SABATINAS 2026

Mariana defende mais mulheres no poder e combate ao feminicídio

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 34 min
Giovanna Attili/GCN
Mariana Negri, candidata a deputada federal pelo PT
Mariana Negri, candidata a deputada federal pelo PT

Combate ao feminicídio, maior participação das mulheres na política e proibição das bets. Essas são algumas das bandeiras defendidas pela candidata a deputada federal Mariana Negri, do PT, durante a sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN, promovida pelo Franca Tem Voz, iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de defender o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026.

Durante a sabatina, Mariana Negri defendeu a ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder e o fortalecimento das políticas de combate ao feminicídio, além de se posicionar contra a redução da maioridade penal. A candidata também defendeu a proibição das bets, a regulamentação das big techs, a descriminalização do porte de cannabis e a ampliação das possibilidades legais para o aborto. Sobre o tarifaço dos Estados Unidos, afirmou que o Brasil precisa demonstrar soberania nacional e defendeu medidas de apoio ao setor calçadista.

O Franca Tem Voz é uma iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de estimular o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026. Idealizada em conjunto pela Acif, Cocapec, Unimed, portal GCN e Rádio Difusora, tem apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região, garantir a eleição de um deputado federal e ampliar a bancada de deputados estaduais na Alesp.

Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoitos compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.

A ordem de exibição e publicação das sabatinas foi definida por sorteio na presença dos candidatos ou representantes.

A sabatina com Mariana Negri pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.

A íntegra pode ser também lida abaixo.

A sabatina

A transcrição da sabatina da candidata a deputada federal Mariana Negri, do PT, pode ser lida a seguir:

Corrêa Jr. - Olá. Hoje, dentro do programa de sabatinas do Franca Tem Voz, que é a iniciativa que defende a valorização da votação dos eleitores em candidatos de Franca e região a deputado estadual e federal, é dia de conversar com Mariana Negri, do PT. Mariana, que tem uma carreira curiosa, né? Formou em Direito, trabalhou na Prefeitura, na área de tributos, uma área muito áspera. De lá, foi para o Ministério Público, trabalhar com improbidade administrativa. Sempre militou, mas apareceu para o grande público na última disputa, quando tentou ser prefeita. E agora disputa a vaga de deputada federal. Mariana, por que essa disputa nesse momento?
Mariana Negri - Hoje eu sou candidata a deputada federal porque eu acredito que nós precisamos de mulheres qualificadas disputando esse cargo. Nós precisamos eleger mais mulheres para a Câmara, não só para a Câmara dos Deputados, como para a Alesp e para todo o país, pelas assembleias legislativas. Nós somos quase 53% da população e somos um quinto, um quarto, no máximo, de qualquer casa legislativa. E essa sub-representação tem um preço para a nossa vida, porque onde são votados os orçamentos, onde são feitas leis, não tem pessoas como nós. E o que eu chamo de pessoas como nós? Eu costumo, eu tenho falado por aí, que é uma pessoa da vida real. Então, desde sempre…

Corrêa Jr. - Pessoa que é casada, mãe, trabalhadora.
Mariana Negri - Exato, aquela, desde sempre, trabalhando para terminar a faculdade, depois terminando a faculdade, criei minha família, nunca deixei de trabalhar. Aquela mulher que sabe a dificuldade de ter que pedir para sair mais cedo para levar o filho no médico, aquela mulher que sabe a dificuldade de dar conta das três, quatro, cinco vidas que a gente tem. Então, eu acho que eu tinha que aceitar esse desafio. Eu tive a oportunidade, dentro do meu partido, de ser candidata a deputada federal e encarei com muita coragem.

Corrêa Jr. - Mas é uma missão ou é um desafio? Ou é um desejo?
Mariana Negri - Pergunta boa. É um desafio muito grande. Ser mulher por um partido progressista no interior de São Paulo falando das pautas que eu me propus a falar têm sido um grande desafio, especialmente nas redes, que as pessoas falam tudo que pensam sem muito filtro.

Corrêa Jr. - Ou talvez falem sem pensar (risos).
Mariana Negri - Não dá para dizer que não é um desafio. Inclusive com a minha família, com os meus filhos. Todo mundo acaba sendo afetado. É um desafio, tive que conversar com a família...

Corrêa Jr. - Mas você quis?
Mariana Negri - Eu quis muito, quero muito, acho muito importante isso que eu estou fazendo, eu acho que mais mulheres têm que fazer isso. A gente precisa qualificar o processo eleitoral. O nível é muito baixo. A gente tem visto debates e sabatinas muito ruins. A gente teve os presidenciáveis, e é uma tristeza. Então, boas pessoas... E quando eu falo boas pessoas, não que eu estou dizendo que eu sou melhor que as outras pessoas, mas pessoas que estudam, pessoas que se preparam, pessoas que, quando não sabem alguma coisa, param para aprender, para estudar, para se informar. Pessoas sérias.

