O pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, procurado pela Polícia Civil suspeito de matar Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, em Rifaina, foi processado e condenado por descumprir medidas protetivas concedidas a uma outra ex-companheira.
O processo criminal tramitou na 3ª Vara Criminal de Franca e apurou episódios registrados nas noites de 23 e 26 de setembro de 2018, em Franca e Rifaina.
De acordo com os documentos do processo, Bolelli descumpriu determinações judiciais impostas para proteger a ex-mulher, expedidas pela 1ª Vara Criminal de Franca através da Lei Maria da Penha. O Ministério Público denunciou o pecuarista pelo descumprimento de medidas protetivas de urgência.
As investigações conduzidas pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca apontaram que o acusado perseguia a ex-companheira com uma caminhonete pelas ruas da cidade e em deslocamentos pela rodovia em direção a Rifaina. Segundo os relatos reunidos nos autos, ele também fazia ligações telefônicas repetidas, algumas sem dizer nada, e outras com ameaças.
Perseguição, monitoramento e ameaças
Os documentos apontam que Bolelli teria recorrido a outras pessoas para monitorar a ex. Em um dos episódios, ocorrido em setembro de 2018, a vítima relatou que uma pessoa foi posicionada para vigiar a casa de uma amiga onde ela estava escondida. Em seguida, o próprio pecuarista teria ido até o imóvel e batido à porta, levando a mulher a se esconder e acionar a polícia.
Testemunhas ouvidas durante a investigação confirmaram que ela relatava estar sendo seguida e recebendo ligações frequentes, situação que lhe provocava medo constante. Conforme os autos, a vítima também relatou perseguições anteriores, que teriam levado à prisão em flagrante de Bolelli em junho de 2018, além de ameaças explícitas de morte.
Em um dos relatos registrados no processo, a vítima afirmou que o acusado dizia que teria paciência para esperar o momento em que ela estivesse tranquila para matá-la.
Segundo a documentação, as perseguições teriam se intensificado depois que ela iniciou um novo relacionamento amoroso com um policial militar. O casal teria sido seguido, inclusive, em viagens para Rifaina.
Diante da situação, a mulher relatou ter mudado de endereço e de cidade diversas vezes na tentativa de se afastar do ex-companheiro.
Durante o interrogatório, Bolelli negou as acusações. Ele alegou que apenas retornava ligações a pedido dela e que foi à casa da amiga dela para tentar reatar o relacionamento, sem saber que a ex-companheira estava no local.
O Ministério Público ofereceu denúncia em março de 2020, recebida pela Justiça no mês seguinte. Em julho de 2021, o juiz Orlando Brossi Júnior deu andamento à ação penal, com realização de audiência de instrução e julgamento por videoconferência em outubro daquele ano.
Diante disso, ele foi condenado, em dezembro de 2021, a três meses e 15 dias de prisão, em regime aberto. A condenação foi mantida pelo TJ-SP em abril de 2022.
Suspeito de feminicídio em Rifaina
Bolelli é procurado pela Polícia Civil suspeito de matar Priscila Lacerda Custódio na noite dessa terça-feira, 27, nas proximidades da entrada de uma propriedade rural às margens do km 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina.
Segundo o boletim de ocorrência, Priscila mantinha um relacionamento amoroso com o pecuarista e queria encerrá-lo. Na noite do crime, ela foi até a propriedade para devolver uma caminhonete, acompanhada do irmão e de uma amiga, pois temia pela própria segurança.
Conforme os relatos registrados pela polícia, houve uma discussão e Bolelli teria sacado uma arma e atirado contra a jovem. Ela foi socorrida e levada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu aos ferimentos. Após o disparo, o suspeito teria fugido em uma caminhonete.
O caso foi registrado como feminicídio e é investigado pela Polícia Civil. Até o momento, Bolelli permanece foragido.
Perseguição e ameaças marcaram os dois relacionamentos
Os dois casos apresentam relatos de comportamentos de controle, perseguição e intimidação por parte de Bolelli. No processo envolvendo a primeira mulher do fazendeiro, há relatos de ligações insistentes, perseguições de caminhonete, monitoramento por terceiros e ameaças de morte, que levaram a vítima a mudar de endereço e de cidade para tentar se afastar do ex-companheiro.
No caso de Priscila Lacerda Custódio, depoimentos registrados no boletim de ocorrência também apontam um histórico recente de ciúmes, controle e ameaças. Uma amiga da jovem relatou ter visto lesões que teriam sido causadas por Bolelli dias antes do crime. Segundo o registro policial, ele também teria contratado pessoas para monitorar os passos de Priscila e, em uma ocasião, ameaçado dar um tiro na cabeça dela.
Ainda conforme o boletim de ocorrência, Priscila temia pela própria segurança e pediu que o irmão e uma amiga a acompanhassem até a propriedade rural em Rifaina para devolver a caminhonete. Durante o encontro, houve uma discussão e a jovem foi morta com um disparo.
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