PECUARISTA FORAGIDO

'Só quero que a justiça seja feita', diz namorado de Priscila

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Reprodução
Vítima Priscila Lacerda Custódio, e o atual namorado, Samuel Ramos
Vítima Priscila Lacerda Custódio, e o atual namorado, Samuel Ramos

O atual namorado de Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, afirmou que a jovem sofria ameaças do ex-companheiro, o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, suspeito de matá-la com um tiro na noite de terça-feira, 27, em Rifaina. Em depoimento, o desenvolvedor de sistemas Samuel Ramos relatou que Priscila tentava romper o vínculo com o homem e pediu que ele seja encontrado e responsabilizado pelo crime.

“Esse cara não aceitava o fim do relacionamento dela com ele. Fazia diversas ameaças, tanto contra ela quanto contra a família dela”, afirmou Samuel.

Segundo o namorado, a devolução da caminhonete pertencente ao pecuarista fazia parte da tentativa de Priscila de encerrar definitivamente o vínculo com ele. A jovem foi até a propriedade rural de Bolelli, às margens da rodovia Cândido Portinari (SP-334), acompanhada do irmão e de uma amiga, quando ocorreu o crime.

Planos interrompidos

Samuel contou que o relacionamento com Priscila estava prestes a completar cinco meses, embora os dois morassem juntos havia cerca de um mês. O casal planejava organizar a casa onde vivia.

“O dia 3 (de novembro) ia fazer um mês exatamente que a gente estava morando junto. E aí aconteceu essa fatalidade”, relatou.

Ao falar sobre a companheira, Samuel a descreveu como uma pessoa especial e disse que ainda enfrenta dificuldades para assimilar a morte.

“A Priscila era uma pessoa incrível, ímpar. Tudo isso ainda está sendo muito difícil, muito complicado de processar. Não tenho palavras para descrever corretamente”, afirmou.

Namorado pede fim de ataques nas redes sociais

Além de cobrar justiça, Samuel fez um apelo contra comentários que responsabilizam Priscila pela própria morte ou divulgam informações que ele considera falsas. “Vários estão colocando ela, inclusive, como se fosse a culpada, como se ela tivesse culpa. Sendo que ela foi a vítima”, declarou.

O namorado também pediu que as pessoas evitem disseminar informações sem confirmação. “Eu só quero que a justiça seja feita, que ele seja encontrado”, disse Samuel.

Suspeito tem condenação por descumprir medidas protetivas

Bolelli é procurado pela Polícia Civil desde a morte de Priscila. Segundo o boletim de ocorrência, o crime aconteceu após uma discussão na entrada da propriedade rural do pecuarista, em Rifaina.

Conforme os relatos registrados pela polícia, o suspeito teria exigido o celular da jovem e, durante o desentendimento, sacado uma arma e atirado contra a cabeça dela. Priscila foi socorrida e levada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu ao ferimento.

O caso foi registrado como feminicídio. Após o disparo, o suspeito teria fugido na caminhonete que Priscila havia levado para devolver.

Bolelli também tem uma condenação anterior por descumprimento de medidas protetivas concedidas a outra ex-companheira. Em dezembro de 2021, ele foi condenado a três meses e 15 dias de prisão, em regime aberto. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em abril de 2022.

Naquele processo, a investigação apontou episódios de perseguição, ligações insistentes e ameaças contra a ex-companheira. A mulher relatou ter mudado de endereço e de cidade para tentar se afastar dele.

No caso de Priscila, uma amiga também relatou à Polícia Civil que a jovem apresentava lesões que teriam sido provocadas por Bolelli dias antes do crime. Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito teria ameaçado atirar na cabeça da vítima.

Até o fechamento deste texto, Bolelli permanecia foragido.

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