A defesa de investimentos em saúde e educação, o fortalecimento de instituições que atendem pessoas com deficiência, o apoio a mães solo e a oposição a novas privatizações de empresas públicas estiveram entre os principais pontos apresentados pela candidata a deputada estadual Paula Moisés, do Cidadania, durante a sabatina com Corrêa Neves Jr., jornalista do Portal GCN/Sampi, promovida pelo Franca Tem Voz.
Com uma campanha de estrutura modesta, Paula afirmou que entrou na disputa após receber um convite para ser candidata e disse buscar uma oportunidade para “trabalhar para o povo”. Ao longo da entrevista, porém, a candidata teve dificuldades para apresentar de forma objetiva quais seriam suas principais bandeiras e como pretende atuar na Assembleia Legislativa. Em determinado momento, afirmou que não considera ter uma única bandeira, mas que sua prioridade seria atuar em tudo aquilo que pudesse melhorar a vida da população.
Entre os temas que conseguiu desenvolver, Paula destacou a educação e a defesa de instituições voltadas a pessoas com deficiência. Com experiência na Federação das Apaes, afirmou que essas entidades precisam ser mais valorizadas e criticou a forma como, em sua avaliação, a inclusão é realizada atualmente nas escolas. Ela também citou políticas de apoio a mães solo e defendeu uma maior aproximação entre o poder público e as famílias.
Na saúde, a candidata afirmou que pretende usar emendas parlamentares para equipar UBSs e hospitais e defendeu melhorias na regulação de vagas em Franca. Segundo Paula, moradores de mais de 20 cidades da região dependem dos serviços de saúde do município. Ela também afirmou que pretende fiscalizar o Hospital Estadual de Franca e apoiar a Santa Casa com investimentos.
A segurança pública também esteve entre os assuntos abordados. Paula declarou ser favorável ao uso permanente de câmeras corporais pelos policiais e defendeu o envio de recursos para equipamentos e veículos das forças de segurança. Questionada sobre a maioridade penal, apresentou uma avaliação relacionada ao ECA e à necessidade de mudanças na legislação, mas reconheceu durante a conversa que não poderia legislar diretamente sobre essa questão como deputada estadual.
Na economia, Paula admitiu não saber, naquele momento, quais medidas adotaria para ajudar o setor calçadista de Franca diante da tarifa de 37,5% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos. A candidata afirmou que não queria “florear” a resposta nem apresentar números decorados e disse que precisaria estar na Assembleia para entender melhor o problema antes de definir o que faria.
Paula também se posicionou contra novas privatizações de empresas públicas e classificou a privatização da Sabesp como um erro. Na educação, afirmou que votaria pela retomada da vinculação de 30% do orçamento estadual para a área e declarou ser favorável às escolas cívico-militares e ao fortalecimento das Etecs e Fatecs.
No fim da entrevista, ao fazer suas considerações finais, a candidata reconheceu que havia ficado “meio perdida” durante a sabatina, por ser a primeira vez que participava de uma entrevista desse tipo. Mesmo assim, pediu um voto de confiança aos eleitores e afirmou que pretende trabalhar pela população e pela cidade de Franca caso seja eleita.
O Franca Tem Voz é uma iniciativa que reúne entidades, empresas e veículos de comunicação com o objetivo de estimular o voto em candidatos de Franca e região nas eleições de 2026. Idealizada em conjunto pela Acif, Cocapec, Unimed, Portal GCN e Rádio Difusora, tem apoio de entidades como CDL, Ciesp, OAB, Sebrae, Uni-Facef, Franca Basquete e Magazine Luiza, entre outras. O objetivo é fortalecer candidaturas com base eleitoral em Franca e na região, garantir a eleição de um deputado federal e ampliar a bancada de deputados estaduais na Alesp.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoito compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza (PSB) não compareceram às entrevistas.
A ordem de exibição e publicação das sabatinas foi definida por sorteio na presença dos candidatos ou representantes.
A sabatina com Paula Moiséis pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra pode ser também lida abaixo.
A sabatina
A transcrição da sabatina da candidata a deputada estadual Paula Moiséis, do Cidadania, pode ser lida a seguir:
Corrêa Neves Jr. - Olá. Dentro da série de entrevistas que o Projeto Franca Tem Voz faz com os candidatos a deputado estadual e federal com base eleitoral em Franca e região, hoje é dia de conversar com Paula Pantaneira, ou Paula Moisés. Paula tem uma trajetória muito rica, muito vasta, trabalhou em fábrica de sapato, é divorciada, tem três filhos, foi gerente de loja, foi para o Mato Grosso do Sul, teve uma carreira ali como assessora política, foi radialista, teve programa de rádio e aí voltou para Franca e agora quer ser deputada estadual pelo Cidadania.
Paula Moiséis - Sim.
Corrêa Jr. - Paula, quem é a política que quer ocupar uma vaga na Alesp?
Paula Moiséis - Primeiro, eu não posso começar essa sabatina com você sem antes de agradecer. Agradecer a você, a toda a sua equipe, porque o grupo GCN faz parte da minha vida. Então, eu sou a menina pobre lá do Jardim Planalto que cresci lendo jornal. Então, o seu pai, para mim, foi um cara que me despertou a comunicação, a vontade de fazer jornalismo, de conversar com as pessoas. Então, muito obrigada. Muito obrigada a você, a toda a sua equipe. Eu sempre tive vontade de conhecer o grupo, de ir participar de alguma coisa, mas eu não imaginava que seria assim a minha estreia, né? A minha estreia já numa sabatina.
Corrêa Jr. - Mas conta pra gente por que você quer ser deputada estadual nesse momento?
