HOMENAGENS

Câmara eterniza sargento Rullian, Heitor e Antônia em novas ruas

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Pedro Baccelli/GCN
Graziela Cristina da Silva Pinto, de 45 anos, mãe de Heitor Alexandre, com camiseta em homenagem ao filho
Graziela Cristina da Silva Pinto, de 45 anos, mãe de Heitor Alexandre, com camiseta em homenagem ao filho

A Câmara Municipal de Franca aprovou, durante a sessão ordinária desta terça-feira, 3, três projetos de lei que denominam ruas da cidade em homenagem a Sargento Rullian Ricardo Adrião da Silva, Heitor Alexandre Silva Pinto e Antônia Maria Garcia Dias.

Além das homenagens, os parlamentares aprovaram outros dois projetos: um que institui o programa “Parceria pelo Lazer Infantil”, permitindo o financiamento privado de parquinhos em áreas públicas, e outro que cria o Banco de Dados Municipal de Animais Esterilizados.

Sargento Rullian dará nome a rua no Santa Fé

O Projeto de Lei Ordinária nº 133/2026, de autoria do vereador Walker Bombeiro da Libras (PL), denomina a Rua 104 do Residencial Santa Fé como Sargento Rullian Ricardo Adrião da Silva. A proposta recebeu 14 votos favoráveis.

Rullian foi morto a tiros em 5 de abril de 2023, dentro da 4ª Companhia do 46º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano, na região do Ipiranga, em São Paulo (SP). Ele foi atingido por disparos no pescoço e no tórax. O policial chegou a ser socorrido pelo helicóptero Águia, mas não resistiu.

O então capitão, atualmente major, Francisco Carlos Laroca Júnior, foi condenado a 22 anos de reclusão, em regime fechado, por homicídio qualificado, além de 11 meses de detenção por fraude processual. Já o cabo Fabiano Rizzo recebeu pena de 17 anos, 1 mês e 18 dias de reclusão pelo homicídio e seis meses de detenção por fraude processual. As penas por fraude processual serão cumpridas em regime inicial aberto.

Durante a sessão, foi lida a biografia do policial, que dedicou 17 anos à carreira e atuou em Ribeirão Corrente. Antes de ingressar na corporação, trabalhou com a venda de picolés, costura de sapatos, na indústria calçadista e nas Lojas Xavier.

“Nada vai trazer ele de volta, mas é uma forma de mostrar o tanto que ele foi uma pessoa boa, um profissional competente e deixar o nome dele marcado de uma forma positiva aqui na nossa cidade também”, afirmou Walker.

Mãe de Heitor considera homenagem um presente

A Rua 01 do Residencial Domingos Jardini receberá o nome de Heitor Alexandre Silva Pinto. O Projeto de Lei Ordinária nº 135/2026, de autoria do vereador Kaká (Republicanos), foi aprovado por unanimidade.

Heitor morreu aos 19 anos, em um acidente de motocicleta. Durante a homenagem, foi recordada a relação com familiares e amigos, a dedicação ao trabalho e sua participação na vida religiosa, com Primeira Comunhão, Crisma e atuação como acólito.

A mãe do jovem, Graziela Cristina da Silva Pinto, de 45 anos, acompanhou a votação e afirmou que a homenagem representa uma forma de manter viva a memória do filho.

“Para mim, é um grande presente. Como mãe, não quero que o Heitor seja esquecido nunca. Saber que hoje uma rua vai ter o nome dele é um grande presente na dor que a gente está passando”, afirmou.

Graziela descreveu Heitor como um jovem que aproveitava intensamente a vida e procurava fazer as pessoas ao redor felizes. Segundo ela, o filho tinha um coração generoso e costumava ajudar os outros, mesmo quando precisava abrir mão de algo.

“Ele vivia intensamente. Tinha um coração muito grande, tirava dele para dar às pessoas. A missão dele foi fazer as pessoas felizes. Hoje fico muito feliz de saber que ele vai ser eternizado”, disse.

A mãe também falou sobre a dificuldade de lidar com a perda e a ausência do filho. “A gente, como mãe, sente que falta um pedaço da gente, e sempre vai faltar. O tempo vai passando e acredito que vai ficando pior, porque vamos tendo certeza realmente de que ele não vai voltar”, relatou.

Antônia Maria será homenageada no Domingos Jardini

A terceira homenagem aprovada denomina a Rua A do Residencial Domingos Jardini como Antônia Maria Garcia Dias. O Projeto de Lei Ordinária nº 137/2026, também de autoria de Kaká, recebeu 13 votos favoráveis.

Nascida em Ibiraci (MG), em 18 de dezembro de 1959, Antônia mudou-se para Franca em 1971. Estudou na Etec “Dr. Júlio Cardoso” e trabalhou no Supermercado Granero e na Empresa São José, onde permaneceu por aproximadamente dez anos.

Casada com Eurípedes Alberto Pinto Dias, teve três filhas e ficou viúva em 1992. Posteriormente, tornou-se proprietária do salão Pimenta Verde Lima Festas e de uma loja no Centro. Morreu em 26 de março de 2016, aos 56 anos.

A filha Juliana Cristina Dias, de 48 anos, acompanhou a votação e contou que a família recebeu a notícia da homenagem na semana passada.

“Para a gente foi uma surpresa. Ficamos com o coração cheio de alegria e gratidão por ter conseguido eternizar o nome dela em uma rua. Isso não tem explicação em palavras. É muita emoção, uma mistura de sentimentos”, afirmou.

Juliana destacou a trajetória da mãe e disse que a homenagem representa o reconhecimento de uma mulher que merece ter sua história preservada.

“Ela foi guerreira, batalhadora. A todo momento eu sentia vontade de aplaudir. Como não ficar feliz de ver essa homenagem? Para mim, é uma honra ter sido filha dela”, relatou.

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