RIBEIRÃO CORRENTE

Motorista que atropelou e matou idoso estava com CNH cassada

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Câmera de Segurança
Atropelamento aconteceu em Ribeirão Corrente na última segunda-feira, 19
Atropelamento aconteceu em Ribeirão Corrente na última segunda-feira, 19

O motorista do ônibus que atropelou e matou Valter Soares da Silva, de 69 anos, em Ribeirão Corrente, estava com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) cassada, segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil. João Antonio de Sousa, de 47 anos, afirma que não sabia da situação e atribui o problema a um suposto erro no sistema do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo).

O acidente aconteceu na manhã da última segunda-feira, 19, na rua Farid Salomão, no bairro Monte Alegre. Segundo o registro policial, Valter caminhava pela via quando foi atingido pelo ônibus conduzido por João, que trafegava pela rua Joaquim Policarpo da Silva.

A vítima foi socorrida por uma ambulância do município e levada à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Anita, em Franca, mas não resistiu aos ferimentos. A perícia técnica esteve no local.

Motorista alega erro do Detran

Em entrevista ao Portal GCN/Sampi, João afirmou que a situação da habilitação estaria relacionada a pontuações de multas registradas entre 2020 e 2023. Segundo ele, a CNH foi renovada em 2024, após a realização de um curso de reciclagem, mas o sistema do Detran não teria retirado os pontos de multas anteriores.

“Eu tenho 14 pontos na minha habilitação de multas geradas entre 2020 e 2023 que deveriam ter saído quando eu renovei e fiz reciclagem em 2024. O Detran errou comigo. (…) Eu passei pela reciclagem, renovei a minha habilitação e o sistema do Detran não tirou as pontuações, não tirou do sistema”, explicou.

O motorista disse que, após a renovação da CNH, acreditava que a situação estava regularizada. Ele também afirmou que não foi alertado sobre a cassação durante abordagens policiais anteriores.

“Eu não sabia disso, porque eu venho dirigindo, já parei várias vezes policiais e já me abordaram. Dois dias antes de ter acontecido o atropelamento do seu Valter, eu fui parado pela polícia, eles puxaram o meu documento e, para mim, estava tudo certo”, declarou.

No entanto, o boletim de ocorrência registra que uma consulta ao sistema policial apontou a CNH como cassada. O documento não esclarece se houve contestação administrativa ou decisão do Detran sobre a alegação apresentada pelo motorista.

Motorista nega intenção de matar

João também negou que tenha provocado o atropelamento de propósito e afirmou que está abalado com a repercussão do caso. Segundo ele, as críticas recebidas desde o acidente têm afetado sua rotina.

“Eu já falei diretamente que foi um acidente, eu não tive intenção de matar uma pessoa. (…) Eu vou provar para vocês que foi um acidente”, disse.

O motorista ainda declarou que não tinha intenção de desrespeitar as leis de trânsito. 

“Eu prezo pela segurança de todos e pela minha segurança e tento andar certo com as minhas coisas, com carta, com direção”, afirmou.

Ao falar sobre a família da vítima, João pediu desculpas e disse lamentar o ocorrido. 

“Eu peço perdão para a vítima, seu Valter, e para os filhos dele. Se foi falha minha, se eu acabei com a vítima, eu peço perdão, eu peço desculpa. Eu não agi de má-fé”, declarou.

O que diz o boletim de ocorrência

A Polícia Civil registrou o caso como homicídio culposo na direção de veículo automotor, previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro. Essa classificação indica uma investigação sobre morte causada na direção de veículo sem intenção de matar, mas não representa, por si só, uma condenação.

O boletim também foi atualizado para incluir a informação de que a CNH do motorista constava como cassada no sistema policial.

A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do atropelamento e a situação da habilitação do motorista.

O que diz o Detran

O Detran-SP foi procurado para esclarecer a situação da habitação do motorista, mas não retornou à reportagem, até o momento.

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