Corrêa Jr. - Você citou as sabatinas feitas com os presidenciáveis, feitas pelo Jornal Nacional e, por mais que a gente possa questionar, num outro momento da condição dos entrevistadores, do César Tralli e da Renata Vasconcellos, que eu admiro muito, mas acho que às vezes foram muito num assunto só, né? Então, ficavam muito tempo. Mas o fato é que, mesmo entre os estudados, porque normalmente a gente pensa o seguinte, o candidato despreparado vai ter um desempenho ruim, e aí eu não quero tecer juízo de valor sobre ninguém individualmente, mas, mesmo entre os preparados ou estudados, o nível de desconhecimento do Brasil e de como as coisas funcionam é realmente surpreendente. É estranho que, numa atividade tão fundamental como a política, que vai afetar a vida de todo mundo, os despreparados é que estejam sendo eleitos, tanto à esquerda quanto à direita, progressistas, conservadores, homens, mulheres, gays. Não tem exceção aqui. Mas é um grau de despreparo que assusta.
Mariana Negri - A gente está vivendo um momento que também tem a ver com as redes, do marketing político, do algoritmo…

Corrêa Jr. - Da lacração.
Mariana Negri - Da lacração. Então, às vezes, quem se sobressai é quem fez um corte viral e teve um bom analista, um bom gestor de tráfego, um bom fundo eleitoral para impulsionar isso. O algoritmo privilegia temas. Então, o mesmo impulsionamento para um tema feminista não tem o mesmo resultado que um tema mais conservador. Então, toda essa infraestrutura privilegia. E aí até os inteligentes, que percebem isso e querem ganhar, usam dessas…

Corrêa Jr. - Você acha que é deliberado? Entram no jogo?
Mariana Negri - As regras do jogo têm sido essas. Acho triste, porque veja que a Meta tem controlado o processo eleitoral brasileiro. O fundo eleitoral público vai qua… todas as candidaturas, vai boa parte dele inteiro, para impulsionamento no Instagram e Facebook.

Corrêa Jr. - O seu também?
Mariana Negri - Infelizmente, senão eu não tenho a menor competitividade. Eu acho um absurdo entregar fundo eleitoral para uma empresa americana, para uma empresa de… Tem mais sócios, né? Não são só americanos, mas entendeu? Nós temos os impostos brasileiros, tudo, só que a gente precisava regulamentar, regular essa internet, regular esse processo eleitoral. Eu acho que é uma caixa de abelhas, mexer numa coisa como essa, mas eu acho que a gente devia discutir.

Corrêa Jr. - Outra coisa que você falou... Eu acho interessante que você mesma falou que é uma candidatura feminina progressista no interior muito conservador. E aí eu ia além, independente do juízo de valor que se faça, o governo Lula, que polariza nesse instante a disputa com Flávio Bolsonaro, do clã Bolsonaro, ele conseguiu refrear, digamos, a antipatia dos brasileiros em boa parte do país. Então, lidera no Norte, Nordeste, no Norte também, no Sul está empatado, para minha surpresa. Santa Catarina sempre é um rincão bolsonarista ali, não é nem de direita, é bolsonarista. Na capital paulista é muito dividido, que é a metade eleitoral de São Paulo. Em Minas, divididíssimo. Mas, no interior de São Paulo, o PT continua sendo sinônimo de desgraça, de quase um nome que não pode ser pronunciado. Quase como se o fato de estar no PT, qualquer que seja o candidato, por si só, o desqualifica. Como é que você vê isso e como é que você enfrenta isso?
Mariana Negri - Isso é uma coisa terrível para mim, especialmente porque, veja, eu sempre fui petista, desde assim uns 13, 14 anos, que eu ainda não podia me filiar, mas já frequentava o partido. Me filiei, eu tirei título aos 16, mas me filiei só aos 18. Então, eu sempre tive uma coerência. Eu sempre fiz os cursos de formação quando eu era adolescente. Eu sempre conheci o estatuto do partido. Eu sei exatamente o que defende o meu partido. E aí, talvez, ter um partido tão forte assim, porque os outros não são... A gente vê os outros candidatos pulando de partido em partido, qual coeficiente tiver melhor nessa eleição, a pessoa...

Corrêa Jr. - É para onde eu vou.
Mariana Negri - Isso nunca, não existe na minha cabeça, entende? E eu nunca faria isso. Eu mudaria de partido por um motivo ideológico ou de construção, ou porque existem outros partidos progressistas que poderiam vir a construir em algum momento, mas por coeficiente eleitoral… Então, talvez o PT, por ser um partido assim - forte, coeso nesse sentido. As pessoas, a maioria dos petistas... Porque agora o PT também virou partido muito grande, nós temos mais de 2 milhões de filiados. Não dá para dizer que todos os filiados conhecem…

Corrêa Jr. - São iguais, né?
Mariana Negri - E sabem exatamente, são iguais. Mas eu sou da velha guarda. Eu ainda era da época de curso de formação. Então, talvez, esse vire também um inimigo, né? Porque, quando a gente está falando de facilidade no marketing, eleição é marketing.

Corrêa Jr. - Muito.
Mariana Negri - Quando a gente tem um inimigo para combater, é mais fácil de mover os corações e as mentes. É assim, foi assim em vários momentos históricos. Então, a gente tem que criar esse inimigo. No caso, foi criado o PT.

Corrêa Jr. - Mas o PT se beneficiou disso. Nos anos Fernando Henrique, até conversei com o próprio Fernando Haddad, que eu entrevistei há algumas semanas e disse para ele ‘olha, se arrependimento matasse, acho que vocês tavam (risos)’, porque era assim, o Fernando Henrique era o câncer a ser extirpado.
Mariana Negri - Mas é marketing isso, sabe, sempre vai chegar alguém e falar: ‘Se a gente criar um inimigo, se a gente fizer isso’, e é errado.