Paula Moiséis - Tá. Igual você disse, a minha trajetória é bem longa e bem diversificada, né? Comecei a trabalhar muito cedo, então a gente vai mudando mesmo de trabalho e tudo. E agora, ultimamente, eu já vou direto nele, porque eu tenho três filhos, né? A minha caçula tem 26 anos, tem quatro filhos, meus netos maravilhosos. E eu, participando de uma reunião com eles, eu de costas, ela conversando, e ela falou uma frase que me chamou muita atenção, porque eu sempre ajudei, eu sempre participei de ações sociais, de eventos da cidade, para ajudar as instituições. E aí alguém falou para ela assim: “Nossa, pede ajuda para tua mãe, que eles estão montando uma escola, pede ajuda para tua mãe”. Aí ela virou e falou assim: “Justo na minha vez a minha mãe aposentou”. Então eu não aposentei. No mesmo dia, eu fui convidada para ser candidata a deputada estadual. Então eu vi que ali era um caminho para começar de novo na política. Porque eu vim para Franca faz dois anos, das minhas andanças.
Corrêa Jr. - Foi no Mato Grosso do Sul, né?
Paula Moisés - Sim, Mato Grosso do Sul. E eu vim de lá faz dois anos, porque minha família mora toda aqui. Eu estava para lá sozinha e não fazia mais sentido eu ficar para lá, trabalhar para lá e deixar minha família e meus netos começando a crescer aqui e eu não estando do lado deles. Então eu vim pra cá faz dois anos. Nesse período de dois anos, eu sempre falava pros meus filhos: “Ó, agora eu tô aposentada, eu só vou trabalhar pra manter mesmo e tá tudo certo”, né? Trabalho com a doutora Wei, na clínica dela. Sou assessora dela, faço a parte financeira, atendimento, tudo que ela precisa, eu ajudo e aí, pra mim, estava bom, tranquilo. Então, assim, eu não tinha interesse mais de me envolver, sabe, nem na política e nem em outros assuntos. Agora eu tô. E, quando eu entro, eu entro mesmo.
Corrêa Jr. - E aí eu te pergunto: você está falando que entrou, que tem essa motivação, mas como é que fica a estrutura de campanha? A gente está vendo uma estrutura modesta. Não tem campanha, não tem nada.
Paula Moiséis - Sim, modesta. Pezinho no chão mesmo.
Corrêa Jr. - Como é que você vai alcançar os mais de 60 mil votos que precisa para ser eleita?
Paula Moiséis - Eu espero hoje, com essa sabatina, alcançar pelo menos a metade. Mais o material.
Corrêa Jr. - Mas as pessoas têm que votar em você. Como é que você vai alcançar com uma estrutura tão pequena?
Paula Moiséis - Ô, Júnior, eu já trabalhei em muitas campanhas políticas e, de fato, você está falando é o que tem que ter mesmo. Tem que ter uma estrutura precisa, pelo menos a mínima, e a minha mínima está menos do que mínima. Eu tenho apenas um material, tipo colinha, que eu estou entregando. Estou com umas meninas aí, alguns voluntários me ajudando.
Corrêa Jr. - Fundo partidário não veio?
Paula Moiséis - Não, até o momento não, mas, se vier, também deve ser pouca coisa. Então não dá para ter essa campanha gigante igual tem muitos outros candidatos fazendo. Não critico eles, mas eu acho que a gente precisa colocar um pouco mais de consciência também, sabe, na cabeça das pessoas. Não é votar no projeto de beleza, não sei, sabe, de repente, quem tem mais bandeira tem mais condição. Às vezes não é assim. Então eu estou buscando uma oportunidade de trabalho para trabalhar para o povo, de verdade.
Corrêa Jr. - O que você, como deputada estadual, caso seja eleita, pretende fazer ou vai conseguir fazer que um prefeito ou um deputado federal não podem fazer?
Paula Moiséis - Olha, no caso do deputado estadual, ele pode ajudar muito o prefeito. Ele não vai fazer diretamente, mas ele pode ajudar o prefeito a arrumar as Nubs (hoje chamadas UBS - Unidade Básica de Saúde), por exemplo, colocar aparelhos nos hospitais também, na área de saúde. Tem também outras coisas. Tem muitas coisas que podem ser feitas. No caso de emendas parlamentares, pode ser para a saúde, pode ser para a educação. Então tem muita coisa que pode ser feita diretamente para a comunidade. Ajudar na creche, porque está faltando, então tem que ajudar, tem que buscar emendas para construir outras.
Corrêa Jr. - Me fala duas ou três bandeiras suas que você pretende desenvolver caso seja eleita.
Paula Moiséis - Bom, eu costumo dizer que a gente não tem que ter uma bandeira, né? Nossa bandeira tem que ser o povo. Tudo que for pra ajudar, solucionar o problema do povo, se a gente tiver como fazer, a gente tem que fazer. Mas eu luto muito pela família, sabe? Pela união da família, pelos direitos da família.
Corrêa Jr. - O que que é isso?
Paula Moiséis - Hoje a gente vê, por exemplo, eu sou contra... Eu sou contra mesmo uma criança, digamos, uma criança - vírgula, né? - 16 anos, 15 anos não ter o direito de ter um trabalho por conta das leis.
Corrêa Jr. - Mas isso não é exatamente família. Me explica o que é lutar pela família que você…
Paula Moiséis - Então, mas, se você não pode nem corrigir seu filho, como é que você vai dar uma boa educação pra ele? Hoje você vê aí as escolas, hoje, a maior parte delas, os pais hoje, a maior parte deles, se o filho reclama, ele vai lá e bate na professora.
