Ídolo do basquete francano e atual executivo de relações institucionais do Mogi, Jorge Guerra, o "Guerrinha", publicou uma carta aberta nesta sexta-feira, 16, após a conquista do Campeonato Paulista pelo time mogiano, que venceu o Franca por 68 a 53, nessa quinta-feira, 15, no ginásio "Pedrocão". Na mensagem, ele pediu respeito às escolhas profissionais e à história construída por jogadores e profissionais no clube.
Embora não cite nomes, o texto foi publicado em meio à transferência de atletas que defenderam o Franca para o Mogi nesta temporada. Entre eles estão dois dos principais ídolos recentes da equipe francana, o ala-armador Georginho e o ala-pivô Lucas Dias, além do técnico Fernando Penna, também ligado à história do basquete de Franca.
“Sou francano de nascimento”
Intitulada “Carta à torcida de Franca”, a mensagem destaca a relação de Guerrinha com a cidade e sua trajetória no basquete francano.
“Sou francano de nascimento e foi em Franca que construí 22 anos da minha carreira como jogador, sendo capitão por 15 deles”, escreveu. Ele afirmou que carrega essa história com orgulho e respeito, lembrando os sacrifícios feitos durante a construção do basquete na cidade.
Guerrinha também elogiou a torcida francana, mas fez uma ressalva sobre o comportamento de uma parcela dos torcedores. “Conheço a força dessa torcida, sua paixão e seu entusiasmo. Uma torcida que inspira tantas outras pelo Brasil e que não merece ter sua imagem prejudicada por atitudes de alguns que não representam sua grandeza”, afirmou.
“Não aceitam que ele deixe o clube”
O principal recado da carta foi direcionado à forma como parte da torcida reage às decisões profissionais dos jogadores. Guerrinha apontou uma contradição entre pedir a saída de atletas e criticá-los quando passam a defender outra equipe. “Quando não gostam de um jogador, pedem sua saída e até o vaiam. Mas, quando o idolatram, não aceitam que ele deixe o clube e passam a desrespeitá-lo quando se torna adversário”, escreveu.
O dirigente do Mogi também relatou ter vivido uma situação semelhante após deixar Franca por motivos profissionais. Segundo ele, apesar do carinho recebido pela maioria dos torcedores, algumas pessoas ultrapassaram os limites. “Sou respeitado pela grande maioria dos francanos e reconheço esse carinho. Mas, quando saí por motivos profissionais, alguns passaram dos limites”, desabafou.
Procurado na manhã desta sexta-feira, Guerrinha reafirmou o respeito pela torcida do Franca e reforçou que sua crítica se dirige a uma pequena parcela. “Esses alguns estragam a reputação”, afirmou.
Confira a carta na íntegra:
"Sou francano de nascimento e foi em Franca que construí 22 anos da minha carreira como jogador, sendo capitão por 15 deles. Em uma época de muitos sacrifícios, ajudei a construir o basquete francano. Carrego essa história com orgulho e respeito. Conheço a força dessa torcida, sua paixão e seu entusiasmo. Uma torcida que inspira tantas outras pelo Brasil e que não merece ter sua imagem prejudicada por atitudes de alguns que não representam sua grandeza. É a esses poucos que dirijo estas palavras. É preciso respeitar o direito de escolha dos profissionais. Quando não gostam de um jogador, pedem sua saída e até o vaiam. Mas, quando o idolatram, não aceitam que ele deixe o clube e passam a desrespeitá-lo quando se torna adversário. A história construída juntos merece ser respeitada, mesmo quando os caminhos profissionais se separam. Falo com propriedade pelo que vivi e construí ao longo desses 22 anos. Sou respeitado pela grande maioria dos francanos e reconheço esse carinho. Mas, quando saí por motivos profissionais, alguns passaram dos limites. O bom profissional não permite que essas atitudes o tirem do jogo. Pelo contrário: transforma a provocação em motivação e eleva ainda mais seu nível de competitividade. No fim, quem age dessa forma acaba prejudicando a imagem do próprio basquete francano. Escrevo pelo vínculo que tenho com Franca e pelo respeito à história que ajudei a construir. A paixão pelo clube merece respeito. A história, as escolhas profissionais e a dor de cada pessoa também. Com respeito, Guerrinha."
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