resistiu aos ferimentos.

Imagens e vestimentas ajudaram na identificação

Para reconstruir a dinâmica do crime, os investigadores analisaram cerca de mil horas de gravações obtidas por 14 câmeras de segurança instaladas na região. As imagens registraram o suspeito vestindo um boné rosa e um moletom, peças que se tornaram elementos centrais da investigação.

As roupas foram posteriormente apreendidas e comparadas com os registros visuais, reforçando a identificação do adolescente como autor da agressão.

Deslocamento contradisse versão apresentada

Com o auxílio de um software estrangeiro de geolocalização, a polícia mapeou o trajeto do adolescente na madrugada do crime. Os dados indicam que ele deixou o condomínio onde mora por volta das 5h25 e retornou cerca de meia hora depois, acompanhado de uma amiga.

A análise contrariou a versão apresentada inicialmente, segundo a qual o jovem teria permanecido dentro do condomínio durante o período do ataque.

Viagem e apreensões marcaram a apuração

No mesmo dia em que a polícia chegou aos principais suspeitos, o adolescente viajou para os Estados Unidos, retornando ao Brasil no fim de janeiro. No desembarque no Aeroporto Internacional de Florianópolis, celulares e vestimentas dele e de outro adolescente investigado foram apreendidos para análise.

A polícia também apurou uma tentativa de ocultação das roupas utilizadas no dia do crime, o que contribuiu para o avanço das investigações.

Caso segue para o Judiciário

Concluído o inquérito, o material foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A Polícia Civil informou que todos os procedimentos seguiram o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A extração de dados dos celulares apreendidos ainda deve reforçar provas já reunidas e apontar novos elementos.

A morte de Orelha teve forte repercussão e reacendeu o debate sobre a responsabilização por crimes contra animais e o papel da tecnologia na elucidação desses casos.