Corrêa Jr. - Mas, como deputada estadual, por exemplo, você está falando, se eu entendi, permitir o trabalho em idade menor do que hoje estabelecido é uma atribuição federal, é do ECA, não é estadual, então não está na sua alçada. O que seria essa luta, essa bandeira sua da família como deputada estadual?
Paula Moiséis - Olha, nós estamos vendo hoje muitas famílias sofrendo na questão de saúde. Aqui em Franca, por exemplo, nós temos a regulação de vaga que a gente vê todos os dias mais de 10, 20, 30 pessoas aguardando vaga. Então, uma das coisas que daria para fazer para auxiliar as famílias seria auxiliar nessa parte, entendeu?
Corrêa Jr. - Me explica.
Paula Moiséis - Ou seja, a gente equipar melhor as Nubs, equipar melhor. Isso é com emendas, né? Equipar as Nubs, equipar hospitais. A própria regulação de vaga mesmo. Franca tem aqui mais de 20 cidades ao redor que dependem de Franca. Então eu acho que essa regulação de vaga pode ser feita de alguma maneira para ser feita diretamente de Franca. Eu sei que é pelo Estado, mas tem como fazer alguma indicação, alguma coisa para ela ser feita por aqui, entendeu? Para atender essas 22 cidades, as famílias aqui em Franca.
Corrêa Jr. - Então, candidata, mas isso é uma… Tem a ver com a maneira que o SUS é organizado, uma atribuição do governo do Estado, porque assim que o SUS é feito...
Paula Moiséis - Tá. Mas o deputado, ele tem como, uai… Ele tem como.
Corrêa Jr. - Como?
Paula Moiséis - Ué, ele pode fazer uma indicação, fazer uma solicitação, mostrar que não está sendo feito da maneira correta, que está, as pessoas, ao invés delas estarem sendo atendidas, elas estão…
Corrêa Jr. - A senhora acha que a delegada Graciela e o deputado Guilherme Cortez não fizeram nenhuma pressão?
Paula Moiséis - Eu não sei do trabalho deles, aí é com eles. Aí, não é comigo. O trabalho deles, o que eles fizeram…
Corrêa Jr. - Mas a senhora está dizendo o quê? Tem um problema das vagas e como é que a senhora pretende atuar nisso? Aí eu lembrei a senhora…
Paula Moiséis - Que tem os deputados.
Corrêa Jr. - Não, eu lembrei a senhora que o SUS é assim e a senhora disse: “Um deputado pode fazer”.
Paula Moiséis - Pode uma indicação. Ele pode fazer.
Corrêa Jr. - Ele pode. Mas, assim, isso tem sido feito por várias lideranças de Franca ao longo do tempo.
Paula Moiséis - Ah, eu não sei. Não sei, mas eu acho que a gente tem como fazer.
Corrêa Jr. - Mas a senhora não tinha que saber para fazer? Por que vai ser diferente com a senhora? Porque, se não, a impressão que dá pra mim, ouvindo, fica assim: “Ó, eu não consegui entender a sua bandeira”. E aí é importante que as pessoas, não eu, mas que as pessoas que estão acompanhando a gente consigam entender por que vão votar na Paula Moiséis. Então, eu não consegui entender a sua bandeira. Basicamente, a senhora fala que a senhora é legal, a senhora é trabalhadora e a senhora vai votar pelo povo...
Paula Moiséis - Sim.
Corrêa Jr. - Então, mas isso não é uma coisa muito difícil das pessoas separarem uma coisa de outra? Porque é baseado só numa crença, né? Na convicção de que a senhora é uma pessoa boa. Assim, na prática, o que a senhora pretende fazer? Eu não consegui entender exatamente onde estaria a senhora. A senhora falou algumas vezes que pretende mandar dinheiro para a reforma de UBS. Ok.
Paula Moiséis - Sim.
Corrêa Jr. - Mas qual bandeira? A senhora vai atuar ali de que maneira, na Assembleia, defendendo os interesses de Franca e região e as suas convicções?
Paula Moiséis - Olha, às vezes a maneira da gente explicar é um pouco confusa. Mas, no entendimento, quando a gente está, por exemplo… Eu tenho andado muito, eu tenho conversado com muitas pessoas. E a gente tem sentido um pouco o abandono das pessoas, entendeu? Então, assim, quando a gente conversa com a pessoa e a pessoa fala, a mãe vem e fala assim: “Olha, eu não consigo uma vaga numa creche”. Eu vou conseguir? Não. Mas a gente pode ajudar a conseguir construir através de emendas, né? Ajudar a equipar, aumentar, não sei...
Corrêa Jr. - Primeiro que seria uma atribuição da prefeitura, de um deputado estadual. E, pela primeira vez na história, Franca não tem déficit de vagas nas creches. Tem vaga pra todo mundo. O que acontece é que algumas mães…
Paula Moiséis - Tenho ali comigo agora pra te mostrar.
