Trem-bala entre Franca e São Paulo, fim da reeleição para cargos políticos e redução da maioridade penal. Essas são algumas das bandeiras defendidas pelo candidato a deputado federal João Rinoceronte, do PSDB, durante a sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN, promovida pelo Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de defender o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026.
Durante a sabatina, João Rinoceronte defendeu a educação como principal bandeira e propôs o ensino de empreendedorismo e política nas escolas públicas, além da transformação das unidades em escolas olímpicas. O candidato também se posicionou contra o fim da escala 6x1, a legalização do aborto, a descriminalização do porte de drogas e a estabilidade dos servidores públicos. Rinoceronte defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos, a responsabilização das big techs por conteúdos ilegais e o fim da reeleição para presidente, governador, prefeito, vereador e deputado. Sobre o tarifaço dos Estados Unidos, responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu incentivos tributários para os setores afetados.
O Franca Tem Voz é uma iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de estimular o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026. Idealizada em conjunto pela Acif, Cocapec, Unimed, portal GCN e Rádio Difusora, tem apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região, garantir a eleição de um deputado federal e ampliar a bancada de deputados estaduais na Alesp.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoito compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.
A ordem de exibição e publicação das sabatinas foi definida por sorteio na presença dos candidatos ou representantes.
A sabatina com João Rinoceronte pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra pode ser também lida abaixo.
A sabatina
A transcrição da sabatina do candidato a deputado federal João Rinoceronte, do PSDB, pode ser lida a seguir:
Corrêa Jr. - Olá. Hoje, dentro da série de entrevistas que o Franca Tem Voz realiza com os candidatos a deputado estadual e federal com base eleitoral em Franca e região, é dia de receber João Rinoceronte. João tem 34 anos, é solteiro e tem uma trajetória muito singular: é teólogo, estudou filosofia, foi motorista de aplicativo e depois corretor de imóveis. Trabalhou com vendas e marketing, nasceu em Ipuã, morou em São Joaquim da Barra e ganhou notoriedade, inclusive, pelo sobrenome, que não é o dele, né? Você é Oliveira.
João Rinoceronte - Isso.
Corrêa Jr. - Mas como é que você vira Rinoceronte? Prazer ter você aqui.
João Rinoceronte - Prazer, muito obrigado pelo convite. Mais ou menos 10 anos atrás, foi o momento em que eu morava no Santa Terezinha, que foi o meu primeiro bairro aqui em Franca. Eu tinha sido dispensado da CLT, do trabalho.
Corrêa Jr. - O que você fazia?
João Rinoceronte - Eu trabalhava em uma loja de imóveis. Não sei se pode falar o nome, a Casa Chic, em frente à Expoagro. E aí, naquele momento, tinha acabado de perder o emprego e começou… Morava eu e minha mãe, ia passar dificuldades financeiras. E, no dia em que acabou o gás na minha casa, eu estava lendo o livro O Rinoceronte, de Scott Alexander, um livro americano, pela segunda vez, que falava que o empreendedor tinha pele de 5 centímetros de espessura. Ele era imune aos torpedos.
E aí eu me aprofundei no Rinoceronte, falei: “Sou Rinoceronte”. Virei youtuber, virei Uber e aí, depois, no mercado imobiliário, logo após seis meses, com um passageiro do Uber, eu virei corretor de imóveis e minha vida mudou completamente. Mas começou nessa mudança para o Rinoceronte.
Corrêa Jr. - Mas você adotou o Rinoceronte imediatamente? Você falou “vou ser conhecido como ‘Rinoceronte’”.
João Rinoceronte - João Rinoceronte. Eu ligava para os clientes, gaguejando no começo, com medo de falar “João Rinoceronte”. Mas aí eu vi que a pessoa falava assim: “O que que é o seu nome?”. Aí eu falei: “João Rinoceronte”. Eu vi que chamava atenção e falei: “Agora é o nome que eu vou usar”. Aí eu brinco, né? Todo mundo que encontrava com Jesus mudava o nome. Eu encontrei com Jesus e mudei o nome também.
Corrêa Jr. - Vamos lá. Você quer ser deputado federal. Por quê?
João Rinoceronte - Isso. Hoje, o caminho que eu vim, que eu transformei minha vida, e eu tenho muito orgulho da minha própria transformação, eu vejo que pode acontecer nas cidades. Hoje mesmo o prefeito falou, saiu no GCN, que a cidade, o país, tem que ser o número um. Pode ser o número um, ele tem todos os recursos para isso. E, como empresário, empreendedor, eu vejo que a mudança não está só nas empresas. A mudança também está no governo. Por exemplo, na Venezuela, o empreendedor não pode empreender. Então, é um movimento em que vários empresários, empreendedores, estão entrando para a política, para proteger e fazer o nosso país ser aquilo que ele foi definido para ser: um país de primeiro mundo. Por isso que eu coloquei meu nome para deputado federal.
Corrêa Jr. - E você sempre gostou de política, não?
João Rinoceronte - Sempre gostei de política. Quando eu era criança, até os sete anos, eu queria ser padre, depois bispo, depois papa. E aí, quando eu descobri que papa não podia casar, padre não podia casar, eu falei: “Não, eu vou casar, então eu vou ser político”.
Corrêa Jr. - Mas você não casou ainda?
João Rinoceronte - Oi?
Corrêa Jr. - Ainda não casou.
João Rinoceronte - Eu sou noivo, na verdade. E aí eu sempre falei assim: “Eu vou ser presidente da República um dia”. E foi onde começou a minha paixão por política e fui muito ligado ao Sidney Rocha. Aqui, na última campanha, foi a que eu trabalhei junto com ele, uma inspiração para mim. E veio acontecer de o cargo ficar disponível para eu ser candidato e eu falei: “É a hora. Agora minha vida pessoal, financeira, profissional está estabilizada, eu posso doar meu tempo para um projeto comunitário”.
Corrêa Jr. - João, entre as coisas que você propôs nas últimas semanas, tem um meme aí que você criou, que você repete nas redes, mas você já propôs uma ligação trem-bala entre Franca e São Paulo, um parque aquático em Cristais Paulista, fazer de Guará a Amsterdã brasileira, a capital brasileira da bicicleta.
