A Justiça de Pontal, a 100 km de Franca, determinou nessa terça-feira, 29, que Elizabete Arrabaça seja levada a júri popular pela acusação de matar a própria filha, Nathália Garnica, de 42 anos. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu em fevereiro de 2025 e a vítima foi envenenada.
Elizabete responde por feminicídio qualificado pelo uso de veneno, meio cruel, dissimulação e recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Ela também é acusada de fraude processual, sob a acusação de ter alterado elementos da cena do crime para interferir nas investigações.
De acordo com a decisão judicial, os crimes estão em concurso material. Com isso, em caso de condenação, as penas poderão ser somadas.
A data do julgamento ainda não foi definida. A defesa também pode recorrer da decisão que determinou que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri.
Durante o processo, Elizabete negou ter cometido o crime. Em depoimento à Justiça, ela afirmou ser inocente e contestou as acusações apresentadas contra ela.
Elizabete está presa desde agosto do ano passado, na Penitenciária de Tremembé. Ela também é acusada pela morte da nora, a professora de pilates Larissa Rodrigues, em Ribeirão Preto.
Os dois casos envolvem suspeitas de envenenamento por uma substância conhecida popularmente como “chumbinho”. Exames realizados nas duas vítimas apontaram, porém, diferenças entre as substâncias encontradas nos organismos de Nathália e Larissa.
Os processos são analisados separadamente porque as mortes aconteceram em cidades diferentes. Nathália morreu em Pontal, enquanto Larissa morreu em Ribeirão Preto.
Morte de Nathália
Nathália morreu no dia 9 de fevereiro de 2025, aos 42 anos, em Pontal. Ela morava na cidade. No dia anterior, Elizabete esteve na casa da filha.
Na ocasião, a morte foi registrada inicialmente como natural. A situação mudou durante as investigações sobre a morte de Larissa, quando os exames apontaram que ela havia sido envenenada.
Elizabete e Luiz Antônio Garnica, irmão de Nathália, foram presos em maio de 2025 por suspeita de envolvimento na morte de Larissa.
A proximidade entre as duas mortes fez com que a polícia também passasse a investigar o caso de Nathália. O corpo da vítima foi exumado no dia 23 de maio para a realização de novos exames.
Em 17 de junho, um exame toxicológico confirmou a presença de substância relacionada ao “chumbinho” no corpo de Nathália, apontando que a morte também havia sido causada por envenenamento.
A investigação passou a considerar Elizabete uma das principais suspeitas porque ela esteve com as duas vítimas antes das mortes.
Acusação
Segundo o Ministério Público, Nathália foi envenenada durante a madrugada de 9 de fevereiro, dentro da própria casa, em Pontal. A denúncia afirma que Elizabete teria administrado à filha o veneno Carbofurano.
A acusação também aponta que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar e que houve uso de veneno, meio cruel, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além da acusação de feminicídio, Elizabete responde por fraude processual. Conforme o processo, ela teria modificado a cena dos fatos no dia seguinte à morte de Nathália.
Na decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri, a juíza Bruna Araújo Capelin Matioli rejeitou os questionamentos apresentados pela defesa sobre as provas do processo.
A magistrada considerou que os laudos comprovaram a ocorrência do crime e que existem elementos suficientes para que Elizabete seja julgada pela acusação.
Agora, o caso será analisado pelos jurados do Tribunal do Júri, que deverão avaliar as provas e os depoimentos apresentados durante o processo
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