FEMINICÍDIO

Fazendeiro mata jovem a tiros na rodovia Cândido Portinari

Por Ariane Jud | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
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Priscila Lacerda foi morta pelo companheiro
Priscila Lacerda foi morta pelo companheiro

Um crime brutal chocou a região na noite da última terça-feira, 27. Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, foi morta com um tiro na cabeça em frente à entrada da fazenda do empresário rural João Roberto Bolelli, de 62 anos, às margens do km 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina. O suspeito efetuou o disparo após uma discussão provocada por ciúmes e fugiu do local a bordo da própria caminhonete Toyota Hilux que acabara de ser devolvida pela vítima.

De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado na CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Franca, a vítima mantinha um relacionamento amoroso esporádico com o fazendeiro desde julho de 2026. Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, João Roberto atraía Priscila com promessas financeiras e de bens, inclusive garantindo que registraria em nome dela um veículo Toyota Corolla.

Agressões, monitoramento e ameaças de morte

O histórico recente do relacionamento já apontava para um cenário de extrema violência e controle. Em depoimento à polícia, uma amiga de Priscila há cinco anos, relatou que na última sexta-feira, 23, presenciou lesões corporais na jovem que teriam sido causadas por João Roberto.

Conforme o relato da amiga, o suspeito exercia ciúme obsessivo, acusando Priscila de se relacionar com outro homem. Segundo o BO, a jovem também mantinha um relacionamento há cerca de quatro meses com outro homem, fato que seria de conhecimento do fazendeiro.

Para controlar os passos da vítima, ele teria contratado pessoas para monitorá-la, tirando fotos de Priscila até mesmo ao entrar em táxis. De acordo com o registro policial, durante a agressão ocorrida dias antes do crime, João prometeu não permitir seu retorno para a cidade de Perdizes (MG) e afirmou expressamente que "daria um tiro em sua cabeça".

A emboscada na rodovia

O Boletim de Ocorrência registra que, para forçar o reencontro, o fazendeiro exigiu que Priscila devolvesse uma caminhonete Toyota Hilux pertencente a ele, orientando-a a ir até Rifaina.

Segundo a amiga, apreensiva e temendo por sua segurança, a vítima pediu ajuda ao seu irmão e à própria amiga para acompanhá-la. O irmão dirigiu a Hilux a partir de Perdizes, enquanto Priscila e a amiga seguiram logo atrás em outro veículo.

De acordo com a polícia, ao chegarem à entrada da propriedade rural, por volta das 21h, os três foram surpreendidos por João Roberto Bolelli, que desembarcou de um Toyota Corolla branco acompanhado de cerca de seis a sete homens que chegaram em veículos distintos, incluindo uma caminhonete Saveiro.

Segundo o BO, uma discussão severa se iniciou no local. João teria passado a acusar Priscila de se apropriar de seu dinheiro e exigiu a devolução imediata do aparelho celular da vítima. Ele também teria questionado uma recente viagem da jovem à cidade de Sacramento (MG), insinuando que ela teria ido ao encontro de outro homem, ao passo que Priscila explicou que estava acompanhando sua mãe.

Em determinado momento da discussão, Priscila afirmou que iria embora, dizendo: "Eu vou embora, deixa eu ir embora, não quero mais nada com você". Diante da recusa da vítima em entregar seu telefone celular - um iPhone branco, posteriormente apreendido pela polícia -, João Roberto teria sacado uma arma de fogo e efetuado um disparo contra a cabeça de Priscila.

Fuga e socorro à vítima

Após o disparo, o irmão da vítima correu para se proteger temendo também ser atingido, pois o autor apontou a arma em sua direção. Em seguida, o agressor entrou na caminhonete Hilux recém-devolvida e fugiu do local.

O irmão socorreu a vítima nos braços, colocando-a em um veículo VW Gol branco pertencente a um terceiro, e a levou ao hospital de Rifaina. Contudo, a jovem não resistiu à gravidade do ferimento e morreu.

Policiais militares foram acionados enquanto atendiam a outra ocorrência no plantão e se deslocaram até o hospital e, em seguida, à fazenda do suspeito. Na propriedade, os policiais encontraram apenas o neto do agressor. Bastante abalado, o jovem afirmou aos policiais que seu avô costumava evitar falar de seus problemas pessoais com os familiares e desabafou: "O que meu avô foi aprontar".

Uma poça de sangue foi localizada e preservada pela polícia às margens da rodovia para a realização de perícia técnica.

Investigação

A ocorrência foi registrada pela equipe do delegado Telismar Aparecido S. Junior no Plantão de Franca como feminicídio, com a qualificadora de pena aumentada de 1/3 até a metade por razões da condição de sexo feminino e contexto de violência doméstica e familiar. As testemunhas presenciais prestaram depoimento e o telefone celular da vítima foi recolhido para análise.

João Roberto Bolelli permanece foragido e as forças policiais realizam buscas em toda a região para localizá-lo e prendê-lo.

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Comentários

1 Comentários

  • Pedro Antônio 42 min atrás
    Não é preconceito, antes uma constatação. 1- Adivinha em quem esse fazendeiro votou. 2- Adivinha se ele era CAC 3- Adivinha quais são os gostos musicais dos envolvidos, vítima e matador. 4- Adivinha se o advogado que ele vai contratar não é aquele um famoso que vai alegar legítima defesa e pedir a prisão da moça. 5- Adivinha se a família da moça não estava satisfeita com o relacionamento dela com o fazendeiro rico?. Dei no que deu e não poderia dar outra com as qualidades de todos os envolvidos no caso.