Corrêa Jr. - Sim, é errado. Você tira a discussão, tira a discussão do que é melhor para um grupo, um país, um Estado, uma cidade, e passa a discutir o seguinte: ‘se é dela, ou dele, ou de quem for, não me serve’. Só porque é dela.

Mariana Negri - Fica muito mais fácil quando você cria esse inimigo. E aí o PT era o inimigo, assim como o PT fez o FHC de inimigo naquele momento. Você tem toda razão.

Corrêa Jr. - Você reconhece, como petista histórica, esse erro, né?
Mariana Negri - Ah, sim, né? Porque hoje a gente olha para trás e eu vejo…

Corrêa Jr. - Está com saudade (risos).
Mariana Negri - Saudades do Serra, por exemplo, no governo do Estado. Muitas saudades do PSDB.

Corrêa Jr. - Você tem uma pauta de enfrentamento ao feminicídio muito clara. O Brasil tem leis para combater esse crime, mas as mulheres continuam sendo mortas e me surpreende mais ainda esses movimentos da nova extrema-direita - eu não sei nem se eu podia chamar assim, porque é uma coisa tão aberração - que são mulheres defendendo a redução dos seus próprios direitos. É baseado numa leitura ignorante de textos religiosos. E aí, por exemplo, tem gente defendendo a monarquia religiosa no Brasil, como aquela Pietra, né? Ou, nos Estados Unidos, o fim do voto feminino. Como é que você vê essa discussão nesse momento?
Mariana Negri - De novo é marketing. A própria Pietra é um puro suco, é um produto feito pela extrema direita, neoextrema direita, nova extrema direita (risos).

Corrêa Jr. - Não sei, ainda precisa inventar o nome. Talvez seja o velho fascismo.
Mariana Negri - Porque, veja, se ela fosse uma mulher conservadora do lar, ela não já estar na internet o tempo todo, fazendo e acontecendo e aparecendo. O que eu gostaria muito é de encontrar uma dessas mulheres para perguntar por que elas não estão em casa (risos). Brincadeiras à parte.

Corrêa Jr. - Agora é por que não está com um lenço na cabeça, como Amélia?
Mariana Negri - É, por que ela não está fazendo um bolo? Por que você está fazendo um podcast? É um questionamento muito pertinente, mas eu entendo que alguém produziu isso, é coordenado, começou nos Estados Unidos e lá está muito forte. Eles estão levando muito a sério esse negócio de mulher não votar. Eu comecei a receber, depois há uns… Eu tenho falado dessa pauta feminina com bastante, assim, ênfase, desde o comecinho do ano. Quase todos os dias têm algum vídeo sobre alguma pauta da mulher. Mas, há um mês atrás, eu comecei a so… Tudo bem que se aproximou da eleição, mas eu comecei a sofrer muitos ataques, assim, no privado, de “mulher não devia se candidatar”, “desde que mulher resolveu se meter com política, virou essa confusão no Brasil”, “vocês, mulheres, tinham que voltar…” Muitos, Júnior, quase todo dia me chega um desse.

Corrêa Jr. - Tem alguns podcasts muito interessantes nos Estados Unidos agora, acho que está todo mundo meio assustado, e é curioso, mas o cara vai entrevistar algumas dessas mulheres, e ele pergunta: “Olha, mas por quê?”. E aí a mulher falando, uma entrevistada, ela diz: “Olha, é porque nossos hormônios são muito instáveis. Nós não temos condição de liderar”. Aí ele fala: “Como assim?”. Ela falou: “Não, porque imagina se nós comandássemos os países, o tanto de guerra que não ia ter, nos Estados Unidos, a gente já…” O cara pergunta: “Quantas guerras foram iniciadas por mulheres?” Aí ele fala: “Nenhuma”. Aí ela fala: “Mas os hormônios…”. A ciência, na verdade, mostra que vocês têm mais condição de lidar com estresse do que homens, porque os hormônios são que permitem a concepção…
Mariana Negri - Aguentar um monte de criança (risos).

Corrêa Jr. - Aguentar, é isso. Ela fala: “Pois é, mas acho que a gente não devia ser”. É muito maluco isso, mas vamos falar do feminicídio. Queria ver a sua análise. Nós temos leis. Essas leis não estão funcionando. Nós já passamos aí por dois mandatos do Lula, um e meio da Dilma, mais um do Lula, fora o interregno. Não está funcionando. Mulheres continuam sendo mortas, muitas vezes apenas por serem mulheres. Como é que você pode enfrentar isso como deputada federal? O que você pretende fazer?
Mariana Negri - Olha, vou te dar um exemplo muito claro. É um problema muito complexo e vai ter uma solução complexa. O Pacto Nacional contra o Feminicídio começou a dar uma esperança de como a gente pode organizar isso. Por que eu falo “começou”? Porque precisa dos estados se envolverem, de todas as partes se envolverem. Mas a ideia é os três poderes. Então, o Judiciário se articular com o Legislativo, que vai fazer leis, e com o Executivo. E aí os governadores têm que se envolver para que a gente coloque a rede de proteção para funcionar e a Lei Maria da Penha para funcionar. Porque a nossa Lei Maria da Penha não funciona na prática. Ela é muito bonita no papel. Quase tudo que a gente precisa está escrito lá, só que, na vida real, nós não temos delega… Nós não temos orçamento. Aí esbarra no orçamento. “Ah, teve a Lei Maria da Penha.” Tudo bem, mas todo ano tem uma votação de orçamento que a população não acompanha, não se importa.

