O transporte por aplicativo já faz parte da rotina da maioria dos moradores da Região Administrativa de Franca. Levantamento da Fundação Seade mostra que 78% da população costuma utilizar o serviço, seja com frequência (28%) ou ocasionalmente (50%). O percentual coloca a região entre as que mais recorrem à modalidade em São Paulo. Apenas 21% afirmam não utilizar aplicativos, a menor proporção entre as regiões pesquisadas.
Os dados fazem parte do boletim Seade SP Social nº 26, divulgado em setembro. A pesquisa ouviu 8.189 pessoas com 18 anos ou mais, entre maio e junho de 2026. Os números representam toda a Região Administrativa de Franca, e não apenas o município.
Franca está entre as regiões com maior adesão
O índice coloca Franca ao lado de regiões como Santos, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e a Região Metropolitana de São Paulo, que também apresentam utilização igual ou superior à média estadual.
Quando considerado apenas o uso frequente, Franca registra 28%, mesmo percentual de Santos, Campinas e Ribeirão Preto. O resultado supera a média paulista, de 26%.
Nas regiões de Registro, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília e Itapeva, a utilização é menor. Ainda assim, mesmo em Itapeva, onde foi registrado o índice mais baixo, seis em cada dez moradores afirmam utilizar aplicativos de transporte.
A Seade aponta que a adesão pode estar relacionada a diferentes fatores, como o tamanho dos municípios, os deslocamentos para trabalho e estudo, a oferta de transporte público e a disponibilidade dos serviços. O levantamento também mostra que os aplicativos já ultrapassaram os limites dos grandes centros: nas cidades com até 20 mil habitantes, 66% dos moradores relatam utilizar a modalidade.
Mulheres e jovens lideram utilização
O levantamento também revela diferenças no perfil dos usuários. No Estado, as mulheres aparecem entre as que mais utilizam aplicativos, com índice de 80%. A proporção é de 79% entre jovens de até 29 anos, 80% entre pessoas com ensino superior e chega a 82% nas famílias com renda superior a dez salários mínimos.
Entre os que não utilizam o serviço, a resistência é maior entre pessoas com até o ensino fundamental e famílias com renda de até um salário mínimo, ambos com 31%. Homens (30%) e pessoas com 60 anos ou mais (28%) também apresentam percentuais mais elevados de não utilização.
Aplicativos não substituem outros transportes
Embora tenham conquistado espaço na rotina dos paulistas, os aplicativos não eliminaram a utilização de outros meios de transporte. Pelo contrário, os dados mostram que a população combina diferentes alternativas de deslocamento.
No Estado, 76% dos entrevistados costumam utilizar aplicativos, enquanto 67% recorrem ao carro próprio. O transporte público aparece com 57%, seguido pelo táxi (33%) e pela motocicleta (30%).
A frequência de utilização também ajuda a dimensionar esse cenário. O transporte público é utilizado frequentemente por 37% da população, índice próximo ao do carro próprio (38%). Já o uso frequente de aplicativos de táxi é de 8%.
As escolhas também variam conforme a idade. O táxi tem maior presença entre pessoas com 60 anos ou mais (37%) do que entre jovens de até 29 anos (28%). Com as motocicletas, a relação se inverte: a utilização chega a 35% entre os mais jovens e cai para 20% entre os idosos.
Corridas curtas concentram maior parte dos gastos
O perfil dos deslocamentos ajuda a explicar como os aplicativos são incorporados à rotina. Para 47% dos usuários, o serviço é utilizado em viagens para lugares próximos. Outros 19% recorrem à modalidade para destinos distantes, enquanto 34% alternam entre os dois tipos de percurso.
O levantamento também mostra que a maior parte das corridas está concentrada nas faixas de menor valor. Viagens de até R$ 15 representam 33% do total, enquanto aquelas entre R$ 16 e R$ 30 correspondem a 45%. Somadas, chegam a 78% das corridas.
Entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o comportamento é diferente. Nesse grupo, as viagens de até R$ 15 representam 17%, enquanto as corridas entre R$ 31 e R$ 50 alcançam 25%.
A Fundação Seade ressalta que o preço não está condicionado apenas à distância percorrida, já que também sofre influência da relação entre oferta e demanda.
Quatro em cada dez usuários aumentaram a frequência
O transporte por aplicativo também ganhou espaço nos últimos 12 meses. Entre os entrevistados que utilizam o serviço, 40% afirmaram que passaram a recorrer à modalidade com maior frequência. Outros 13% disseram que começaram a utilizar nesse período.
Enquanto 27% mantiveram o mesmo ritmo de utilização, 20% reduziram a frequência.
O aumento foi mais expressivo entre pessoas de até 29 anos (48%), na faixa dos 30 aos 44 anos (46%) e entre aqueles com ensino superior (45%). Já a redução aparece principalmente entre pessoas com até o ensino fundamental (27%) e famílias com renda de até um salário mínimo (23%).
Para a Seade, os números indicam que o custo ainda representa uma barreira para parte da população, especialmente quando se considera a possibilidade de ampliar a frequência de utilização.
Segurança e transporte público entram na avaliação
Além da praticidade, a percepção de segurança também aparece entre os fatores associados ao uso dos aplicativos. Para 58% dos paulistas, a modalidade ajuda a evitar situações de risco. A avaliação é semelhante entre mulheres (59%) e homens (57%).
A percepção positiva é ainda maior entre quem utiliza o serviço frequentemente (69%) e entre pessoas com 60 anos ou mais (66%). Entre os jovens de até 29 anos, o percentual cai para 42%. Segundo a Seade, esse público tende a recorrer aos aplicativos principalmente pela praticidade, inclusive em eventos sociais e deslocamentos noturnos.
Outro aspecto destacado é a relação com o transporte coletivo. Para 77% dos entrevistados, os aplicativos ajudam quando o transporte público demora ou é difícil de utilizar. A concordância chega a 83% entre usuários frequentes dos serviços e a 80% entre quem utiliza transporte público no dia a dia.
A pesquisa também mostra que 67% dos paulistas consideram que os aplicativos reduziram a necessidade de utilizar carro próprio. Entre os usuários frequentes, o índice sobe para 80%.
Falta de necessidade ainda afasta usuários
Entre os 24% dos paulistas que não utilizam aplicativos, o principal motivo apontado é a falta de necessidade, mencionada por 51% desse grupo. Nas famílias com renda superior a dez salários mínimos, a proporção chega a 67%.
O preço aparece como segunda justificativa, citado por 17% dos não usuários. Entre as famílias com renda de até um salário mínimo, entretanto, o percentual sobe para 30%.
A indisponibilidade do serviço na região onde moram é mencionada por 9%, mesmo índice registrado para a insegurança. Neste último caso, a preocupação é mais presente entre as mulheres, com 15%.
Na avaliação da Fundação Seade, os resultados mostram que o transporte por aplicativo já integra a dinâmica de deslocamento dos paulistas. A adesão, porém, não ocorre da mesma maneira em todos os grupos e continua relacionada às condições econômicas, sociais e territoriais da população.
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