DE FRANCA A YALE

Entre bets e livros, jovem de 17 anos ganha destaque nos EUA

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Sampi/Franca
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Jovem Astrid Ferrante Gomes, 17 anos
Jovem Astrid Ferrante Gomes, 17 anos

Uma inquietação durante as férias em Franca levou Astrid Ferrante Gomes, de 17 anos, a investigar o universo das apostas esportivas e escrever um artigo que ficou entre os 25 melhores de uma competição promovida pelo jornal da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Estudante da Swiss International Scientific School Dubai, onde cursa a High School, equivalente ao 2º ano do ensino médio no Brasil, ela também criou o Beyond Books, projeto que já levou livros a comunidades vulneráveis em diferentes países e mantém uma minibiblioteca em parceria com a ProReAVI, em Franca.

A competição era exclusiva para estudantes de High School, ou seja, alunos do ensino médio. O artigo de Astrid foi selecionado entre mais de mil trabalhos inscritos e chegou à semifinal, ficando entre os 25 melhores.

A pesquisa começou durante as férias de julho, quando Astrid acompanhava os jogos da Copa e se incomodou com o volume de estímulos para que torcedores realizassem apostas. A curiosidade fez com que ela investigasse como as bets funcionavam e, a partir daí, decidisse transformar o tema em artigo para a competição, cujo prazo terminava em agosto.

Pesquisa feita em Franca

Para desenvolver o trabalho, Astrid entrevistou profissionais de diferentes áreas. Entre eles, estão o psiquiatra Ricardo Cassis, a psicóloga Maira Touso, a professora da rede pública Daniela Braga, que atua há 20 anos na educação, e Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação de Bets do Brasil.

As entrevistas permitiram que a estudante abordasse o tema por diferentes perspectivas. Cassis falou sobre os mecanismos relacionados à dependência sob o ponto de vista psiquiátrico e neurológico, enquanto Maira Touso contribuiu com a perspectiva psicológica.

Daniela Braga apresentou a visão de quem acompanha adolescentes diariamente dentro da escola. Já Plínio Lemos Jorge trouxe a perspectiva relacionada ao setor de apostas.

Segundo a família, a apuração começou de forma espontânea. Astrid chegou a abrir uma conta para entender como funcionava uma bet e, a partir daí, ampliou a investigação sobre o assunto.

O artigo foi submetido no início de agosto e, portanto, não contempla acontecimentos relacionados às apostas ocorridos posteriormente.

Uma ligação que vai além das férias

Astrid nasceu em Madri e vive em Dubai, mas mantém uma relação próxima com Franca. A família materna é toda da cidade, e a jovem costuma passar as férias com os avós quando está no Brasil.

O vínculo também aparece na própria pesquisa. Profissionais de Franca participaram da apuração e ajudaram Astrid a compreender o tema sob diferentes perspectivas.

A professora Daniela Braga, por exemplo, é amiga da família. O presidente da Associação de Bets do Brasil, Plínio Lemos Jorge, também mantém ligação familiar com Franca.

Da atividade escolar a um projeto internacional

A pesquisa sobre bets é apenas uma das iniciativas desenvolvidas pela estudante. Na Swiss International Scientific School Dubai, Astrid participa de uma disciplina obrigatória na qual os alunos precisam desenvolver uma ação ou projeto social.

A proposta permite que cada estudante escolha uma causa com a qual tenha afinidade. Há alunos que promovem ações de conscientização ambiental, como recolhimento de lixo em praias, enquanto outros desenvolvem iniciativas voltadas à proteção de animais abandonados.

Astrid escolheu a leitura.

A partir da percepção de que o acesso aos livros ainda é limitado para muitas crianças, criou o Beyond Books. O projeto recebe doações exclusivamente de livros, e não de dinheiro, e direciona os exemplares para comunidades que precisam de acesso à leitura.

A estudante parte da ideia de que o hábito de ler depende também da possibilidade de ter contato com livros. Bibliotecas podem estar distantes, enquanto determinados títulos nem sempre dialogam com a realidade dos jovens e acabam não despertando interesse.

Para Astrid, quando os livros não estão presentes no cotidiano das crianças, o desenvolvimento do gosto e do hábito de leitura também se torna mais difícil.

Livros já chegaram a Filipinas e Quênia

Em menos de um ano, segundo Astrid, o Beyond Books já levou mais de 1,3 mil livros para comunidades vulneráveis.

Uma das iniciativas foi o envio de livros para uma escola localizada na zona rural de uma ilha nas Filipinas. Outra levou exemplares para uma escola primária na periferia de Nairóbi, no Quênia.

Em Franca, o projeto avançou além da simples distribuição de livros.

Astrid estabeleceu uma parceria com a ProReAVI e ajudou a criar uma mini biblioteca dentro do espaço da instituição, no Aeroporto 3.

Agora, o desafio é fazer a biblioteca funcionar

A ProReAVI atende atualmente cerca de 50 crianças, divididas entre os períodos da manhã e da tarde. A instituição oferece atividades como música, dança, jiu-jitsu e inglês.

Com o espaço criado e os livros disponíveis, o próximo passo é colocar a biblioteca em movimento.

O Beyond Books busca patrocinadores ou padrinhos para viabilizar rodas de leitura com as crianças. A proposta é contar com uma pessoa que possa acompanhar as atividades e estimular o contato dos alunos com os livros nos dois períodos.

A iniciativa também precisa de apoio para a estrutura necessária às atividades, como lanches.

Helinho participa da inauguração

Durante a inauguração da biblioteca, o ex-jogador de basquete Helinho Garcia esteve na ProReAVI e conversou com as crianças sobre educação, leitura e possibilidades de futuro.

Em vídeo sobre a iniciativa, Helinho destacou a importância de ajudar as crianças a desenvolver o gosto e o hábito da leitura e afirmou que a instituição precisa de padrinhos e voluntários para que as rodas de leitura possam acontecer.

“Precisamos ajudar essas crianças a tomar o gosto e o hábito da leitura”, afirmou.

Helinho também parabenizou a ProReAVI, o Beyond Books e Astrid pela iniciativa.

Para a estudante, a proposta nunca foi apenas distribuir livros. A intenção é criar espaços que permitam às crianças estabelecer uma relação permanente com a leitura e, a partir dela, ampliar possibilidades.

Em Franca, esse espaço já existe. Os livros também chegaram. Agora, o desafio é conseguir apoio para transformar a biblioteca em uma atividade permanente para as 50 crianças atendidas pela instituição.

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