Assim, o deputado que você votou, votou como o orçamento? Aí chegou o orçamento para a segurança no Estado de São Paulo. O governador que você votou, na Assembleia Legislativa, mandou como esse orçamento? Então, esse ano são… E aí por que que eu falo que começou a dar certo? Os números do primeiro semestre no Brasil diminuíram em 2,5% o número de feminicídios. Pouquíssimo, mas houve uma queda. No estado de São Paulo houve, no mesmo período, um aumento de 10%. Então, perceba que, se não fosse São Paulo, essa queda ia ter sido bem melhor.

Corrêa Jr. - Os números nacionais seriam melhores.
Mariana Negri - E o que pode explicar isso? Seria leviano falar que é certeza absoluta isso que eu vou falar, porque precisaria de um estudo, mas eu estimo que seja, por exemplo, o corte de orçamentos que teve da Secretaria de Mulheres. A Secretaria de Mulheres tinha um orçamento que caiu assim quase que totalmente, muito pequeno. Então, teve que fechar Delegacias da Mulher em algumas cidades. Já tinha poucas, e fechou algumas. O próprio… Aí, separadas as cidades que usam delegacia normal, a própria Polícia Civil está totalmente falida, sem orçamento, sucateada. Então, você não tem uma estrutura. E eu estou falando só da policial, né? Que a gente teria que pensar em várias outras. Porque para a Maria da Penha… Maria da Penha prevê curso para esses homens agressores - quase nenhum… -, que seria nas comarcas. Quase nenhuma comarca do Brasil colocou em prática até hoje.

Corrêa Jr. - Mas o Judiciário, que você faz parte, também não está surpreendentemente machista e conservador neste momento?
Mariana Negri - Mas eu tenho absoluta clareza disso e tranquilidade para falar. O Judiciário é estruturalmente machista. Ponto.

Corrêa Jr. - Vamos lá. Gostei dessa clareza sua (risos). Você também quer combater a misoginia, mas aí eu vou fazer um contraponto. Não está ficando histriônico demais? Você falou uma frase que eu repito muito: não há soluções simples para problemas complexos. Esse é um dos desafios desse momento no Brasil e, aliás, no mundo, nos Estados Unidos também. Porque as pessoas preferem continuar acreditando na bala de prata. O sujeito que fala: “É uma patacoada. Eu vou resolver assim, pronto, acabou. Me elege, o que está aí não presta e aí eu vou tirar tudo, vou resolver tudo”. E a gente sabe que não é assim. É impossível.

E aí tem pouca disposição para discutir assuntos complexos. Tamanho do Estado, de onde é que nós vamos cortar? O servidor público tem que ser estável, mas a estabilidade absoluta também impede a punição do mau servidor. Uma série de coisas.

Mas, na misoginia, se a gente pegar, para algumas mulheres, parece que eu lembro uma época, nos Estados Unidos, um país profundamente racista, e aí você tinha aqueles pós-luta dos direitos civis, os Black Panthers e os Pink Panthers que eram movimentos de afirmação, mas eles eram tão radicais que alguns chegavam a arrancar os dentes, que era para não ter branco por perto, que era quase que uma aversão ao oposto. Eu te falo: alguns discursos de mulheres feministas parecem ter ódio de homens ou ter ódio de coisas naturais. Uma cantada virou uma agressão absurda. Se você está num embate político com uma mulher e você fala para ela, você está no calor de um debate e fala “ah, fica quieta”, aí já é uma agressão. Não tinha que achar um meio-termo de entender o que é misoginia mesmo, que é o desprezo absoluto por alguém pela condição de ser mulher, do que é um embate natural, ou do que é o flerte, ou do que é uma cantada, ou do que é uma coisa qualquer? Esse meio do caminho não está faltando razoabilidade também?
Mariana Negri - Eu acho que não tem muito esse meio do caminho. Eu acho que é tudo narrativa de internet. A Lei da Misoginia, ela não vai punir uma cantada. Ela vai punir, lembra a trend que teve esses tempos para trás do “treinando caso ela diga não”?

Corrêa Jr. - Sim.
Mariana Negri - Aquilo é um exemplo de misoginia.

Corrêa Jr. - Perfeito. Misoginia.
Mariana Negri - E hoje em dia, gente...

Corrêa Jr. - Ou o discurso que tem para adolescentes, como se ele tivesse o direito de impor a mulher uma… ficar com ele, uma conduta qualquer.
Mariana Negri - Eu tenho um filho de 12 anos…

Corrêa Jr. - Eu também, eu tenho um. Um pouco mais velho.
Mariana Negri - Então, eu tenho acompanhado isso (risos). Quase tudo que ele assiste, por mais que seja sútil, é machista. O algoritmo, e aí eu vou lá, claro, vou tentando contornar o algoritmo… E aí eu fiz alguns estudos para gravar alguns vídeos sobre isso. O algoritmo ele remunera, então a maioria desses perfis misóginos estão monetizados. O que é um absurdo é a gente monetizar discurso de ódio, que está fazendo morrer quase cinco mulheres por dia. Cinco a cada 25 horas.