Corrêa Jr. - O que acontece é que algumas mães ou pais querem escolher creches mais convenientes. Mas as vagas… É comprovado. A primeira vez na história. Aliás, não só em Franca, outras cidades também. Foram investimentos feitos ao longo dos anos. Mas aí, colocando de novo, enquanto atuação parlamentar, a senhora está lá para discutir, fiscalizar o governo do Estado, apresentar projetos de lei. Essa é a função principal, essa é a função fundamental. Para que serve um deputado estadual? Vai estar lá para fiscalizar o governo do Estado, votar orçamento, votar projetos, apresentar projetos. E são esses projetos que eu queria entender onde estaria, a senhora de novo trouxe a questão de uma atuação pontual num problema que a senhora identifica. Vamos tentar alguns outros problemas aqui. Olha, o calçado foi taxado em 37,5% por conta do tarifaço do Trump. Agora, o café ficou de fora, a carne ficou de fora, mas o calçado está taxado. Esse é um problema de Brasília, de deputado federal. Mas tem o ICMS do Estado, que foi uma maneira que o governo do Estado está tentando compensar. Isso muda com a reforma tributária, tem um crédito pequeno feito pelo governo do Estado. O que a senhora analisa dessa situação? Como é que a senhora poderia ajudar o calçado de Franca a vencer esse desafio do tarifaço?
Paula Moiséis - Olha, eu costumo dizer que é muito difícil você falar sobre um assunto quando você não está nele. Então, no caso, por exemplo, do calçado, Franca já perdeu muito e já chega também. Já perdeu muito e precisa realmente de ter pessoas lá que lutem pra auxiliar mesmo. Só que eu vou te falar de verdade: nesse momento eu não sei o que eu faria.
Corrêa Jr. - A senhora não tem ideia?
Paula Moiséis - Não. Eu precisaria estar lá pra saber. Estou sendo sincera, não vou florear nada e nem vou te falar números aqui. Tem muita gente que às vezes decora, sabe, alguns números pra vir aqui te falar, porque é bonito falar, mas eu vou te falar a verdade já.
Corrêa Jr. - Vamos lá. Franca teve 15,4 homicídios por 100 mil habitantes, é o dobro da média de São Paulo, quase o mesmo número de Ribeirão, que é muito maior. A questão da segurança pública preocupa a senhora e como a senhora pretende atuar na Assembleia Legislativa?
Paula Moiséis - Preocupa, preocupa muito. A gente vê, assim, às vezes, eu tenho vários problemas até muito próximos, de vizinhos. No caso, por exemplo, da lei para diminuir a idade para 16 anos, da maioridade penal. Ele é interessante?
Corrêa Jr. - A questão da maioridade penal.
Paula Moiséis - É. Ele é interessante? É. Mas aí, quando você fala do ECA, do próprio ECA, já… Se você faz essa lei do jeito que ela está sendo feita ali, o próprio ECA já vai… Se o advogado do infrator for bom, o Estado vai ter que pagar uma indenização para o marginal, ao invés dele ficar preso.
Corrêa Jr. - Não entendi.
Paula Moiséis - Porque pela lei ele será preso... Pela mudança, digamos, se for dessa maneira, ele será preso como uma pessoa adulta. Dezesseis anos, ele vai ser preso como uma pessoa adulta. Só que dentro do ECA, ele precisa estudar até 18 anos, né? E aí, se ele precisa estudar até 18 anos e ele vai ser preso, como que vai ser?
Corrêa Jr. - É uma tese diferente que a senhora tem...
Paula Moiséis - Não, é porque assim... Deixa eu te explicar melhor, de repente você não entendeu...
Corrêa Jr. - Eu não entendi.
Paula Moiséis - Dentro das leis hoje, a maioria delas, quando você fala, por exemplo, da lei da maioridade penal…
Corrêa Jr. - Mas, quando a senhora está condenada, a senhora está condenada. Por exemplo, todo brasileiro é obrigado a votar, mas, se ele for condenado por um crime, e está preso, ele não precisa votar. Porque ele não tem que estar preso. Por princípio, é a mesma questão. O menor tinha que estudar. Mas ele foi condenado. Isso não enseja uma indenização do Estado porque ele foi preso.
Paula Moiséis - Pode, porque, assim, quando você tira o direito dele… Só que, assim, você não está tirando. Não faz sentido.
Corrêa Jr. - Não está tirando. Ele foi condenado por um crime que cometeu.
Paula Moiséis - Mas eu estou te dizendo que a lei é falha, entendeu? A lei, ela tinha que ser… Primeiro, tinha que mudar essa parte aí no estatuto, no ECA, para depois…
Corrêa Jr. - A senhora não vai legislar sobre uma coisa nem outra...
Paula Moiséis - Não, nem uma nem outra. É segurança, é outra coisa.
Corrêa Jr. - Porque a senhora não pode. Então, vamos tentar sobre a questão na Assembleia. A senhora defende as câmaras corporais dos policiais militares ou não?
Paula Moiséis - Sim.
Corrêa Jr. - E gravando permanentemente ou só em alguns períodos?
Paula Moiséis - Permanentemente.
Corrêa Jr. - Então a senhora defende. A senhora pretende mandar dinheiro em emendas parlamentares para reforçar a polícia aqui da região? Que tipo de emenda? E a senhora acha que o problema maior está onde? Está na Polícia Militar, na Civil? Em que área?
Paula Moiséis - Eu acho que eles precisam de ter… tem que mandar emendas, porque eles têm que ter equipamentos, veículos bons. Eles precisam mesmo de ter recursos para isso e até em salários também. Mas só que o salário eu sei que não tem nada a ver com emendas e nem com… Mas a gente pode votar algum projeto para isso.
Corrêa Jr. - O Hospital de Franca, o Hospital Estadual, foi inaugurado em maio. Tem 220 leitos, mas só tem uma operação parcial por enquanto. Como é que a senhora vai atuar em relação? A senhora vai fiscalizar? Como é que a senhora vê o Hospital Estadual? Como é que a senhora vê o papel da Santa Casa?
Paula Moiséis - Olha, eu acho que a gente tem que fiscalizar. Mesmo como deputado, como vereador, tem que estar sempre fazendo essa fiscalização. Mas, no caso do hospital, precisa de equipar ele também, terminar de equipar, porque parece que parte dele está equipado, parte não também.
