COTIDIANO

Entregador encara desafios das ruas de Franca com humor e coragem

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
William Pessoni, trabalho e humor nas redes sociais
William Pessoni, trabalho e humor nas redes sociais

Mesmo com os apuros no trânsito no dia a dia, William Pessoni mostra bom humor e grava vídeos narrando os desafios da profissão. Aos 45 anos, morador do bairro Espraiado, em Franca, ele é conhecido nas redes sociais como o Rei das Entregas e corta a cidade de ponta a ponta todos os dias para garantir o sustento da família: mulher e um filho.

São até 240 quilômetros em cima de uma moto, com até 35 entregas em um único dia de correria. William é o retrato fiel — e muito bem-humorado — do que é ser motoboy.

Há sete anos, ele deixou a profissão de gráfico para viver de entregas. Trocou a tinta pelo vento, a máquina pelo guidão. E descobriu que o asfalto, em Franca, é uma escola diária de paciência, reflexão e fé. “Cada vez que a gente passa numa esquina é uma prova de vida pra ver se a gente é motoca de verdade”, brinca ele, em uma de suas postagens que já viraram marca registrada para seus mais de 4,5 mil seguidores.

Em um vídeo que viralizou entre os colegas de profissão, William narrou o que chamou de “o dia em que achei que não voltaria inteiro para casa”. Ele saiu para fazer quatro entregas. Voltou ileso de quatro livramentos. Ele também posta o cotidiano da cidade, buracos, alagamentos, acidentes, entre outras situações.

“No primeiro quarteirão, o cara estacionou o carro e já abriu a porta, quase me derrubou. Buzinei, ele me pediu desculpa e segui. Estou chegando perto da segunda entrega e um ciclista vem na contramão falando no celular, quase que dou no meio dele”, conta. Na terceira, outro susto: “O carro parou no pare, mas colocou 80% do carro no meio da rua. Tive que desviar dele e vinha um outro carro do lado. Quase que o outro carro me atropela por causa do infeliz que ficou com o carro atravessado na via”. Na última, o semáforo estava verde para ele. “A motorista passa na minha frente com uma sacola na mão, estava chuviscando. Eu freiei a moto e a moto já saiu deslizando. Quase que eu caio”.

Quatro entregas, quatro apuros no trânsito em poucos minutos. E ele ainda voltou rindo. É assim que William faz: transforma o que seria revolta, susto, perigo, em crônica. O humor é a sua buzina contra o estresse.

A rotina do Rei das Entregas não tem hora de almoço marcada, nem folga quando o tempo fecha. Debaixo de sol ou de chuva, ele segue, como tantos outros motoboys que trocaram suas profissões na época da pandemia para trabalhar de entregador. A categoria explodiu e o delivery virou essencial.

Ele conta que o perigo não vem só dos carros, vem também dos buracos nas vias. “Tem uns bairros cheios de cachorros que só ficam esperando para correr atrás e morder. Mosquito entra no capacete, no olho, no ouvido, na boca”, conta, entre risadas.

William sentiu na pele ao se envolver em um acidente em 2021 com um carro cortando a frente dele. O impacto foi tão forte que a moto deu perda total. “A moto deu perda total, fiquei 15 dias de molho em casa. Sofri outros acidentes, mas coisas leves, nem conta”, lembra.

Após se recuperar do acidente ele voltou mais atento, mais experiente e ainda mais determinado a mostrar para todo mundo o que os entregadores passam. Para William, postar não é vaidade. É desabafo, é alerta e é homenagem. “Os motoboys da cidade de Franca é uma luta no dia a dia”, diz ele, sempre de bem com a vida.

No fim do dia quando desliga a moto, ele sabe que venceu mais uma maratona invisível, com a certeza de que, no dia seguinte, vai ligar a moto de novo, e seguir sendo, com humor e coragem, o Rei das Entregas.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários