A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), ex-candidato à Presidência da República, para os Estados Unidos provocou uma “guerra de cartazes” entre os vereadores Marília Martins (PSOL) e Leandro Patriota (PL) durante a sessão ordinária desta terça-feira, 27, na Câmara Municipal de Franca. A discussão levou o presidente do Legislativo, Fransérgio Garcia (PL), a consultar o regimento interno da Casa sobre a possibilidade de manter manifestações nas mesas.
No período da tarde, Marília colocou em frente sua mesa um cartaz com os dizeres: “Procura-se: Flávio Bolsonaro. Qualquer informação, avise a Polícia Federal”.
Patriota questiona exposição de cartaz
Durante a sessão, Leandro Patriota questionou se o regimento permitia a exposição de manifestações nas mesas e afirmou que também colocaria um cartaz caso a prática fosse autorizada.
“Gostaria de saber se no regimento a gente pode colocar alguma manifestação aqui, porque, se puder, eu vou colocar um cartaz aqui porque o Lulinha também está foragido”, disse, apontando para a própria mesa. Empresário, Lulinha é o filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em resposta, Marília mencionou ocasiões em que, segundo a vereadora, Patriota colocou bandeiras de Israel e dos Estados Unidos no espaço interno.
“Eu imagino que o vereador esteja falando do cartaz onde ‘Procura-se o Flávio Bolsonaro’, que fugiu para a Argentina, e se era regular ou não. Porque quando era para colocar bandeira de Israel ou bandeira dos Estados Unidos, quando era para colocar os símbolos do lado de dentro, ele colocou. E aí, como eu imaginei que a regra vale para todos e não tendo problemas, eu vou manter”, afirmou. Naquele momento, ainda não estava confirmado o destino de Flávio.
Presidente cita regimento interno
Diante do impasse, Fransérgio Garcia afirmou que a interpretação da regra caberia à avaliação dos envolvidos e leu o artigo 105 do regimento interno da Câmara.
“É interpretativo. Então vou ler o artigo e aí cabe à vereadora se entende que deve ou não retirar. Se ela não retirar, cabe ao vereador se ele quer ou não representar algo no Conselho”, declarou.
O artigo 105 estabelece que, no recinto de reuniões do plenário, não podem ser afixados símbolos, quadros, faixas, cartazes ou fotografias que impliquem propaganda política, partidária, ideológica, religiosa, ofensiva ou promocional de pessoas vivas ou entidades de qualquer natureza.
Após a leitura, o presidente avaliou que a aplicação da regra era subjetiva. “É muito subjetivo”, afirmou Fransérgio.
Marília diz que manterá cartaz
Na sequência, Marília justificou a exposição do cartaz sobre Flávio Bolsonaro e voltou a questionar Patriota sobre a localização de Lulinha.
“Eu coloquei esse cartaz aqui, porque a gente não sabe onde esse senhor está. Aí eu vi que o vereador que reclamou de mim foi e imprimiu ‘onde está o Lulinha?’. O Lulinha está lá na Espanha. Viu, vereador, eu sei onde ele está. Agora que o senhor falou que sabe, fala onde está. Porque esse daqui está sendo procurado pela Polícia Federal, e eu vou manter”, disse.

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