Corrêa Jr. - Mas isso já está contemplado pelo contrato do governo do Estado. A senhora não precisa de emendas para isso. Já o governo do Estado vai pagar essa conta.
Paula Moiséis - No caso da Santa Casa, quanto mais, melhor, não? Mais emendas, mais investimentos.
Corrêa Jr. - A senhora já visitou a Santa Casa, conversou com eles, viu as demandas?
Paula Moiséis - Já, já.
Corrêa Jr. - Já falou lá. Foi aprovado pela Assembleia Legislativa a redução dos investimentos em educação de 30% para 25%. Havia uma obrigação do governo do Estado investir 30%. O governador Tarcísio de Freitas disse que não é preciso investir e reduziu para 25%. Ele consegue economizar 10 bilhões de reais com isso. A senhora concorda com essa ideia ou a senhora votaria para subir para 30% de novo?
Paula Moiséis - Não, eu votaria. Eu acho que a educação é o principal.
Corrêa Jr. - Então a senhora discordaria do governador Tarcísio de Freitas nisso?
Paula Moiséis - Discordaria.
Corrêa Jr. - As escolas cívico-militares, a senhora é a favor ou contra e por quê?
Paula Moiséis - Eu sou a favor. Porque a gente precisa... Hoje, as crianças estão meio perdidas, sabe? Em se tratando - nem é tanto - acho que um pouco da tecnologia também. Hoje todo mundo tem, até as crianças têm seu celular. Então eles ficam muito dependentes disso e estão deixando um pouco de lado a educação. E, quando a gente fala de ter um pouco mais de respeito, de responsabilidade dentro da escola, é importante isso.
Corrêa Jr. - O que exatamente? Como é que a senhora faria isso? Me explica.
Paula Moiséis - Você começa já pelo tratamento, pelo tratamento dos alunos aos professores, pelos alunos aos próprios colegas deles dentro da sala de aula. Então o ensino militar, ele ajuda nisso.
Corrêa Jr. - Então a senhora acha que é uma boa ideia?
Paula Moiséis - Eu acho. Eu sou a favor.
Corrêa Jr. - O Provão Paulista, que é uma seleção do governo do Estado, tem 15.819 vagas, mas muita gente acusa o governo do Estado de estar facilitando a entrada de alunos menos preparados. A senhora concorda com isso? Não concorda? A senhora, como é que vê o papel das Etecs e da Fatec aqui?
Paula Moiséis - As Etecs são ótimas, as Fatecs também. Elas preparam, ajudam, auxiliam. Eu fui aluna de escola de ensino técnico, então a gente precisa de ter cada vez mais e auxiliar também.
Corrêa Jr. - O governador Tarcísio de Freitas vem fazendo uma série de privatizações de empresas públicas: a Sabesp, Emae, CPTM, a Companhia de Trens lá da Capital. A senhora é a favor ou contra a privatização de empresas públicas?
Paula Moiséis - Contra, sou contra.
Corrêa Jr. - Então a senhora votaria contra a privatização?
Paula Moiséis - Votaria.
Corrêa Jr. - A senhora acha que foi um erro a privatização da Sabesp?
Paula Moiséis - Sim.
Corrêa Jr. - Por quê?
Paula Moiséis - Olha, nós estamos vendo aí quase todos os dias o aumento das tarifas. Aumentou, ao invés de diminuir, porque o combinado lá atrás, quando falou em privatização, foi que iria diminuir o valor financeiro para as pessoas. Isso não aconteceu. E hoje está muito mais difícil. Você vai na Sabesp, para você conseguir alguma coisa, é a coisa mais complicada do mundo. Entendeu?
Corrêa Jr. - A senhora acha que isso é culpa da privatização.
Paula Moiséis - Lógico. Eu acho.
Corrêa Jr. - Mas a senhora acha que, então, não privatizar, que não tinha reclamação também, que era melhor?
Paula Moiséis - Tinha um atendimento mais humanizado.
Corrêa Jr. - Entendi. Eu queria voltar na parte das bandeiras da senhora, que a senhora mesma disse aqui, eu acho muito difícil para candidatos que estreiam, a falta de estrutura, a falta de condição. Então, eu queria, de novo, que, agora que a senhora já desenvolveu algumas ideias, me explicasse de novo quais serão suas bandeiras. Por que o eleitor de Franca e região deve votar na Paula Moisés e no que ela pretende atuar? De que forma ela vai fazer a diferença ali na Assembleia Legislativa?
Paula Moiséis - Ô, Júnior, quando eu falo assim que às vezes é ruim a gente falar uma bandeira, porque eu acho que a gente tem que lutar por todos, né?
Corrêa Jr. - Mas, se a senhora não fala uma bandeira…
Paula Moiséis - Não, vou explicar agora.
Corrêa Jr. - Por que o eleitor não vota na senhora?
Paula Moiséis - Acalma a cabeça. Acalma a cabeça que nós vamos chegar lá. Deixa eu te falar, ó: eu trabalhei algum tempo na Federação das Apaes, né? Então, quando você fala de pessoas com necessidade especial, é muito importante você… É uma bandeira que você precisa ter, defender, não é verdade? Só que, muitas vezes, as pessoas que falam sobre isso, elas não têm o entendimento do pai, da mãe. Você entendeu? Ela precisa ter uma aproximação melhor deles pra poder defender eles, porque, na realidade, quem sabe mais sobre esse assunto é o pai, né? Então, às vezes, é feita aí a inclusão. Vamos colocar como exemplo. A inclusão, hoje, a maior parte das vezes, você exclui o aluno ao invés de incluir. E, quando você coloca ele já com o monitor do lado dele, você já deixa ele como uma pessoa diferente na sala. Entendeu? Então, assim, muitas coisas que são feitas eu não concordo. Entendeu? Então eu acho, por isso que eu falo assim: “Ah, minha bandeira é o povo”. Eu acho que a gente tem que lutar pra ajudar tudo aquilo que a gente acha necessário pra que a vida do cidadão tenha um… seja melhor, os direitos deles sejam respeitados.
