A Justiça marcou para o dia 8 de outubro, às 8h, no Fórum de São Joaquim da Barra, o julgamento do policial militar Iuri Pereira de Oliveira, de 27 anos, acusado de tentativa de homicídio contra Luís Felipe de Souza Honorato Pardinho, de 21 anos.
O PM está preso no Presídio Romão Gomes, na capital paulista. O crime ocorreu em fevereiro de 2025, em um loteamento de São Joaquim da Barra.
Iuri estava de folga e acompanhado da namorada quando se envolveu em uma discussão com Luís Felipe e amigos dele. Segundo o boletim de ocorrência, a confusão teria começado por causa de som alto.
O jovem foi atingido por disparos, mas sobreviveu. A defesa do policial sustenta que a dinâmica dos fatos não ocorreu da maneira apresentada pela acusação e buscará no Tribunal do Júri o reconhecimento da inocência do réu.
Jovem foi atingido no peito
Segundo o registro policial, após uma abordagem a um jovem de 20 anos, Iuri teria entrado novamente no carro pelo lado do passageiro e começado a manusear um objeto.
Os amigos de Luís Felipe disseram ter percebido que se tratava de uma arma e que o policial estaria colocando munições.
Na sequência, ainda conforme o boletim de ocorrência, Iuri saiu do veículo e efetuou três disparos contra Luís Felipe, que foi atingido no peito. Os amigos, que afirmaram não conhecer o policial e disseram estar desarmados, socorreram o jovem e o levaram à UPA (Unidade de Pronto Atendimento).
Enquanto Luís Felipe recebia atendimento médico, o suspeito teria passado em frente à unidade de saúde e mostrado a arma aos amigos da vítima em tom de ameaça, segundo os relatos registrados na ocorrência.
A PM (Polícia Militar) foi acionada, mas inicialmente não encontrou o veículo. Posteriormente, uma denúncia informou que uma das pessoas que estava no carro era a namorada do policial e que os dois moravam juntos havia cerca de três meses. As características do veículo também foram confirmadas.
Policial apresentou outra versão
Os policiais foram até a residência do casal, onde Iuri se identificou como integrante da 3ª Companhia do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) de Ribeirão Preto.
Segundo o boletim de ocorrência, ele estava nervoso e apresentava falas desconexas.
Iuri apresentou uma versão diferente para o episódio. Disse que teria sido atacado por três homens armados enquanto estava no loteamento, conseguiu tomar a arma de um deles e efetuou os disparos para se defender.
Munições e outros materiais foram encontrados
Durante as buscas no apartamento, a namorada do policial afirmou inicialmente que não havia arma de fogo no imóvel, mas informou a existência de 22 munições: 19 de calibre .38, uma de 9 mm e duas de calibre .40. Outra munição de 9 mm também foi localizada.
No quarto do casal, os policiais encontraram uma pochete com 26 pinos de cocaína vazios.
Ainda segundo o boletim, a partir desse momento, Iuri e a namorada passaram a apresentar comportamento considerado suspeito e recusaram a continuidade das buscas.
No veículo do policial foram encontradas manchas de sangue, além de um distintivo da Polícia Civil e um espargidor de spray de pimenta pertencente à Polícia Militar.
Questionado sobre os objetos, Iuri teria informado que só prestaria esclarecimentos perante um juiz.
Defesa buscará inocência no júri
Em nota, o advogado Márcio Antonio Sousa Ferreira da Silva, que representa Iuri, afirmou que apresentará ao Conselho de Sentença os elementos que considera necessários para o esclarecimento dos fatos.
Segundo o advogado, a defesa sustenta desde o início do processo que a dinâmica dos acontecimentos não corresponde à versão apresentada pela acusação e que as provas produzidas nos autos demonstram circunstâncias que considera essenciais para a compreensão do caso.
A defesa também afirmou confiar na soberania do Tribunal do Júri e estar preparada para apresentar aos jurados sua versão dos acontecimentos, buscando o reconhecimento da inocência de Iuri.
O julgamento está marcado para as 8h do dia 8 de outubro, no Fórum de São Joaquim da Barra.
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