Franca enfrenta uma disparada no registro de hepatite A, com aumento de casos confirmados nos últimos meses. A Secretaria Municipal de Saúde investiga possíveis fontes de contaminação e vínculos entre os pacientes.
Ao todo, foram registradas 87 notificações da doença neste ano. Desse total, 30 casos positivos foram contabilizados apenas em outubro e estes primeiros seis dias novembro, em um intervalo de 37 dias, segundo a Prefeitura. A maior concentração das confirmações está entre adultos de 20 a 39 anos.
O aumento representa uma alteração no panorama histórico do município, onde a hepatite C costuma ser a mais prevalente entre as hepatites virais acompanhadas pela rede de saúde.
A doença também tem provocado quadros que exigem internação. É o caso da dona de casa Tatiele Cristina Cintra, de 40 anos, que contraiu hepatite A há aproximadamente 20 dias e permaneceu nove dias internada no Hospital do Coração, em Franca. Ela ainda não se recuperou totalmente.
O marido dela, o sapateiro Fransergio Cesar Alves, de 41 anos, contou que a Tatiele apresentou fraqueza intensa, vômitos e dores abdominais. Inicialmente, ela chegou a suspeitar de uma infecção urinária, mas a alteração na cor da urina e os exames de fígado levaram à investigação de outra causa.
“Ela fez um exame de urina, estava parecendo uma Coca-Cola. Aí o médico pediu uns exames de fígado e tal. O TGO e o TGP, exames de fígado, estavam todos altos. Até hoje estão altos os exames dela. É triste até abaixar”, relatou.
Segundo Fransergio, antes da internação, Tatiele também apresentou amarelamento da pele e dos olhos. Ele contou que a mulher ficou muito debilitada e ainda enfrenta limitações para realizar atividades físicas.
“Quando ela foi para ficar internada, já estava com o corpo inteirinho amarelo. O olho fica amarelo. Tudo isso é um sintoma. E fica ruim, a pessoa não aguenta andar, fazer exercício físico”, disse.
Ainda de acordo com o marido, a recuperação pode levar cerca de três meses. Mesmo após os nove dias de internação, Tatiele continua em processo de recuperação.
Investigação
As Vigilâncias Epidemiológica e Sanitária de Franca estão atuando de forma integrada na investigação dos casos. Segundo a Secretaria de Saúde, são realizadas entrevistas epidemiológicas para identificar possíveis vínculos entre os pacientes, além de avaliações, inspeções e coletas de amostras laboratoriais em locais apontados como prováveis pontos de contaminação.
Até o momento, não há uma conclusão sobre uma fonte comum de transmissão.
Transmissão e prevenção
A hepatite A é transmitida principalmente pela via fecal-oral, por meio do consumo de água ou alimentos contaminados e do contato direto entre pessoas.
A Secretaria de Saúde orienta que a população mantenha cuidados de higiene, como lavar as mãos após utilizar o banheiro, antes de preparar ou consumir alimentos e depois de trocar fraldas.
Também recomenda higienizar frutas, verduras e legumes consumidos crus com produtos apropriados, seguindo as orientações dos fabricantes, além de consumir água de procedência segura e manter cuidados no preparo e armazenamento dos alimentos.
A vacina contra hepatite A é oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde), em dose única aos 15 meses de idade. Em situações de surto, a possibilidade de vacinação adicional é avaliada conforme as orientações do Ministério da Saúde e critérios técnicos, não sendo indicada automaticamente para toda a população.
Caso a vacinação adicional seja necessária, a Secretaria informou que orientará e entrará em contato com os grupos elegíveis.
Pessoas com sintomas como náuseas, mal-estar, dor abdominal, urina escura ou pele e olhos amarelados devem procurar atendimento em um serviço de saúde para avaliação.
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