Corrêa Jr. - Então, perfeito, mas eu preciso que a senhora me explique quais são as áreas que a senhora pretende atuar.
Paula Moiséis - Eu pretendo na educação.
Corrêa Jr. - A senhora falou aqui, então, se eu entendi o que a senhora falou, a senhora acha que deveria haver um fortalecimento das Apaes.
Paula Moiséis - Com certeza.
Corrêa Jr. - É isso, né? Porque a senhora acha que a inclusão como é feita nas escolas...
Paula Moiséis - Apaes, tem outras também, tem outras instituições também que cuidam da pessoa com necessidade especial e são muito importantes. Elas precisam ser um pouco mais valorizadas, sabe? Porque elas cuidam de verdade. Então, quando você joga na escola estadual, por exemplo, é complicado, sabe?
Corrêa Jr. - Então essa é uma área que a senhora pretenderia atuar?
Paula Moiséis - Mãe solo também, tem várias coisas que podem ser feitas para uma mãe solo, para auxiliar ela no atendimento do seu filho. Hoje a maior parte da… A gente está vendo aí toda hora homens agredindo mulheres. Isso já virou hábito, não só...
Corrêa Jr. - Qual a sua opinião sobre isso? Por que acontece isso? O que a senhora pretende fazer enquanto deputada estadual?
Paula Moiséis - Olha, eu vou te falar uma coisa. Por que acontece isso? Muitas vezes é porque o homem é um pouco mau caráter mesmo. O homem que agride uma mulher. Mas tem outros casos também. Como, por exemplo, quando eu te falei da creche, tem uma pessoa, um casal, eles têm muitos problemas de brigas, mas é porque estão cansados, sabe? Tipo assim, a criança… Ele tem uma criança de 3 meses, 4 meses, né? E eles não conseguiram vaga na creche. Aí ele sai de um bairro que é longe pra caramba, lá do final do Ana Dorothéa, leva a criança lá no City Petrópolis e de lá vai trabalhar no Distrito (Industrial). Olha a lógica. E não conseguiram. E, quando você fala assim, tem vagas, às vezes a pessoa quer vaga perto da casa. Não, eles têm pontos que podem passar pra deixar a criança, né? E eles não conseguiram. Então, às vezes, a maior parte da violência é gerada por isso, sabe? Porque a pessoa já está muito cansada e, às vezes, ela não suporta a outra pessoa falar nada mais para ela. E hoje nós estamos vivendo um… Hoje, em todo lugar, a gente não suporta. Você vê brigas de trânsito aí de bobeira, umas brigas bobas, porque as pessoas estão muito cansadas.
Corrêa Jr. - A senhora acha que é por isso que elas brigam? (Por isso) Que há feminicídio?
Paula Moiséis - A maior parte, sim. Porque, quando você vai enchendo muito o pote, aí você quer esvaziar ele de uma vez, entendeu? Onde que é a melhor maneira? Com quem está do seu lado, na sua companheira. Isso tem acontecido muito. Se você for olhar a vida das pessoas, do casal, se você for dar uma analisada, você vai ver. E a maior parte deles acontece por isso. Estão cansados.
Corrêa Jr. - E que tipo de ação a senhora poderia fazer na Assembleia?
Paula Moiséis - Olha, hoje… Desculpa, pode terminar.
Corrêa Jr. - Não, é isso. Como é que a senhora encararia? A senhora identifica um problema, a senhora tem uma visão. Como é que a senhora poderia contribuir?
Paula Moiséis - Eu acho que a gente poderia ter mais psicólogos, ter mais psiquiatras para atender esse povo, porque não está tendo, entendeu? As pessoas, às vezes, vão buscar uma ajuda, ela não consegue essa ajuda. Então, você vê aí muito suicídio também. A maior parte deles é por isso. Às vezes, a pessoa não consegue ninguém pra auxiliar ela, e a gente precisa de melhorar um pouco mais, de repente, o atendimento público nesse sentido, entendeu? Então, de repente, aí a gente pode estar auxiliando.
Corrêa Jr. - Um deputado estadual paulista ganha 34 mil reais por mês. A senhora vota contra ou a favor de novos aumentos ou a senhora acha que é um bom salário?
Paula Moiséis - É mais do que bom, é excelente. Eu voto contra.
Corrêa Jr. - A senhora votaria contra?
Paula Moiséis - Votaria contra.
Corrêa Jr. - A senhora, ali na Assembleia Legislativa, a gente já falou de algumas áreas de atuação da senhora. Como é que seriam distribuídas as verbas que a senhora teria direito, as emendas impositivas, para Franca e cidades da região? A senhora tem uma ideia de para onde mandaria, o que faria, além das áreas que a senhora já falou?
Paula Moiséis - Ô, Júnior, eu acho que Franca precisa ser mais estruturada. Não estou falando que a região também não precisa receber emenda...
Corrêa Jr. - Por exemplo, rodovias...
Paula Moiséis - Tem que ter.
Corrêa Jr. - Duplicação de rodovias. Como é que fica?
