O assessor parlamentar Marcelo Ramalho será exonerado do cargo após defender, nas redes sociais, que empresários demitam funcionários que apoiam o PT, a quem chamou de “bandidos” e acusou de não gostarem de trabalhar. A declaração foi publicada nesta segunda-feira, 26, no Facebook. O presidente da Câmara Municipal de Franca, Fransérgio Garcia (PL), a quem Ramalho assessora, repudiou as manifestações e anunciou a decisão de exonerá-lo nesta terça-feira, 27.
Em seu perfil, Ramalho escreveu que empresários honestos teriam a obrigação de demitir funcionários petistas. A publicação provocou uma série de reações e comentários, com manifestações favoráveis e contrárias à ideia de punir trabalhadores por seu posicionamento político.
Até as 13h30 desta terça-feira, a postagem havia recebido 42 reações e 81 comentários.
Entre as críticas, Alessandra Morais afirmou que a defesa de demissões por motivação política seria ilegal e antiética. “Muito estranho você como assessor parlamentar incentivar empresários a demitirem petistas, pois isso é ilegal, antiético e configura como discriminação podendo levar isso ao Ministério Público (...)”, escreveu.
Naiara Miguel também criticou a manifestação: “Só pode estar bebendo detergente”.
Assessor também publicou mensagem sobre mortes
O pedido para que empresários demitam funcionários petistas não foi a única manifestação de Ramalho nas redes sociais. Também na segunda-feira, ele publicou uma mensagem em que afirmou que, com mais quatro anos de governo, pessoas consideradas por ele “de bem” seriam perseguidas, presas e mortas pelo PT e pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
“Agora mais 4 anos de corrupção, narcotraficantes dominando o Brasil, a criminalidade protegida por STF PT, as pessoas de bem honesta serão perseguida, presas muitas serão mortas por PT STF, essas Máfias, não tem nada de matar PT, mata mesmo (sic)”, escreveu.
Fransérgio diz que assessor já havia se envolvido em polêmicas
Em entrevista ao Portal GCN/Sampi, Fransérgio Garcia afirmou que não é a primeira vez que Marcelo Ramalho se envolve em discussões políticas. Segundo o presidente da Câmara, o assessor já havia assinado um termo se comprometendo a não participar de debates políticos nas redes sociais, sob pena de exoneração.
“É até ridículo chegar ao ponto de fazer um papel escrevendo: ‘Eu, Marcelo Ramalho, me comprometo a não entrar em discussões políticas nas redes sociais mais, sujeito à pena de inclusive ser exonerado do cargo’”, declarou.
Contrário à manifestação
Fransérgio se definiu como uma pessoa de “direita moderada” e defendeu o respeito ao resultado das eleições. “Eu entendo que nós precisamos respeitar o processo democrático. Precisamos aceitar ganhar e precisamos aprender a perder também”, afirmou.
O vereador também criticou a polarização política, que, segundo ele, tem se transformado em uma rivalidade semelhante à de torcedores fanáticos. Para Fransérgio, o ódio entre pessoas é inadmissível.
“Sou totalmente contra esse posicionamento do Marcelo Ramalho. Vou tomar providências”, disse o presidente da Câmara às 12h30 desta terça-feira.
Às 14h22, Fransérgio informou ao Portal GCN/Sampi que Ramalho será exonerado. O vereador afirmou que, apesar de considerar o assessor uma "boa pessoa", os episódios envolvendo manifestações políticas já se repetiram outras vezes.
“Ele é meu assessor, é uma boa pessoa. Não é a primeira vez que ele me causa esse tipo de problemas, aliás é a terceira vez”, declarou.
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