João Rinoceronte - Estão acompanhando, gostei.
Corrêa Jr. - Transformar Ituverava num polo industrial e tecnológico. Em Miguelópolis, você quer fazer um destino turístico como o Pantanal do Estado de São Paulo. Restinga, você quer incentivar como polo turístico e transformar na Tiradentes do interior paulista, e a região toda num celeiro de turismo. Se você fosse candidato à Presidência da República, você não teria condição de fazer tudo isso que você está propondo. Porque é impossível, por mera atribuição, de um eleito. Se você fosse candidato ao governo do Estado de São Paulo, menos ainda. Mas você é candidato a deputado, que não tem a alçada para fazer nada disso, por que você promete o que você não vai conseguir entregar?
João Rinoceronte - Na verdade, todas as promessas são o despertar da mentalidade. Nada é impossível. Tudo é possível. Até o GCN era impossível ficar aberto. E hoje se transformou numa empresa grande com a Sampi.
Corrêa Jr. - Sim, mas nós estamos dizendo aqui do ponto de vista do que sinaliza para o eleitor.
João Rinoceronte - Politicamente, qual é a minha principal proposta que você não trouxe? Além de ser deputado federal, ser um embaixador da região e buscar a iniciativa privada. Parque aquático, quem faz? É prefeitura? É presidente? Não, é iniciativa privada. Então, levar estudos para a iniciativa privada, eu já tenho estudos. E, como deputado, abrir portas para que essas empresas venham para nossa região. Guará, o que é fazer Amsterdã brasileira? Lá já é a capital da bicicleta. É publicar isso, colocar um portal sobre isso, fazer um santuário do lobo-guará. E todas as cidades têm esses pontos que se faz com a mentalidade.
Corrêa Jr. - Mas eu entendo que você é um crítico da política tradicional, por isso que você quer entrar. Normalmente, todo estreante é porque ele critica o que está ali e você traz a visão do empreendedor que você está dizendo: “Eu sou alguém que conseguiu superar adversidades e quero levar esse exemplo”. Mas, quando você entra e aí você diz: “Eu quero ser uma inspiração, eu quero movimentar o setor privado”, não é complicado quando você apresenta como possíveis projetos que não dependem de um deputado? Você não pode estar contribuindo, ainda que não seja o seu objetivo, para renovar a descrença das pessoas na política?
João Rinoceronte - Na verdade, hoje eu postei um vídeo falando sobre isso. Não é só a descrença que atrapalha a política, mas também a crença errada. E hoje não há outro caminho para mudar se não for realmente uma ruptura do empresariado mesmo. Sabe, falar assim: “Vamos assumir a política?”. Porque já há muitos e muitos e muitos anos é roubo, é corrupção, é destruição. Eu falo que os políticos matam mais do que realmente bandidos. Quando a pessoa perde o emprego e tira a própria vida, ou o filho está numa fila da saúde e não consegue atendimento. Então, as emendas já estão aí. São R$ 160 milhões de emendas que nós temos para…
Corrêa Jr. - R$ 40 milhões por ano.
João Rinoceronte - R$ 40 milhões por ano para destinar. Isso já ajuda muito a região, é algo que falta há muito tempo.
Corrêa Jr. - Não, nós vamos falar sobre isso…
João Rinoceronte - Leis, nós já vamos ter as leis. Só que, assim, além disso, o que os deputados podem fazer pela nossa região? Porque só fazer lei, só mandar emenda, mas a atribuição é muito pouca. Eles ficam no WhatsApp lá, ficam no Instagram, ficam no TikTok. O que é que precisa? Uma nova reforma, mudar as atribuições de um vereador, mudar as atribuições de um prefeito, mudar as atribuições de um deputado. Eu vou fazer? Não vou fazer, mas eu posso estar começando um movimento que vai inspirar políticos ou não políticos a buscar isso, igual à CLT, que também é algo que tem que ser revisto.
Corrêa Jr. - Quando você fala, por exemplo, e aí eu vou insistir para a gente encerrar e avançar, mas quando você fala do trem-bala, por exemplo, estudos para um trem-bala estão em andamento no Brasil desde o governo Dilma. E os estudos concluíram que não havia habilidade para um trem-bala nem no trecho do Rio-São Paulo. Por razões de topografia, de volume de investimento, chegou a ser fechado um memorando de entendimento, havia um consórcio internacional, os caras disseram: “Não dá, é inviável”. Quem disse que era inviável não era o governo, foi uma iniciativa privada. “Não dá para fazer.” Aí, quando você acena para um trem-bala entre Franca e São Paulo, não passa exatamente isso que eu estou falando? Você não pode estar falando pelas pessoas uma coisa que vai frustrá-las e vai dar mais descrença? Porque nem entre Rio e São Paulo é viável. O trem que o Tarcísio anunciou, o TIC, Trem Intercidades, começa lá entre São Paulo e Campinas. É um trem de média velocidade, vai operar depois de 2030. Então o Tarcísio só vai entregar, se for reeleito, depois. Tem outros ramais secundários previstos para Sorocaba, Jundiaí etc. e tal, numa outra fase, lá para 2040, até Ribeirão. E aí depois é que poderia, no máximo, ver uma extensão para cá. Quando você apresenta aquilo num vídeo engraçado, que chama atenção de forma lúdica, mas que o eleitor não tem condição de entender que é uma inspiração e não um projeto, não é exatamente a política que você critica?
João Rinoceronte - Não, totalmente diferente, porque a política que eu critico, eles não falam nada fora da curva, igual eu estou falando de um trem-bala, que é uma coisa de doido, ou um prédio de um quilômetro, que é o Pablo Marçal...
Corrêa Jr. - Mas eu estou dizendo em relação a coisas que são impossíveis. Então, quando o cara chega e promete que vai aumentar o salário mínimo, ele não tem esse poder, ou quando o cara promete que vai fazer, ele não tem esse poder.
João Rinoceronte - Que vai falar que vai zerar fila, também não tem esse poder. É.
Corrêa Jr. - É isso que eu estou te falando. Não é a criatividade da sua proposta, mas é o fato de você estar propondo uma coisa que é impossível.
João Rinoceronte - Não é algo que somente eu propus. Por exemplo, o Levy Fidelix, eu já votei em uma eleição, faleceu, e também propunha o trem-bala.
Corrêa Jr. - É, o aerotrem.
João Rinoceronte - O aerotrem. Eu acredito que é a mesma coisa. O que eu acredito de verdade? Se nós focarmos no trem-bala, hoje é realmente impossível. Mas, levando em consideração que a nossa região é próxima da Serra da Canastra, que é um turismo internacional, próximo do agro muito forte, café, aqui em Ribeirão nós temos a cana de açúcar, e em Uberaba o gado. Também, todo esse turismo de águas. Araxá, não é São Paulo, não é São Paulo. Sou candidato por São Paulo, mas vou ser deputado pelo Brasil. É a maior reserva de nióbio do mundo. Então, hoje é impossível, mas, se todas essas frentes não houver o governo atrapalhando, pode chegar a acontecer. Só que é assim…
Corrêa Jr. - Mas, tirando a Europa, né? E aí na Europa a gente está falando de alguns países. França tem o TGV.
João Rinoceronte - A China.
Corrêa Jr. - A Itália tem pouquinho, a Alemanha, China, Japão. Nem nos Estados Unidos têm trem-bala. Não há coisas mais urgentes para as pessoas realmente se fiarem e acreditarem no seu projeto…
João Rinoceronte - Tipo?
Corrêa Jr. - Eu não sei. Aí eu não sou candidato.
João Rinoceronte - Mas saúde, educação, etc.?
Corrêa Jr. - Aí é o que me cabe perguntar. Eu só estou dizendo que, dentro do que se apresentou, e são vários aqui que eu elenquei, parecem fantasias e não inspirações. E aí me preocupa sempre a descrença das pessoas com a política. Porque elas falam: “Olha, não adianta, eu vou votar, não vira nada. Eu vou votar, não vira nada. Eu vou votar, não vira nada”.
João Rinoceronte - Mas é verdade.
Corrêa Jr. - E é isso que eu perguntei. Se você não acha que as suas propostas, por mais que elas sejam criativas, vão contribuir para reforçar esse sentimento?
João Rinoceronte - É que esse sentimento é verdadeiro, né? Votar muito pouco adianta. Apesar de eu ser candidato, hoje nós sabemos, por exemplo, o fundo eleitoral, o Guilherme Cortez, que eu acho que você apoia ele. Ele recebeu R$ 2 milhões…
Corrêa Jr. - Eu não apoio o Guilherme Cortez.
João Rinoceronte - Não? Entendi. Terceiros me falaram. R$ 2 milhões de investimento que poderia ir para a saúde, para a educação, qualquer outro motivo. E ele está gastando na campanha eleitoral. Isso já é descrente.
Corrêa Jr. - Mas todos os partidos têm fundo eleitoral.
João Rinoceronte - Por exemplo, eu atingi 1 milhão e 200 mil pessoas no Instagram nas últimas duas semanas. Aí o Tribunal Eleitoral, agora, candidatos não podem mais atingir organicamente. Minhas visualizações caíram. É um sistema que realmente; não é trem-bala, não é prometer educação. Realmente não funciona há muitos e muitos anos. Igual na última eleição para prefeito que nós tivemos, não agora, do Alexandre, mas do Gilson de Souza ganhando do Sidnei Rocha. É algo que realmente a urna não transparece o que a população precisa. Então não é um projeto fantasioso ou um projeto criativo que vai mudar o jogo da nossa região.
Corrêa Jr. - E por que você precisa dos projetos, então?
João Rinoceronte - Porque a minha vida… Eu saí da miséria e consegui chegar aonde eu cheguei e ainda não é nem a sombra do que está por vir. Sendo fantasioso, tem um filme que é Don Juan de Marco. Ele vivia um mundo fantasioso e, quando tiraram ele do mundo fantasioso e deram remédio para ele voltar à normalidade, ele quase chegou a se suicidar. Então, o mundo já está muito difícil. Acho que a fantasia impulsiona a pessoa a crescer, a cidade a crescer, a população a crescer. Se sem fantasia não está dando certo, por que não tentar por essa via?
Corrêa Jr. - Mas não é preciso diferenciar o que é sonho do que é ilusão?
João Rinoceronte - Mas sonho é ilusão, porque sonho não é realidade.
Corrêa Jr. - Não, mas sonho é um objetivo que você pode alcançar, a ilusão não.
João Rinoceronte - Na verdade…
Corrêa Jr. - O que eu estou insistindo é isso.
João Rinoceronte - Sim, é muito importante. Eu gostaria muito que a população também fosse assim, questionar.
Corrêa Jr. - Eu quero entender o seguinte: você está dizendo para a pessoa “vote em mim, será, será, será”, né? Será que não pode ser isso aqui? E aí você apresenta como um projeto de alguém que está pedindo voto para deputado. Mas nada, nenhum daqueles ali, você pode realizar como deputado.
João Rinoceronte - Como pessoa, sim, como empresário, empreendedor e tudo mais. Eu posso fazer um parque aquático sem ser deputado.
Corrêa Jr. - Você não precisa ser deputado. Como deputado, você tem atribuições: fiscalizar o governo federal, apresentar projeto, votar nos projetos, defender posições. É seu objetivo. E aí, quando você transforma isso na fantasia, eu sempre penso muito no mundo real, na Dona Maria, no Carlos, no Seu João, na Dona Joana, que está lá vendo aquilo. Ela pode acreditar ou pode achar que é fácil e, aí, quando descobre que não é, frustra. Esse é o meu ponto. Mas vamos falar…
João Rinoceronte - Só uma observação nesse finalizar: esse meu discurso, até hoje, não atingiu as massas. O que a massa realmente precisa é saúde, educação, tampar o buraco da casa dela, que não é o vereador também, o deputado que vai fazer isso. Então, o meu discurso foi para chamar a atenção das massas e chamou a atenção somente dos empresários. Onde eu ando, os empresários me chamam, querem conversar comigo, falam assim: “Olha, muito legal. É quase impossível, mas é bom despertar esse desejo”. Porque, se a gente não atinge um trem-bala, nós podemos, já existe um estudo de ligar Ribeirão aqui com um trem normal, podemos atingir um trem. Mas, se eu não foco, se eu entro numa campanha, por exemplo, sabendo que eu vou perder, qual é a chance de eu ganhar? Se eu entro numa campanha falando “é certeza que eu vou ganhar”, eu posso perder. Mas eu também tenho chance de ganhar. A mesma coisa do trem-bala. Se eu falo “eu acredito que pode ter um trem-bala”, pode ser hoje, daqui a 10 anos, 50 anos. Mas, se eu acredito em um trem-bala, eu vou acreditar em várias outras coisas pequenas. Isso chama ângulo de 90 graus, que vão ser atingidas no meio do caminho. Então, basicamente, esse é o meu projeto.
Corrêa Jr. - Vamos lá. Faz 20 anos que Franca não elege um deputado federal. O último foi em 2006. Por que você acha que você vai conseguir?
João Rinoceronte - Porque Franca, hoje, onde eu ando; andei no Aeroporto, andei na Zona Leste, na Zona Sul, toda a Norte, que morava na Norte, e todo mundo falava: “Franca precisa de um deputado”. Porque os R$ 40 milhões por ano, R$ 160 milhões a cada quatro anos, 50% é obrigatoriamente para a saúde e resolveria o problema da nossa região, muitas vezes, essas emendas. Então, as pessoas querem votar na pessoa de Franca, e hoje o meu nome está muito bem visto, porque eu não sou político, eu venho de outro meio. Eu tenho as partes engraçadas que não combinam comigo, eu não sou engraçado, só que eu tenho que me fazer engraçado, tenho que ser um ator ali para chamar atenção por causa do algoritmo. Mas agora já vou mudar de novo, porque já não está chamando mais atenção, porque boicotaram todos os candidatos, não somente eu.
Corrêa Jr. - E aí eu queria colocar um outro ponto, só para ser muito claro. Você reclamou, se eu entendo direito, do Guilherme Cortez porque tem um fundo partidário milionário. Mas todos os partidos têm fundo partidário.
João Rinoceronte - Mas quem eles privilegiam? Quem já é eleito. Quem já tem nome.
Corrêa Jr. - São eleitos, mas aí que está. Eu só queria destacar esse ponto porque eu tenho certeza que você gosta de precisão. Não é o Guilherme Cortez. São todos os deputados que estão no seu mandato, sejam de esquerda ou de direita.
João Rinoceronte - De Franca, o que mais recebeu foi ele.
Corrêa Jr. - Foi ele, porque está disputando uma vaga de federal, saindo da condição de estadual. Mas outros… A deputada Graciela tem o teto do que pode para a disputa estadual. A Flávia Lancha não é deputada, tem o teto de gasto para a estadual. São as candidaturas vistas pelos líderes partidários como as mais viáveis que recebem uma quantidade de recursos maior.
João Rinoceronte - Perfeito.
Corrêa Jr. - Você é crítico ao fundo partidário? Na sua opinião, não deveria ter? E aí, como faria a campanha?
João Rinoceronte - Hoje eu não sou crítico do fundo partidário apenas, por exemplo, fundo partidário está aí, até ajuda a não haver corrupção, jogo de interesse. Concordo com isso. O que eu sou a favor? De uma distribuição melhor. Não quem já tem cargo, quem ocupa cargo. Porque é assim, né? A cada deputado federal você tem uma verba que vai para o seu partido e depois você faz a distribuição. E aí o que ajuda? Só manter quem já está lá. Mas, além disso, eu estava fazendo minha campanha e agora vou começar uma nova forma dessa campanha. Meu marketing está trabalhando nisso, na rede social, sem ter que gastar. Só que foram, igual fizeram com o Renan Santos agora, com o Pablo Marçal, e cortaram todo o alcance dos candidatos. E é algo que eu não precisava investir dinheiro. Então, além de eu não ter o fundo eleitoral, eu devo receber R$ 6 mil, R$ 7 mil. Vou fazer uso desses R$ 6 mil, R$ 7 mil. Eu não posso também trabalhar com a arma que eu tenho, que é a rede social. Então, eu não estou criticando o fundo eleitoral apenas. Estou criticando que tudo aquilo que te dá visibilidade, o sistema tenta cortar, para que as pessoas que não têm o fundo eleitoral também não cheguem lá. É um jogo de cartas marcadas.
Corrêa Jr. - Rinoceronte, vamos lá. Você já explicou aqui o conceito desses projetos que você apresentou. Então, vamos falar de quais são as suas bandeiras efetivas, caso você seja eleito. O que você vai fazer em Brasília?
João Rinoceronte - Eu vou trabalhar com leis para fortalecer a educação. Eu acho que o principal é a educação. E, dentro da educação, eu tenho a convicção de que precisa ser ensinado empreendedorismo na educação pública, nas escolas. Tem que ser também ensinado sobre política. Eu não sou dessa época, mas tinha civilização e política. Então, as pessoas hoje querem votar em branco, ou pegam um papelzinho ali, ou votam numa Flávia Lancha, por exemplo, o número dela, não sei o número dela, mas vão falar que acaba 015. O estadual é 015. O federal é 015. Geralmente a pessoa vota achando que é o estadual. Tem um monte de rolo nisso aí, que as pessoas não sabem nem o que é política, o que é que um deputado faz, o que o estadual faz etc. Então, a educação, tanto do empreendedorismo quanto também da questão da política. E um terceiro grande passo é transformar as escolas públicas em escolas olímpicas. Porque o esporte transforma a vida das pessoas, tanto na disciplina quanto na questão de competição e saber que a pessoa pode ser quem ela quiser ser. Na China, eu estive com um chinês esses dias, gravei lá, não sei se vocês viram, ele explicando que a criança entrou na escola, o professor identifica qual a modalidade olímpica que ele vai treinar. Então, de manhã ele estuda e treina à tarde, ou ao contrário, no contraturno. Então, a minha bandeira é a educação. Porque só a educação pode mudar a vida das pessoas.
Corrêa Jr. - A gente está enfrentando um problema com o tarifaço agora. O calçado foi sobretaxado em 37,5%. Era 25%, mais 12,5%. Café e carne ficaram de fora, para sorte aqui da região, mas o calçado foi penalizado. Na sua opinião, de quem é a responsabilidade disso e o que você faria se for eleito deputado federal?
João Rinoceronte - Nessa bandeira também, o calçado. Onde eu viajo, eu fui para Balneário Camboriú, o pessoal falou sobre Franca. Estive em São Paulo para gravar agora propaganda eleitoral, o pessoal falou sobre Franca, e todo mundo associa Franca à capital do calçado. Mas deixou há muito tempo de ser a capital do calçado. Muitas empresas foram embora, muitas pessoas perderam o emprego e hoje está vindo moletom, está vindo cosméticos, está vindo várias outras coisas. A própria feira foi embora, a Francal, que movimenta não só o calçado, mas o turismo da cidade, movimentaria. Então, antes de pensar no tarifaço, é como que eu faço Franca voltar a ser o que ela já foi no calçado? Se essa potência magnífica no calçado, ter a feira novamente ou criar uma Francal 2.0, se o pessoal da iniciativa privada não quiser voltar para Franca. Fortalecer a nossa base. Conversei com muito pessoal no sapato. São poucas empresas que exportam para os Estados Unidos. A maioria está para a Europa, para a África, para outros centros. Então, atrapalhou para quem está exportando para os Estados Unidos. E a grande culpa é do presidente nosso. Nosso presidente, ele criou uma guerra com os Estados Unidos. Uma guerra na palavra. Só que os Estados Unidos nos responderam com uma guerra comercial. E não só a nós, a vários outros países.
Corrêa Jr. - Mas, na verdade, os Estados Unidos taxaram primeiro e aí o Lula reagiu com palavras. E os Estados Unidos taxaram o mundo inteiro. Taxaram o Canadá, que é vizinho, histórico, aliado de todos os tempos. Taxaram o Reino Unido, aliado histórico. Taxaram a França, governada por um político de esquerda, Emmanuel Macron. Mas taxou a Itália, governada por uma política de direita.
João Rinoceronte - Ele é protecionista, né, o Trump?
Corrêa Jr. - Nesse contexto, não é injusto você dizer que a culpa é do Lula?
João Rinoceronte - Grande parte da culpa é do Lula. Não é injusto.
Corrêa Jr. - Mas, se ele taxou o mundo inteiro, por que a culpa é…
João Rinoceronte - Aí cada país põe a culpa no que ele achar que deve. No Brasil, a grande culpa dos nossos problemas é o Lula. Só que, falando do tarifaço, é o deputado que resolve esse problema? Igual o trem-bala, não é o deputado. O parque aquático não é o deputado.
Corrêa Jr. - Pode apresentar como que o calçado seria amparado por você nesta disputa. Que tipo de medida você proporia ao governo federal, qualquer que seja ele?
João Rinoceronte - Perfeito. Eu acho que não somente ao governo federal. Porque o tarifaço é algo que também não está na mão do deputado. O que nós podemos fazer? Incentivos municipais, estaduais e federais dentro do nosso país, dentro do Brasil, das fronteiras do Brasil, para que esse tarifaço que veio de fora não interfira. E aí, depois que o secretário no Ministério Geraldo Alckmin…
Corrêa Jr. - Que medida seria essa?
João Rinoceronte - Isenções. Eu acho que nós pagamos muito imposto em todas as áreas. Então, isenções tributárias, incentivos, talvez, de feiras, incentivos de exportar para outros países, abrir novas frentes. Eu acho que isso também o governo pode fazer. Então, mas o principal é o incentivo tributário, porque, se está havendo uma taxação, logo, como que nós podemos corrigir essa taxação com incentivos do Brasil, dentro do Brasil?
Corrêa Jr. - Então você daria isenção tributária para os afetados?
João Rinoceronte - Eu não daria isenção, mas eu buscaria isenções com municipal, federal e estadual. Agora, minhas promessas dependem muito do prefeito que eu estou falando de cada cidade. Por exemplo, Cristais Paulista ter um parque aquático. Será que a prefeitura não poderia doar um terreno, se estiver dentro da lei? Tem que procurar juridicamente. Ou dar uma isenção de imposto, porque vai gerar emprego para a cidade, para a região? Então, o nosso movimento, como deputado, embaixador, é conversar com vereadores, com prefeitos, governadores, sempre. E quem não participar, nós vamos apoiar quem quer realmente mudar a nossa região e mudar o nosso país.
Corrêa Jr. - Você lembrou aqui, com precisão, que são R$ 40 milhões por ano em emendas impositivas que o deputado federal tem. Metade tem que ir para a saúde, metade não. A metade da saúde, para onde iria?
João Rinoceronte - 100% para Franca.
Corrêa Jr. - Para que lugar? Para o quê? Você tem ideia?
João Rinoceronte - Sim. Hoje parte iria para o município e parte…
Corrêa Jr. - Para UBSs e...
João Rinoceronte - Isso, e as outras para as organizações, as ONGs, Santa Casa, organizações que estiverem regulares dentro para receber a proposta, mas 100% para Franca. E a outra metade também, distribuída pela educação, habitação, tudo que puder receber emenda, também 100% para Franca. Não vou mandar nenhum valor das emendas para nenhuma cidade da região. Vai ser 100% para Franca. Eu já falei na internet. Franca hoje é a capital do interior. Então, as pessoas procuram Franca para a saúde, as pessoas procuram Franca para a educação. E, se eu pego e faço na minha emenda medida eleitoreira, mando R$ 1 milhão para uma, R$ 2 milhões para outra, R$ 3 milhões para outra, não muda a realidade da situação daquela cidade. Se eu coloco, despejo R$ 160 milhões em Franca, Franca vira a base de toda a região. E a região nós vamos trabalhar para trazer iniciativa privada para investir na região, gerando emprego e gerando prosperidade em cada cidade.
Corrêa Jr. - A PEC da Segurança Pública está no Senado, no projeto do governo federal. Se esse projeto voltar para a Câmara, tiver que voltar, como é que o senhor votaria? O senhor é a favor da PEC da Segurança ou não e por quê?