Corrêa Jr. - Então você não é uma xiita nisso?
Mariana Negri - >Não, e aí eu volto… Eu queria te falar uma coisa importante. Os homens precisam se envolver nessa discussão.

Corrêa Jr. - Claro.
Mariana Negri - Então, eu não quero os homens como inimigo. Eu quero os homens entendendo que não é aceitável os maridos matarem as mães dos seus filhos. E hoje acontece cinco vezes por dia e 20% no Estado de São Paulo, e dois terços é no interior.

Corrêa Jr. - Vamos lá. Franca não elege um deputado federal há 20 anos. Nós tivemos a última eleição, Dr. Ubiali, em 2006. Depois ele ocupou uma suplência, na sequência, mas eleição mesmo, que a gente comemorou uma cadeira para Franca é em 2006. Por que com você seria diferente?
Mariana Negri - Eu tenho uma esperança nessa grande pauta. Eu acho que eleição legislativa é nicho. Eu estou tratando com mulheres. Eu estou conversando com mulheres do Estado todo. Estou conversando com muitas mulheres aqui em Franca.

Eu acho que, depois dessa eleição, a gente vai ter um saldo muito positivo com as mulheres francanas, porque eu não estou fazendo campanha assim: “Vote em mim”. Eu estou fazendo campanha de “vamos sentar e discutir a vida, nossa vida”. Então, eu vejo muitos benefícios. Eu acho que a internet é uma grande aliada. Porque assim, Franca tem dificuldade e muito… Esses números eu tirei do GCN. A questão dos números…

Corrêa Jr. - Fonte confiável.
Mariana Negri - Fonte confiável demais. A questão dos números de eleitores, você sabe que Franca não vai eleger alguém sozinho. E, antes, a internet tinha menos impacto. Em 2022 já teve muito, né? Mas eu acho que agora que a gente aprendeu, 2022 foi pandemia, meio no susto. Então, eu acho que agora Franca, a cidade do interior como um todo, tem mais possibilidades de eleger pessoas por conta das redes, que, se a gente souber usar essas redes, a gente pode eleger mais de um francano, inclusive.

Corrêa Jr. - Vamos torcer. Olha, o café, a gente está vivendo o drama do tarifaço.
Mariana Negri - Sim.

Corrêa Jr. - O café faz parte da lista de exceções, a carne também, as frutas também, e a gente aqui, particularmente, tem produção de carne, produção de café, muita. Mas o calçado ficou. Está lá com 37,5% de taxação. Na sua opinião, de quem é essa responsabilidade e o que, como deputada federal, você poderia fazer pelo setor?
Mariana Negri - Responsabilidade eu acho que ela pode ser dividida em alguns atores aí da política internacional, inclusive das relações do Brasil com os Estados Unidos. Prefiro não citar nomes, mas todo mundo que está nos ouvindo sabe quem fez lobby pelo tarifaço.

Corrêa Jr. - Os Bolsonaro.
Mariana Negri - Que afetou Franca e, paradoxalmente, Franca gosta muito desses personagens, ou pelo menos de alguns deles. Então, é um momento, inclusive, do empresário francano se perguntar se ele está correto nessa questão ideológica.

Corrêa Jr. - O que você fará lá, caso eleita?
Mariana Negri - Vai precisar fazer muita pressão, mas, eu acho que vai precisar fazer…

Corrêa Jr. - Mas, para o setor?
Mariana Negri - Para o setor, nesse momento, vai ter que ter isenção de alguma coisa, que aí vai ter que ter um estudo. Não vou ser leviana aqui de falar qual seria essa isenção, mas vai ter que ter ajuda do governo. Infelizmente, o Brasil vai ter que pagar essa conta dessa gracinha, até a gente conseguir desfazer a gracinha.

Corrêa Jr. - Como deputada federal, você vai ter 40 milhões em emendas por ano. Metade tem que ser vinculado à saúde e a outra metade pode ser de destinação livre. Para onde você vai mandar esse dinheiro?
Mariana Negri - Pretendo mandar para boas causas e para nossa região, é claro.

Corrêa Jr. - Cite algumas.
Mariana Negri - Existe muito trabalho muito bom na região. Eu vou dar um exemplo de um lugar que eu estive esses dias, que foi a APAAF. Eles estavam me contando... A Flávia, que é a presidenta, ela estava me contando que eles vivem de emenda, só que as emendas duram um ano. Acabaram as emendas e eles tiveram que mandar embora os atendidos. Então, eu estive conversando com as mães. Nós estamos numa realidade com muita falta de saúde mental para criança em Franca, para atendimento dessa população. E aí a gente vê… Foi muito triste ela contando que agora ela só está com um ou dois profissionais, mas está atrás de novas emendas.

A gente não devia… A primeira coisa é, claro, que essas emendas vão para esses lugares que trabalham corretamente e não para fazer jogo político, que muitos só dão emenda para cobrar depois os votos.

Então, não tenha dúvida que eu teria transparência total. Mas eu acho, Júnior, que a gente tem que começar a discutir que deputado tem que fazer política pública, votar orçamento e brigar por orçamento, para que a gente não dependa de emenda o resto da vida. O tratamento, nesse exemplo, o tratamento dos autistas, as crianças autistas francanas não podem depender do político A, B ou C...