Paula Moiséis - Tem que resolver duplicações em alguns pontos. Mas eu acho que a gente precisa estruturar mais Franca para poder atender esse pessoal que é de fora. Então, a maior parte das cidadezinhas pequenas próximas a Franca, o atendimento delas é tudo em Franca. Então, quando a gente estrutura Franca, a gente melhora o atendimento para elas também.
Corrêa Jr. - Então a senhora concentraria a destinação de recursos para Franca?
Paula Moiséis - Franca, sim. Sou candidata de Franca. Não estou falando que não vou fazer nada para a região, tá? Porque, quando a gente faz, a gente está fazendo também para a região, mas seria para Franca. Eu sou candidata de Franca para atender o povo francano.
Corrêa Jr. - Tem uma discussão nesse momento também sobre se libera ou não a venda de bebidas nos estádios, estádios de futebol especialmente. Essa é uma pauta.
Paula Moiséis - Sou contra.
Corrêa Jr. - A senhora é contra. São Paulo é um dos poucos estados que não permite. A senhora continuaria contra? Por quê?
Paula Moiséis - Porque a bebida altera as pessoas. Geralmente, quando você está em um estádio de futebol, seu time perde ali ou começa a ter algum problema, se a pessoa está alterada, ela vai para a briga.
Corrêa Jr. - Então a senhora…
Paula Moiséis - Sou contra. Sou contra.
Corrêa Jr. - Existe também, na Assembleia Legislativa, muitas votações, quase todas, são simbólicas. A gente não sabe como cada um votou. O que a senhora acha disso?
Paula Moiséis - Errado. Tem que aparecer.
Corrêa Jr. - A senhora diria como votou…
Paula Moiséis - Claro, tem que ter clareza.
Corrêa Jr. - Em cada…
Paula Moiséis - Em tudo que tiver.
Corrêa Jr. - Em cada um dos… Dos projetos em discussão ali.
Paula Moiséis - Sim.
Corrêa Jr. - A senhora trabalhou até com o Maluf?
Paula Moiséis - Trabalhei.
Corrêa Jr. - Como é que foi a experiência?
Paula Moiséis - Foi boa. Eu trabalhava… Eu era mais assessora da esposa dele, da dona Silvia. Foi na época que ele estava fazendo o Projeto Singapura.
Corrêa Jr. - Lá na capital?
Paula Moiséis - Sim. Então eu andei nas favelas...
Corrêa Jr. - A senhora trabalhou com o doutor Ubiali também?
Paula Moiséis - Trabalhei com o doutor Ubiali.
Corrêa Jr. - Quando ele era...
Paula Moiséis - Não, na política não...
Corrêa Jr. - Na política, não. No consultório?
Paula Moiséis - Com o doutor Ubiali, eu trabalhei na campanha. Eu fui coordenadora da campanha dele em 2006.
Corrêa Jr. - A que ele venceu?
Paula Moiséis - Exato. Agora, trabalhei com ele no consultório antes e depois disso não.
Corrêa Jr. - E qual que é a importância dessas duas figuras tão diferentes, um de esquerda e um de direita, na sua formação política?
Paula Moiséis - Então, o doutor Ubiali se tornou parte da família, digamos. E o doutor Paulo Maluf sempre foi uma pessoa muito dinâmica, trabalhou muito. Tinha aquela história de “eu roubo, mas faço”, não sei, porque não era o meu caminho, o meu caminho era outro.
Corrêa Jr. - Vou perguntar agora: ele roubou?
Paula Moiséis - Não sei, o meu caminho era outro. Eu fazia parte de pesquisas, junto com a esposa dele e outra turma, então não tinha nada a ver. Mas eu fui assessora aqui também do doutor Fábio Cruz, vereador na época, na Câmara, na época que o vereador pagava o salário. Não é igual hoje.
Corrêa Jr. - Vamos lá, pra gente caminhar pra parte final aqui. Na sua opinião, houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil ou não?
Paula Moiséis - Não.
Corrêa Jr. - A senhora não acha que houve? Por que a senhora acha que não houve?
Paula Moiséis - Eu digo assim, quando você fala das pessoas que estão, tem muitas ainda que estão presas, respondendo ao processo por isso, não, porque é uma… Tá certo, a quebradeira, sim, entendeu? Porque não precisaria de quebrar, né? Está quebrando o patrimônio que é nosso, né? Mas a chegar a ser…
Corrêa Jr. - Mas a senhora não acredita que o Bolsonaro queria impedir a posse do Lula?
Paula Moiséis - É isso que eu ia te falar. O povo foi induzido a estar lá. O Bolsonaro é outra história. Quando você fala do Bolsonaro dar golpe no Estado, aí tudo bem. Agora o povo que estava com isso…
Corrêa Jr. - Na sua opinião, teve uma tentativa de golpe no Estado ou não?
Paula Moiséis - Teve.
Corrêa Jr. - Então a senhora acha que teve?
Paula Moiséis - No caso do político, sim.
Corrêa Jr. - Então vamos lá. Agora é pinga-fogo. Eu vou fazer algumas perguntas rápidas pra senhora. A senhora diz sim ou não? Ou, no máximo, uma palavrinha pra definir, tá? A senhora defende a anistia ampla aos condenados pelo 8 de janeiro?
Paula Moiséis - Não.
Corrêa Jr. – Não? A senhora não defende a anistia ampla?
Paula Moiséis - Ampla, não.
Corrêa Jr. - A senhora defende, pelo que eu entendi, que a senhora quer voltar a vincular os 30% do orçamento do Estado para a educação?
Paula Moiséis - Sim, para a educação.
Corrêa Jr. - A senhora defende as escolas cívico-militares?