João Rinoceronte - Na PEC de Segurança, até nós tivemos um vídeo que nós falamos naquele, dos semanais para o GCN, e eu me posicionei da seguinte maneira: a PEC da Segurança não resolve o problema, na minha visão. O que mais resolve a questão da segurança? Depois nós vamos falar penal, aumentar os crimes, pena de prisão, talvez não perpétua, mas quase perpétua, proporcional aos crimes. Só que o que resolve é a educação e o esporte, que tira as pessoas de ir para o crime. Então acaba com o recrutamento do crime. Então, como que eu quero ajudar a acabar com o crime no Brasil? Não ter novas pessoas no crime, não entrar novas pessoas. Mas, a partir disso, eu sou a favor de aumentar as penas, sim.
Corrêa Jr. - A PEC da Segurança é aquele projeto do governo federal que pretende formar uma espécie de consórcio para que o governo federal possa atuar na segurança junto com os estados. O senhor é a favor ou contra?
João Rinoceronte - Eu sou a favor.
Corrêa Jr. - O senhor é a favor?
João Rinoceronte - Sim. Como eu sou a favor se precisarmos ter ajuda estrangeira também, dos Estados Unidos, ajudar os estados e o Brasil. A favor da segurança também, ou qualquer outro país do mundo.
Corrêa Jr. - Como? Aí você defende, por exemplo, uma intervenção armada dos Estados Unidos aqui?
João Rinoceronte - Não. Não contra as autoridades do Brasil, mas em conjunto com as autoridades do Brasil, seja o Lula ou qualquer outro presidente. Por ações conjuntas com outros países.
Corrêa Jr. - Maioridade penal é um tema que nunca sai de cena, né? Muitos defendem a redução da maioridade penal. Outros são contrários. O senhor é contra ou a favor?
João Rinoceronte - Sou a favor.
Corrêa Jr. - Reduz para que idade?
João Rinoceronte - 16 anos.
Corrêa Jr. - A partir de 16 anos responderia como adulto.
João Rinoceronte - E, se tiver um crime assim muito hediondo, ou uma criança que seja declarada psicopata, acho que podemos ter algumas isenções também, se cometer com 14 anos. Porque crime é crime de qualquer idade, mas eu acho que, para falar assim, “tem que ser uma idade”, 16 anos.
Corrêa Jr. - A reforma tributária, você fala que tem um bom trânsito entre os empresários que estariam acompanhando você, está na cabeça de todo mundo, todo mundo preocupado. Você conseguiu entender o que vem por aí? Qual a sua expectativa? Ou você ainda vai esperar um pouco para ver como vai ser na prática?
João Rinoceronte - A reforma tributária, ela é muito… Hoje está no nível federal, mas cada estado trabalha de uma maneira. O Estado de São Paulo mesmo, na questão de peça, já paga o imposto assim que você compra. Mas, na questão de serviços, geralmente a pessoa usa o imposto e depois parcela em 60 vezes. As estatísticas estão aí. Tanto que empresas que quebram, mais de 90% quebram. As empresas quebram e não conseguem progredir. Então, se você coloca mais imposto ou que essa cobrança seja antecipada, com certeza vai ser uma grande catástrofe para o nosso país.
Corrêa Jr. - Então você está pessimista?
João Rinoceronte - Então, essa reforma, estou muito pessimista. Ela deve acontecer, eu acredito, como a escala 6x1 vai acontecer, principalmente agora, medida eleitoral.
Corrêa Jr. - A reforma tributária está aprovada, né? Mas ali um dos grandes argumentos de quem defende a reforma tributária é que ela acaba com a guerra fiscal, que é uma das coisas que mais prejudicou o calçado. Nem esse fator positivo você vê?
João Rinoceronte - Não acredito, porque tudo vai…
Corrêa Jr. - Ela vai acabar com o ICMS, exatamente, que era o imposto que fazia diferença nos estados. Você não acredita nisso?
João Rinoceronte - Não acredito e acredito também que quem paga a conta não é o empresário apenas. Ele vai ter que repassar o preço. Então quem vai pagar a conta é a população mais pobre também. Como a escala 6x1. Então, assim, são alguns temas que…
Corrêa Jr. - Você é contra o fim da escala 6x1?
João Rinoceronte - Sou contra o fim da escala 6x1. Eu sou a favor da pessoa ter mais tempo e ter dinheiro. A escala 6x1 vai trazer a pessoa mais tempo, ilusoriamente, e menos dinheiro. Porque o dinheiro que ela comprava X, ela vai comprar X ao meio, meio X. Então, assim, o nosso país precisa passar por uma reforma. Eu não sou contra o imposto. O imposto tem que estar aí para resolver também os problemas da população. Só que eu sou a favor do dinheiro que vai para o imposto sair da mão do trabalhador. É inadmissível hoje. O salário mínimo é R$ 1.600,00 e tinha que ser no mínimo R$ 4 mil. “Mas, João, aí você cria uma inflação e tudo mais?” Sim. Se você passar de R$ 1.600 para R$ 4 mil assim, vai criar uma inflação. Mas quais outras vias? Quais outras medidas? Será que a CLT hoje merece um novo projeto, além da CLT? Não extinguir a CLT, mas o patrão e o funcionário podem fazer um acordo também para que ganhe mais. E eu acho que muitos empresários, e você, empresário, que me segue, eu acho que muitos empresários, fãs das grandes empresas, não são fãs do microempreendedor. Não adianta querer tratar o empresário grande do micro e pequeno empresário. O grande tem condição de pagar mais, ele tem que pagar mais, e o pequeno não pode pagar mais igual ao grande. Então, assim, não pode pôr tudo numa caixinha só e resolver os problemas. Eu acho que tinha que ser direcionado para as empresas de grande porte X, médio porte Y e pequeno porte 2Y, assim por diante.
Corrêa Jr. - Outra coisa: qual a sua opinião sobre a estabilidade do servidor público? Você é a favor ou contra?
João Rinoceronte - Totalmente contra. Eu sou contra concurso também. Nos Estados Unidos, a pessoa apresenta um currículo e, através desse currículo, ela é analisada, faz ali as credenciais dela e ela não tem estabilidade. Então, eu sou totalmente contra, porque você chega em vários setores… Tudo bem que tem pessoas boas também nesses setores, mas você chega e a pessoa está no celular. E eu falo que a culpa não é só dos políticos, é também dos funcionários públicos. Eu não tenho medo de falar isso, porque realmente é um descaso, tanto na saúde quanto na educação, quanto na prefeitura ou qualquer outro lugar administrativo. Tem pessoas boas, tem pessoas boas. E vai gerar um burburinho isso? Vai. Mas não das pessoas boas, daquela que realmente não está fazendo o serviço dela.