Corrêa Jr. - Que vai conseguir emenda.
Mariana Negri - Trazer uma emenda para depois cobrar esses votos, porque é assim que a maioria pensa. A gente precisava ter orçamento garantido para o atendimento da saúde infantil. Então, eu… E outra coisa: essas emendas tendem a não ser eternas. O STF está julgando a constitucionalidade dessas emendas. Então, por mais que a gente…

Corrêa Jr. - Especialmente as emendas impositivas. E o orçamento secreto.
Mariana Negri - Nossa, então! Mas aí vão cair muito esses R$ 40 milhões, quando isso acontecer. Então, eu acho que a gente... Se as emendas existem, elas têm que ter lastro. Então, eu acho que a gente deveria acompanhar, além de não ser secreta, a gente deveria acompanhar o resultado desse dinheiro. Mas eu acho que a briga devia ser por outras coisas, por leis, por orçamento, por política pública, política pública perene.

Corrêa Jr. - A PEC da segurança está no Senado neste momento, talvez volta para Câmara, enfim, pode ser um tema que você vai ter que discutir, caso eleita. E aí, você vota a favor ou contra a PEC da Segurança e por quê?
Mariana Negri - Ela não é 100% perfeita. Mas eu acho que, de forma geral, as ideias principais… Principalmente, a questão do SUS, né? O SUSP, que é o SUS da segurança. Eu acho que dialoga muito com o que a gente falou do Pacto Nacional do Feminicídio, que acaba sendo segurança pública também. Se a gente não fizer, se a gente não unir todos os governadores de forma coerente, porque hoje o que o MP de São Paulo investiga, o MP de Minas... A gente está aqui do lado, e não tem troca de informações.

Corrêa Jr. - Mas você não acha, aí você falou, você reconhece a importância do marketing político para vencer, para conseguir fazer o que você pretende fazer. E aí eu digo: não parece, às vezes, essa enorme dificuldade que a esquerda tem de fazer um enfrentamento claro de algumas questões que são importantes? E aí eu queria te colocar o seguinte: às vezes, no Brasil, a esquerda parece aquele médico que não perde a condição de dar sermão mesmo quando o paciente dele está na UTI. Então, assim, o cara não fez exercício, não cuidou, infartou, está lá. Aí o médico, ao invés de estar cuidando do coração dele, fala: “Depois eu converso com ele sobre essas outras coisas”. Está lá falando: “Mas você tinha que ter feito exercício”. O cara falou: “Mas hoje eu não fiz. Eu estou aqui. Eu preciso viver”. Porque, olha, tudo bem, tem uma série de ideias interessantes na PEC da Segurança, mas, de novo, olha: a gente continua com problemas terríveis no Brasil de segurança. Nós não temos tropas federais e a PEC da Segurança não cria, né? Então, por exemplo, você tem uma área dominada pelo crime organizado. As Forças Armadas não são adequadas para esse tipo de função. A Polícia Federal não tem contingente, nem é para esse tipo de coisa. Aí tem aquela polícia que junta meia dúzia de PMs de cada estado, que não resolve nada. Por que que o Lula não aproveitou para criar: “Olha, vamos ter 20 mil soldados treinados para operações”? Não tem. É muita… Toda vez que vai se discutir a questão de segurança, volta naquela questão: “Mas ele é também, coitadinho, que é uma vítima. Ele não teve condição”. Tá, eu reconheço isso. Mas o fato é que, às vezes, esse coitadinho que não teve condição, e ele realmente é produto de uma circunstância, mas ele está matando os outros, né? Ele está matando. Não há um brasileiro que viva numa situação de plena segurança. Te falo por Franca. Em tese, pelas estatísticas oficiais, Franca é a terceira cidade mais segura do estado de São Paulo. E eu não conheço nenhum amigo meu que fale, e eu duvido que você, de esquerda, mãe de um adolescente de 12 anos, vai falar: “Eu estou na terceira cidade mais segura. Meu filho pode sair à noite lá na Vila Raycos, ir no City Petrópolis e no Aeroporto, que eu não vou me preocupar”. Ou ir no Centro. Nós ficamos preocupados. Então, não falta um pouco de coragem de enfrentar essa questão?
Mariana Negri - Aí a gente vai voltar de novo na questão do marketing político e dos temas complexos. Seria muito mais fácil para mim chegar aqui e falar: “Vai aumentar as penas, vou contratar mais policiais e vou armar os guardas civis municipais”, que são essas coisas fáceis que a direita fala. E a gente teve aumento de pena do feminicídio e aumentou 10%. Então, não tem como eu falar coisas fáceis e eleitorais e que vão me dar bom, entendeu? Aí a gente tem que falar as coisas chatas e difíceis. Precisa dessa lei, que é bonita, igual à Lei Maria da Penha é bonita. Aí a gente aprova, porque eu achei ela bonita (risos). Aí a gente aprova, só que não consegue pôr em prática por esses motivos que você já trouxe aqui. Não existe contingente, não existe dinheiro, não existe orçamento.

Corrêa Jr. - Não tem tropa, não tem nada.
Mariana Negri - Então a gente precisa, lá no orçamento, brigar por orçamento para segurança pública.