Paula Moiséis - Sim.
Corrêa Jr. - A senhora defende câmaras corporais gravando todo o tempo nos PMs?
Paula Moiséis - Sim.
Corrêa Jr. - A senhora defende novas privatizações de empresas públicas?
Paula Moiséis - Não.
Corrêa Jr. - A senhora é contrária?
Paula Moiséis - Sou.
Corrêa Jr. - A senhora defende novas praças de pedágio em rodovias que vão ser duplicadas ou não?
Paula Moiséis - De jeito nenhum.
Corrêa Jr. - A senhora quer que o Estado dê um jeito, sem pedágios. A senhora defende votação nominal em todos os projetos para saber como vota?
Paula Moiséis - Sim. Defendo.
Corrêa Jr. - A senhora defende salário acima do teto constitucional?
Paula Moiséis - Não.
Corrêa Jr. - Esses penduricalhos, não?
Paula Moiséis - De jeito nenhum.
Corrêa Jr. - A senhora defende uma reforma administrativa que mexa na estabilidade do servidor público?
Paula Moiséis - Com certeza.
Corrêa Jr. - Então a senhora defende que o servidor possa ser demitido, é isso?
Paula Moiséis - Se ele é… Nós temos esse problema. É que eu não posso falar muito tempo.
Corrêa Jr. - Só a senhora falar.
Paula Moiséis - Não, é que nós temos muitos servidores que são excelentes. Mas nós temos uns que não são. E por que tem que manter ele lá?
Corrêa Jr. - A senhora defende que possa ter uma flexibilidade?
Paula Moiséis - Não é bom, tem que tirar. Todo funcionário perde seu serviço quando não é bom, por que o funcionário público também não pode?
Corrêa Jr. - E a senhora defende o Estado laico?
Paula Moiséis - Mais ou menos.
Corrêa Jr. - Por quê?
Paula Moiséis - Olha...
Corrêa Jr. - O que é mais ou menos? A senhora acha que o Estado tem que ter uma religião?
Paula Moiséis - Não, única não.
Corrêa Jr. - Então, aí é o Estado laico. O Estado laico é o Estado que não tem religião.
Paula Moiséis - Tem que ter uma religião.
Corrêa Jr. - Não, não estou falando das pessoas. Estou falando do Estado, o Estado, o governo. O Estado tem que ser laico ou o Estado tem que ser religioso?
Paula Moiséis - Tem que ser religioso, ué?
Corrêa Jr. - Mas aí, se ele tem uma religião, ele exclui as demais.
Paula Moiséis - Não, não pode. Aí não.
Corrêa Jr. - Então a senhora defende...
Paula Moiséis - Aí tem que ser laico.
Corrêa Jr. - Então a senhora defende o Estado laico?
Paula Moiséis - Sim, senhor. [Risos]
Corrêa Jr. - Paula, você tem um minuto para as suas considerações finais.
Paula Moiséis - Bom, gente, primeiro agradeço a você, a todos vocês que estão aqui. Eu quero dizer pra vocês que eu não sou boa muito, não sou boa com as palavras. Hoje eu fiquei meio perdida aqui, sabe por quê? Porque é a primeira vez que eu estou sendo entrevistada. Eu sempre faço entrevista, é diferente. E aí, gente, eu quero dizer pra vocês que pode procurar a gente aí no Instagram, no Facebook, se você quer saber mais um pouco sobre os nossos projetos, também. Nós temos, assim, muitos projetos, mas, de repente, eu me perdi aqui pra falar hoje, tá, gente? Então eu quero pedir pra você a sua confiança. Pode confiar. Dá o seu voto de confiança. Posso pedir voto?
Corrêa Jr. - À vontade.
Paula Moiséis - Nós estamos aí, pertinho da eleição. Então, meu amigo, dê seu voto de confiança. Eu tenho certeza que eu vou trabalhar muito por você, por sua família e por toda a nossa cidade. Nós precisamos valorizar a nossa cidade de Franca. Sou francana e eu acho que, se a gente tiver... se a gente conseguir chegar lá, eu tenho certeza que vocês não vão se arrepender, tá? Eu sou simples, sou humilde, de repente falo muita coisa errada, mas, na hora de pegar o boi pelo chifre, pode deixar que eu pego.
Corrêa Jr. - Obrigado, candidata. Boa sorte na sua campanha.
Paula Moiséis - Obrigada.
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Comentários
3 Comentários
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Abreu 2 dias atrásComo que um trem desse saiu do meio do mato e veio parar em Franca??..uma largada dessa faz o que na vida???....cê loco.....vaza sastanais..... -
Antonio Carlos 3 dias atrásCampanha eleitoral é isso, todos tem as soluções para tornar a vida perfeita, todos sabem exatamente o que precisa ser feito, que a Restinga vai virar a Nova Iorque em quatro anos, que comida, emprego e dinheiro vão cair do céu se for eleito, que todos vão ser felizes e todo mundo vai ficar rico. Só que, depois que passam as eleições é bye-bye chiquitita tchau-tchau..... Eita raça falsa, oportunista e intere$$eira é essa, e esse ano eles capricharam em juntar os piores entre os piores. -
Valeska 3 dias atrásE mais uma forasteiro,não que eu não acho correto alguém sair de outra região e vir se candidatar por Franca,mas ela deixa claro que é mais uma que está de olho naquela parcela de eleitores que vivem na mais profunda ignorância, precisa avisar pra ela que que os votos dos idiotas não dá pra eleger todos os candidatos com o perfil dela,deveria ter se candidatado por Mato Grosso para fazer companhia ao bolsonarista Abílio Brunini