Corrêa Jr. - Então, para você devia acabar…
João Rinoceronte - A estabilidade do serviço público. Tem que tratar igual ao serviço privado. Produzir o resultado, continua. E aí tem que criar ferramentas para não ter perseguição política. Que aí é o outro problema. Tirando a estabilidade, nós temos que corrigir esse problema. Temos que fazer estudos para isso.
Corrêa Jr. - Na sua opinião, houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil?
João Rinoceronte - Sim. Sim, claro.
Corrêa Jr. - Houve o veto da dosimetria…
João Rinoceronte - Deixa eu corrigir. Uma tentativa, não. Armou uma tentativa, que não foi bem-sucedida. Mas a tentativa em si, não acredito que ocorreu. Mas houve, sim, sem sombra de dúvida, um planejamento para isso.
Corrêa Jr. - Houve um golpe de Estado?
João Rinoceronte - Isso, com certeza.
Corrêa Jr. - Foi aprovado o projeto da dosimetria, que reduziu as penas, foi vetado, foi derrubado o veto, mas aí está parado lá no Supremo Tribunal Federal nesse momento. Você é a favor de uma anistia, sim ou não?
João Rinoceronte - Sou a favor de uma anistia, mas separando os inocentes, que a população que estava lá é inocente. As grandes cabeças… Tem pessoas francanas presas…
Corrêa Jr. - O pessoal da depredação deveria ser anistiado? Os mentores não?
João Rinoceronte - Claro, com certeza. Os mentores, dependendo deles, não.
Corrêa Jr. - E aí, então, não seria uma anistia ampla. Seria analisado. Sobre o Supremo Tribunal Federal, você apoia a limitação de decisões monocráticas e mandato fixo para ministro do Supremo?
João Rinoceronte - Não. Eu acho que também tem que ser juiz de carreira e temporário. Eu sou contra a reeleição. Eu sou contra o mandato fixo.
Corrêa Jr. - Não. Só para separar: no Supremo não tem eleição.
João Rinoceronte - Não, reeleição, mas eu estou fazendo… É isso. Não pode entrar lá para sempre.
Corrêa Jr. - É contra ele ficar até aposentar.
João Rinoceronte - Com certeza.
Corrêa Jr. - Deveria ter um mandato.
João Rinoceronte - Isso.
Corrêa Jr. - X anos.
João Rinoceronte - Perfeito. E também as decisões, decisões monocráticas. Tem coisas que só cabem a ele, mas tem coisas que não. Então, assim, o que cabe ao STF que continue com as decisões próprias deles. Mas, quando você fala monocrático, somente de um juiz. Não, tem que ser a corte toda. Só que hoje tem um problema por ser mandato fixo, que a corte toda…
Corrêa Jr. - Hoje não é mandato fixo, hoje é vitalício.
João Rinoceronte - Vitalício, que seja, até aposentadoria. É isso, até aposentadoria. Os termos técnicos eu ainda estou aprendendo. O que eu vejo? Sendo um ou sendo quem está lá, vai ser o mesmo resultado. Então, o que resolve, antes da decisão monocrática ou não, é realmente ter um plano de carreira, juízes que já estão na profissão, e também temporário, que não seja vitalício, que seja por mandato.
Corrêa Jr. - Você citou, algumas vezes, outros países como exemplo, mas só para lembrar: as cortes constitucionais no mundo inteiro não são formadas por juízes de carreira.
João Rinoceronte - Perfeito.
Corrêa Jr. - Porque é exatamente porque são órgãos que não são um tribunal recursal. Então, não é juiz de carreira. Mesmo no Tribunal de Justiça, os TJs, têm o chamado quinto constitucional, que é um número de vagas que é para advogados. Os advogados se transformam em juiz naquele momento. E, na composição do Supremo, há muitos juízes de carreira. Isso não quer dizer que a corte funcione melhor ou pior. Ainda assim, você acha que tinha que ser só juiz de carreira?
João Rinoceronte - Sim, acredito.
Corrêa Jr. - O senhor é a favor ou contra responsabilizar as big techs pelo conteúdo ilegal publicado?
João Rinoceronte - Se for ilegal, a favor.
Corrêa Jr. - Bets. Hoje são uma preocupação em todo o Brasil. Muita gente endividada por conta das apostas. Você é contra ou a favor das bets?
João Rinoceronte - Sou totalmente contra. E a taxação, hoje, se eu não me engano, é 12%. Isso é inadmissível. A taxação tinha que ser mais de 50%. Só que, assim, eu fiz um vídeo também essa semana. O que deixa a população mais endividada, faz a população perder a própria vida, além do que as bets, é a própria política. Só que ninguém fala da política, só fala das bets. Mas eu sou contra as bets e, hoje, infelizmente, apesar de estar na política, eu sou contra essa política que está aí há muitos anos, que é a mesma promessa: “Porque nós vamos melhorar a saúde, nós vamos melhorar a educação, nós vamos melhorar o esporte”, e continua a mesma desculpa, eu ia falar “bosta”, a bosta de sempre. Então…
Corrêa Jr. - Mas um dos problemas aí… Nós não temos muito tempo, mas eu preciso falar. Não é exatamente isso. Assim, olha: prometeram para os brasileiros, e gerações de políticos prometem o que eles sabem que é impossível, né? E você falou uma coisa que eu não vejo: é uma discussão, né? Problemas complicados exigem discussões complicadas. O Brasil, e aí a gente tem corrupção, que é um problema; tem muito malandro na política, que é outro problema; tem muito problema. Mas, ainda que você zerasse isso tudo, vamos dizer, não tem mais um real em corrupção. Não tem. Extinguimos.
João Rinoceronte - E economizaria uns 30% já.
Corrêa Jr. - Mas, ainda assim, você não entregaria metade do país que as pessoas acham que é possível. Então, a gente promete um SUS amplo, geral, irrestrito e ilimitado. É o único país do mundo que faz isso.