Corrêa Jr. - Mas não tem que ter disposição do governo fazer também?
Mariana Negri - Tem que ter disposição do governo e dos governadores, principalmente, porque o Lula está tendo muita dificuldade com os governadores

Corrêa Jr. - Maioridade penal, vamos falar disso, já que você tocou no ponto.
Mariana Negri - Não, aí não.

Corrêa Jr. - Você é contra a redução da maioridade penal?
Mariana Negri - Sou contra. Eu acho que a gente tinha que educar melhor nossos jovens, a falha é nossa.

Corrêa Jr. - Tá, mas vou ser específico nisso, eu não estou falando de marketing. Quando eu estou falando de maioridade, nós não estamos falando de uma criança necessariamente. Se bem que teve candidato que defendeu a abolição da maioridade penal, mas não é o seu caso, nem o caso da maior parte de quem eu já entrevistei, mas vamos lá. Alguém de 17 anos, faccionado, com vários homicídios ou acusações de homicídio, é legítimo que a punição máxima aplicável a ele hoje seja três anos de internação?
Mariana Negri - O problema hoje é o sistema judiciário lento. A gente tem 40% de presos provisórios no sistema carcerário adulto que ainda não foram julgados.

Corrêa Jr. - Mas nessa questão...
Mariana Negri - A gente não pode correr esse risco, Júnior.

Corrêa Jr. - Você é contra, então?
Mariana Negri - Sou contra. Por enquanto, quando a gente tiver um bom sistema...

Corrêa Jr. - Vamos lá, a reforma tributária foi aprovada. Está aí, entra em vigor no começo do ano. Tem muitas dúvidas ainda sobre como ela vai impactar na prática. Você já conseguiu entender essa reforma tributária e você está otimista ou pessimista?
Mariana Negri - Eu quero acreditar que eu estou otimista, especialmente aqui para a nossa região. A questão da guerra fiscal, de você tributar onde se vende produto e não onde se faz o produto, eu acho que, de tudo aí, tem muita informação mesmo. Algumas são confusas. Mas, de tudo aí, de forma prática para a gente, tanto vai tirar os impostos para exportação, que a gente precisa. A gente perdeu, né? Essa foi a primeira vez desde 1997 que o Brasil importou mais sapato do que exportou. Então…

Corrêa Jr. - Mas você não acha que, por exemplo, ninguém… Eu vou te falar, não é nenhuma… Para todo mundo que está assistindo, a gente: se você não entendeu nada, é normal, porque eu entrevistei o Haddad e eu não consegui entender o que ele me explicou. Então, assim, está difícil.

 

Mas, por exemplo, se não pode correr o risco do efeito “blusinha”, que é especialmente naquela... Você teve toda a pejotarização, nos últimos anos, dos informais que estavam lá no dinheirinho, né? O cara que vende coco na praia, não temos praia aqui, é o cara que vende salgado aqui, a mulher que faz um bolo. E aí usava dinheiro e passou a usar Pix e tal. E, de repente, esse dinheiro sem origem, ainda que num valor pequeno, pode ser retido mediante uma comprovação que ela tem que fazer e já vai cobrar esse imposto. Você não acha que isso pode virar uma enorme revolta das pessoas contra o governo, qualquer um que seja, que esteja lá?
Mariana Negri - Ah, eu acho que a gente precisa organizar isso para que não aconteça. É boa. A reforma foi boa.

Corrêa Jr. - Você acredita que ela vai ser boa?
Mariana Negri - Mas eu quero explicar o motivo de porque eu acredito que é boa. A gente não ter mais guerras fiscais entre os estados.

Corrêa Jr. - Você acha que isso é o principal ganho?
Mariana Negri - Para Franca? Sim. E a parte de tirar os impostos para exportação, porque pode ser que a gente consiga equilibrar a balança.

Corrêa Jr. - Na sua opinião, a gente passou por uma tentativa de golpe de estado ou não?
Mariana Negri - Passou.

Corrêa Jr. - E teve o veto da dosimetria que foi derrubado, mas ainda está retido lá por uma decisão monocrática do Ministro do Supremo. Você defende a redução dessas penas ou não?
Mariana Negri - Pergunta difícil, porque eu não acredito no sistema carcerário. Então, assim, sempre que você falar em aumentar pena, em colocar essas pessoas na cadeia, eu vou enxergar muito mais pelo lado, assim, de dar uma resposta para a sociedade, que tem suas vontades humanas, seus sentimentos, do que algo que, de fato, vá melhorar sua segurança e a vida deste país. Porque hoje o sistema carcerário - além de ter inúmeros problemas, que a gente pode tratar um dia, não vai dar tempo agora - é a grande base de recrutamento do crime organizado. É um fato. Tem livros publicados.

Corrêa Jr. - Mas me diga, no caso dos condenados pelo 8 de janeiro.
Mariana Negri - Eu acho que eles têm que ser condenados de forma exemplar, porque a gente está falando da soberania nacional do Estado democrático de direito. Imagina, eu fico imaginando… é um absurdo.

Corrêa Jr. - Então você é contrária à redução de penas nesse caso?
Mariana Negri - Sou contrária.

