CASO PRISCILA

Pecuarista suspeito de feminicídio é sepultado em Rifaina

Por | da Redação
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Sampi/Franca
Reprodução
Pecuarista João Roberto Boleli, de 62 anos
Pecuarista João Roberto Boleli, de 62 anos

O corpo do pecuarista João Roberto Boleli, de 62 anos, foi sepultado às 9h desta terça-feira, 3, no Cemitério Municipal de Rifaina. Suspeito de matar a tiros a namorada, Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, no dia 27 de outubro, ele foi encontrado morto na manhã de segunda-feira, 2. A morte do investigado pode extinguir a punibilidade pelo feminicídio, mas não significa, necessariamente, o encerramento das investigações.

Boleli foi localizado em uma área de mata na Fazenda Gordura, às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), no quilômetro 452, em Rifaina. Segundo o boletim de ocorrência, o corpo foi encontrado pelo neto do pecuarista, que acionou as autoridades.

O local foi preservado pela Guarda Civil Municipal e passou por perícia. Nas vestes de Boleli, foram encontrados dinheiro, um celular, um relógio, a chave de uma caminhonete e uma carta manuscrita. Próximo ao corpo, também havia uma munição intacta de calibre .38.

A causa da morte ainda não foi oficialmente determinada. A hipótese de infarto foi levantada pela defesa da família, que mencionou um histórico de diabetes e problemas cardíacos. A confirmação depende dos exames periciais.

O que acontece com a investigação?

A morte de Boleli impede que ele seja processado ou condenado pelo feminicídio. De acordo com o Código Penal, a morte do autor do crime extingue a punibilidade.

Para que a medida seja reconhecida oficialmente, é necessário apresentar a certidão de óbito e obter uma decisão judicial, após manifestação do Ministério Público.

Caso fique comprovado que Boleli agiu sozinho, as apurações criminais poderão ser encerradas. No entanto, se houver indícios de participação de outras pessoas, a Polícia Civil poderá continuar investigando para esclarecer as circunstâncias do assassinato e a eventual responsabilidade de terceiros.

O boletim de ocorrência do feminicídio aponta que Boleli teria chegado à propriedade rural acompanhado de aproximadamente seis a sete homens, distribuídos em diferentes veículos.

A eventual participação dessas pessoas ainda precisa ser esclarecida. A presença no local, por si só, não significa envolvimento no crime.

Relembre o caso

Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, foi morta a tiros na noite de 27 de outubro, na entrada de uma propriedade rural às margens da Rodovia Cândido Portinari, em Rifaina.

Natural de Perdizes (MG), ela estava acompanhada do irmão e de uma amiga e foi até o local para devolver uma caminhonete a Boleli.

Conforme o boletim de ocorrência, durante uma discussão, o pecuarista teria exigido o celular da jovem. Diante da recusa, ele teria sacado uma arma e atirado contra ela. Em seguida, fugiu com a caminhonete.

O irmão socorreu Priscila, mas ela não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil passou a investigar o caso como feminicídio, e a Justiça decretou a prisão preventiva de Boleli no dia seguinte ao crime.

O advogado Diogo Máximo, que representa a família de Priscila, afirmou que pretende acompanhar as investigações e buscar esclarecimentos sobre a possível participação de outras pessoas no assassinato.

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