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'Ele voou no meu pai', diz filha de suspeito de assassinato

Por Ariane Jud | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Ariane Jud/GCN
Homem sendo conduzido à DIG de Franca
Homem sendo conduzido à DIG de Franca

A filha de José Roberto Alves de Aguiar, de 75 anos, preso pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca após a morte do próprio cunhado, em um confronto ocorrido no dia 4 de junho, em uma chácara de Cristais Paulista, afirmou que o pai agiu em legítima defesa. Segundo ela, o tio apresentava comportamento agressivo quando consumia bebidas alcoólicas e teria entrado na propriedade armado com um facão.

Histórico de conflitos

De acordo com a filha, os pais acolheram o homem durante anos, depois que ele teria sido afastado do convívio com outros familiares em razão do vício em álcool. Ela contou que a família chegou a alugar cômodos, conseguir empregos em sítios e providenciar um espaço para que ele pudesse morar.

“Meu pai e minha mãe acolheram ele a vida inteira. A família dele jogou ele na rua porque ele era alcoólatra”, relatou.

Ainda segundo a mulher, o tio apresentava episódios de agressividade quando consumia bebidas alcoólicas e já teria ameaçado pessoas com uma faca. Em algumas ocasiões, conforme o relato, familiares precisaram ser chamados para buscá-lo nos locais onde estava morando.

Internação e acompanhamento da família

A mulher também contou que o tio chegou a ficar 40 dias internado em Ribeirão Preto e que ela costumava visitá-lo aos sábados. Segundo ela, a família continuou acompanhando a situação mesmo depois que outros parentes se afastaram.

“Todo mundo isolou ele. Então, a única família que ele tinha era nós”, afirmou.

Sobre o dia do confronto, a filha relatou que, conforme informações recebidas de um vizinho, o homem estaria alterado e teria entrado na propriedade armado com um facão.

Na versão apresentada pela família, José Roberto utilizou uma arma de fogo para se defender após ser ameaçado.

“Ele voou no meu pai. Ele voou para um facão. Para se defender, ele teve que atirar”, disse.

A filha também afirmou que o pai possui porte e posse de arma há mais de 25 anos e que, segundo ela, nunca havia utilizado o armamento anteriormente.

Família diz que não esperava morte

A entrevistada contou que, apesar do comportamento agressivo do tio quando estava alcoolizado, a família não acreditava que a situação terminaria em uma ocorrência com morte.

Segundo ela, quando estava sóbrio, o homem apresentava outro comportamento e tentava trabalhar, mas mudava após consumir álcool.

“Quando ele estava são, ele era uma boa pessoa. Ele tentava ser trabalhador. Só que ele se transformava”, afirmou.

A filha disse que o pai ficou abalado após o episódio. Ela também relatou que os pais passaram a enfrentar problemas de saúde depois do ocorrido.

“Meu pai e minha mãe, meus dois estão doentes. Eles ficaram doentes”, contou.

Prisão pela DIG

Sobre a prisão do pai pela DIG, a filha afirmou ter ficado surpresa ao saber que ele havia sido localizado e levado à delegacia. Segundo ela, José Roberto já havia prestado depoimento e apresentado sua versão sobre o caso.

“Foi um choque. Meu pai não está foragido. Ele deu o depoimento dele, fez a defesa dele”, afirmou.

A família sustenta que José Roberto agiu para se defender durante o confronto. A alegação deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis pela investigação, que apuram as circunstâncias da morte.

Relembre o caso

Carlos Lopes da Silva, de 68 anos, foi encontrado morto na manhã de quinta-feira, 4 de junho, dentro de um cômodo nos fundos de uma propriedade localizada em um condomínio de chácaras no bairro Alvorada, em Cristais Paulista.

A vítima havia sido atingida por um disparo de arma de fogo no peito. No local, os policiais encontraram um facão próximo ao corpo e vestígios de sangue na área externa da residência.

O cunhado da vítima, de 75 anos, foi apontado inicialmente como principal suspeito. Após as diligências, ele foi localizado e preso pela DIG de Franca.

A investigação segue para esclarecer a dinâmica do confronto e as circunstâncias que resultaram na morte de Carlos, incluindo a alegação de legítima defesa apresentada pela família de José Roberto.

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