Corrêa Jr. - As bets são um outro assunto nacional hoje em dia. Há estudos que apontam que o endividamento das famílias brasileiras não veio por compras, financiamento, nem nada? Vem essencialmente por canetas emagrecedoras e por apostas. Essas canetas têm um benefício ainda. Mas as bets tem gente que questiona. Você é a favor das bets ou contra? Você defende o banimento das bets?
Mariana Negri - Eu defendo, algo bastante ruim para o marketing, que é proibir bets. Não tem que regulamentar. Tem que proibir.

Corrêa Jr. - Ali não é uma questão nem de regular mais.
Mariana Negri - O Bolsa Família está indo muitos porcento para bets, e é um absurdo. A gente tinha que proibir.

Corrêa Jr. - Vamos lá, você falou também, eu entendi que você é a favor da regulação das big techs, das grandes empresas que hoje em dia realmente está, por mais que tem um marco regulatório, ele deixa a desejar.
Mariana Negri - A gente precisa, no mínimo, desmonetizar conteúdos racistas, homofóbicos, misóginos. No mínimo, eu gostaria de banir. Essas redes, que aí sim é bem grave, que envolvem Discord, Roblox…

Corrêa Jr. - Do Discord, você defende o banimento ou…?
Mariana Negri - Se a gente não tiver condição de controlar, tem que banir. Gostaria de ter condição de controlar, mas acho que não é possível agora.

Corrêa Jr. - Vamos lá. Pinga-Fogo aqui, jogo rápido, são perguntas, você me responde “sim”, “não”, ou, no máximo, dar uma explicação muito curta. Anistia ampla ao 8 de janeiro?
Mariana Negri - Não.

Corrêa Jr. - Fim da escala 6x1?
Mariana Negri - Sim.

Corrêa Jr. - Supersalários acima do teto constitucional, especialmente no judiciário?
Mariana Negri - Tem que acabar tudo, é um absurdo.

Corrêa Jr. - Nem penduricalho, nada?
Mariana Negri - Eles só existem por causa dos penduricalhos. É imoral.

Corrêa Jr. - Legalização do aborto?
Mariana Negri - Com uma regulamentação sensata. Não pode ser totalmente livre, mas não pode ser como está agora.

Corrêa Jr. - Você defende então uma ampliação do que a lei defende hoje?
Mariana Negri - Uma ampliação das possibilidades.

Corrêa Jr. - Descriminalização do porte de drogas?
Mariana Negri - Sou a favor.

Corrêa Jr. - De todas as drogas?
Mariana Negri - De todas as drogas nesse momento não. De forma teórica, sim. Mas o Brasil, neste momento, ainda não pode.

Corrêa Jr. - Não teria condições.
Mariana Negri - Não, mas da cannabis sim.

Corrêa Jr. - O Brasil deve retaliar os Estados Unidos pelo tarifaço ou não?
Mariana Negri - O Brasil deve mostrar que aqui a gente tem soberania nacional. Não sei... Retaliar talvez seja forte.

Corrêa Jr. - Reforma administrativa mudando a estabilidade do servidor público?
Mariana Negri - Isso aí é um pouco controverso, porque embora eu concorde com você que existem muitos servidores que se acomodam, existe também o benefício da estabilidade, que é muito importante para o Brasil ou para qualquer ente público. Então, eu precisaria aprofundar para chegar numa conclusão. Tem que estudar (risos).

Corrêa Jr. - Mandato fixo para ministro do Supremo?
Mariana Negri - Também mesma linha. Ele precisa ter estabilidade, mas também, quando ele entra muito novo, um mandato de 60, 40 anos…

Corrêa Jr. - Tem uns que vão ficar lá por gerações.
Mariana Negri - Talvez a gente precisaria também se debruçar sobre o tema.

Corrêa Jr. - Reeleição para presidente? Sim ou não?
Mariana Negri - Sim.

Corrêa Jr. - E o Estado Laico?
Mariana Negri - Totalmente laico.

Corrêa Jr. - Mariana, você tem um minuto para suas considerações finais.
Mariana Negri - Bom, gente, quero falar com vocês que estão assistindo, de novo eu acho que a gente precisa falar sobre a importância de saber votar para deputado. Também uma pesquisa que o GCN divulgou, que o francano não se lembra em quem votou para deputado nas últimas eleições. E é o deputado que faz as principais leis que moldam a nossa vida. Eles que decidem orçamento. Então, se vai ter ou não vai ter dinheiro para segurança, para saúde, para moradia, foi tudo votado lá, onde nós costumamos não estar. Lá, normalmente, é ocupado por homens, brancos, mais da elite. Existe lá a bancada da bala, do boi e da Bíblia. A gente precisa ter uma bancada de trabalhadores, uma bancada de povo, uma bancada de pessoas que criam seus filhos, que fazem sua vida, que desenvolvem esse país, que desenvolvem a nossa região. É o trabalhador francano que tem que estar lá representado. Então, especialmente, gostaria de falar com as mulheres neste final, que a gente precisa eleger mulheres. As mulheres precisam estar nos espaços de poder, até para que as meninas saibam que elas podem ser o que elas quiserem. No mais, votem bem, votem certo. Pensem nisso e elejam representantes como nós. E aqui eu estou, eu, Mariana Negri, uma opção para vocês.

Corrêa Jr. - Obrigado, Mariana. Boa sorte na campanha.
Mariana Negri - Obrigada, Júnior.

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