João Rinoceronte - Isso. Está de parabéns, inclusive.
Corrêa Jr. - Mas a gente promete. Isso tem um custo. Então, a hora que você soma tudo que custa o Brasil com tudo que a gente tem, não bate a conta. Não precisa daquele braço, a conta, o direito e falar: “Olha, nós vamos ter que escolher. Se a gente quer dar o SUS, por exemplo, o rico tem direito ao SUS, o pobre tem direito ao SUS”. O Brasil não faz distinção. Todo mundo tem. O rico pode ir na Farmácia Popular e pegar um remédio de graça. Quando a gente vai prometendo coisas que não cabem também, não contribui para essa política que você critica?
João Rinoceronte - Sim, mas, por exemplo, tudo que você falou eu também sou a favor. Eu acho também que o rico deveria fazer uma contribuição como se fosse um seguro do próprio SUS, para ajudar o SUS também a funcionar.
Corrêa Jr. - Quando compara com os Estados Unidos, por exemplo…
João Rinoceronte - Não, é outra questão.
Corrêa Jr. - Mas lá você, se for atropelado, você tem que pagar ambulância. Ou você tem seguro ou você tem que pagar ambulância.
João Rinoceronte - Existe um programa social. Um amigo meu falou: nos Estados Unidos…
Corrêa Jr. - É, que o Trump acabou, chama Medicare. Que, assim, mesmo o Medicare tem uma contribuição da empresa e uma contribuição da pessoa para poder usar aquele serviço público.
João Rinoceronte - Eu não sou contra o rico. Eu sou empresário, eu não estou rico ainda, mas estou a caminho disso. Até meu sonho, por exemplo, pessoal, é ter um bilhão de dólares. E isso pode se dizer que é fantasia? Acredito que sim, mas nos ângulos de 90 graus eu vou chegar num lugar muito longe que a maioria não chegou.
Corrêa Jr. - Vamos lá. Nós temos que ir rapidinho para o final.
João Rinoceronte - E, finalizando essa questão, que tem que ter não só uma reforma ou tirar a corrupção, mas reformas que vão atingir esses pontos que você disse.
Corrêa Jr. - Vamos lá, eu vou te fazer uma série de perguntas que respondem sim ou não. Bem rapidinho. Anistia ampla do 8 de janeiro, você já respondeu: não, né?
João Rinoceronte - Não.
Corrêa Jr. - Fim da escala 6x1?
João Rinoceronte - Não.
Corrêa Jr. - Supersalários acima do teto constitucional?
João Rinoceronte - Não.
Corrêa Jr. - Legalização do aborto?
João Rinoceronte - Não.
Corrêa Jr. - Nem nas formas já previstas?
João Rinoceronte - Nas formas previstas que já estão lá, já.
Corrêa Jr. - Descriminalização do porte de drogas?
João Rinoceronte - Não, também. Eu sou contra as drogas.
Corrêa Jr. - Você não é a favor da descriminalização?
João Rinoceronte - Não.
Corrêa Jr. - Retaliação comercial aos Estados Unidos pelo tarifaço?
João Rinoceronte - Só vai gerar mais guerra. Sou contra.
Corrêa Jr. - Redução da maioridade penal?
João Rinoceronte - A favor.
Corrêa Jr. - Regulação das big techs?
João Rinoceronte - Sim.
Corrêa Jr. - Reforma administrativa mudando a estabilidade do servidor?
João Rinoceronte - Sim.
Corrêa Jr. - Mandato fixo, ou seja, com prazo para os ministros do Supremo?
João Rinoceronte - Sim, com prazo.
Corrêa Jr. - Reeleição para presidente?
João Rinoceronte - Não.
Corrêa Jr. - Não, você é a favor do fim?
João Rinoceronte - E também para deputado, governador, prefeito, vereador. Eu sou a favor do fim para todas.
Corrêa Jr. - Para todas? Qualquer tipo de eleição.
João Rinoceronte - Qualquer tipo de eleição.
Corrêa Jr. - E o Estado laico?
João Rinoceronte - Sou a favor.
Corrêa Jr. - A favor do Estado sem religião?
João Rinoceronte - Claro, com certeza.
Corrêa Jr. - Está certo.
João Rinoceronte - Não, o Estado laico não é sempre religião. É todas as religiões.
Corrêa Jr. - O Estado laico é… O Estado não… não chama uma religião para si e permite que você tenha a fé que você quiser.
João Rinoceronte - Ótimo. Sou a favor. Eu sou cristão, mas eu defendo isso. A liberdade religiosa e o Estado laico.
Corrêa Jr. - Obrigado, João Rinoceronte. Boa sorte na campanha.
João Rinoceronte - Obrigado, foi um prazer estar com vocês aqui. Foi minha primeira sabatina. Gostei muito. Obrigado.
Corrêa Jr. - Ah, não, eu esqueci. Obrigado não, João. Primeiro você tem o seu minuto para as suas considerações finais.
João Rinoceronte - Ah, perfeito. Aqui que eu falo as considerações finais.
Corrêa Jr. - Pode falar.
João Rinoceronte - Eu gostaria de dizer que tudo aquilo que eu sonho realmente é uma fantasia. Mas o avião já foi uma fantasia, um cruzeiro já foi uma fantasia, a internet já foi uma fantasia. Eu falando aqui com você e você ouvindo pela rádio, ouvindo pela TV, já foi uma fantasia. E eu estou até arrepiando aqui, mas tudo se tornou possível. Morrer e ressuscitar até então era uma fantasia, mas Jesus morreu e ressuscitou. Então, a nossa vida só pode mudar através da fantasia. Seja também um sonhador, seja também desacreditado pela sua família, pelas pessoas que você mais ama, mas somente assim que você pode mudar de vida. E eu sou candidato a deputado federal, meu número é 4558, e eu estou aqui para servir Franca, região, mas também ajudar o Brasil, como o prefeito Alexandre disse, a se tornar um país de primeiro mundo. Obrigado, Corrêa, GCN e todo mundo.
Corrêa Jr. - Obrigado, João Rinoceronte. Boa sorte na campanha.
João Rinoceronte - Valeu.
Fale com o GCN/Sampi!
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