O prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), defendeu nesta segunda-feira, 14, a eleição de uma bancada formada por representantes da cidade na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo. Em entrevista especial ao programa A Hora é Essa!, apresentado pelo jornalista Corrêa Neves Jr., o prefeito afirmou que Franca precisa eleger pelo menos um deputado federal e dois estaduais para ampliar sua força política e a capacidade de articulação em Brasília e no Estado.
Excepcionalmente, o programa começou às 10h, uma hora antes do horário habitual. A entrevista ocorreu durante uma edição especial da atração e teve como um dos principais assuntos as eleições de outubro.
A manifestação de Alexandre ocorre após a publicação de um vídeo nas redes sociais em que ele pede que os eleitores de Franca priorizem candidatos com vínculo com a cidade. Segundo o prefeito, a preocupação não está relacionada apenas à escolha de nomes, mas à própria participação da população nas eleições. “A gente precisa chamar o eleitor de Franca para que ele venha votar”, afirmou.
Alexandre disse que Franca costuma perder entre 25% e 30% dos votos por causa da abstenção. Ele citou que o município tinha cerca de 255 mil eleitores em 2024 e atualmente possui aproximadamente 241 mil aptos a votar. Na avaliação dele, a ausência dos eleitores reduz a capacidade de negociação política da cidade.
"Quando ele não vem votar, 25% ou 30%, nós estamos falando perto de 50 mil pessoas. 50 mil pessoas elegem um deputado federal ou um deputado estadual. Com 50 mil votos, somados a outros, faz uma cadeira”, declarou.
O prefeito também criticou a escolha de candidatos de outras cidades ou regiões, argumentando que representantes sem ligação com Franca não teriam o mesmo compromisso em defender projetos e investimentos locais.
“A gente perde para candidatos de fora que nunca mais vão vir aqui em Franca. Então, é influencer, é gente de internet, é gente que não tem lastro, é gente que não tem identidade com a cidade, é gente que não olha a cidade com a importância que ela tem. E isso faz com que a gente perca a possibilidade de negociação em Brasília e São Paulo”, afirmou.
Instituto Federal é citado como exemplo
Durante a entrevista, Alexandre citou a tentativa de implantação de um Instituto Técnico Federal em Franca como exemplo de projeto que, segundo ele, acabou prejudicado pela falta de um deputado federal ligado ao município.
O prefeito afirmou que conseguiu junto à Unesp a doação de um prédio para o Ministério da Educação e que havia cerca de R$ 30 milhões separados para a reforma do espaço. Segundo ele, mesmo com a articulação feita pelo município, o projeto acabou sendo direcionado para outras regiões.
“Prédio doado, 30 milhões de reais separados para poder fazer a reforma do prédio e funcionar o Instituto Técnico Federal, e eu não tinha um deputado federal para defender a cidade”, disse.
Alexandre afirmou que a Prefeitura também havia se comprometido com segurança, alimentação dos alunos e limpeza do prédio durante os dois primeiros anos de funcionamento do instituto. “Esse tipo de coisa que a gente perde”, resumiu.
Para o prefeito, o principal papel de um deputado ligado a Franca seria atuar na interlocução com ministérios, secretarias e demais órgãos públicos, além de acompanhar projetos de interesse do município. “Eu não teria que fazer esse papel. Eu não poderia fazer esse papel, ele nem é meu. Só que eu não tinha quem fazer”, afirmou.
Alexandre disse que, por não contar atualmente com uma representação federal local, acaba assumindo pessoalmente parte das articulações para buscar investimentos e projetos para Franca. “Se você fala assim, hospital, (...) unidades básicas, mais clínica de especialidade, mais não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê, acaba que eu que fiz. Mas não era meu papel”, declarou.
'Botar Franca no mapa'
Outro ponto discutido na entrevista foi o peso das emendas parlamentares. Corrêa Neves Jr. questionou a maneira como alguns candidatos apresentam as emendas como principal instrumento de atuação de um deputado.
Alexandre concordou que a função de um representante vai além da destinação de recursos por meio de emendas. Para ele, a presença política e a capacidade de articulação são fundamentais para que Franca consiga disputar investimentos de maior porte. “O grande papel dos deputados, que a gente espera eleger uma bancada significativa, é botar Franca no mapa”, afirmou.
O prefeito citou investimentos que, segundo ele, não dependem diretamente de emendas parlamentares. Entre eles, estão obras relacionadas à saúde, infraestrutura e combate a enchentes. Na entrevista, foram mencionados cerca de R$ 150 milhões relacionados ao hospital, além de outros R$ 40 milhões para obras de combate a enchentes, R$ 30 milhões para uma clínica de especialidades e recursos para uma creche. “Que não são emendas. Porque se fosse depender de emenda de deputado, não dá. Porque é limitado”, afirmou Alexandre.
Segundo o prefeito, a eleição de representantes locais permitiria que a cidade tivesse alguém permanentemente atuando em Brasília e na Assembleia para defender seus interesses. “Como ele vai fazer a nossa cidade crescer e ser muito mais forte politicamente dentro do cenário nacional, é isso que a gente espera”, disse.
'Precisamos de uma força'
Alexandre também afirmou que Franca possui estrutura e indicadores que, na avaliação dele, colocam o município entre as cidades mais importantes do país, mas que ainda falta força política para defender os interesses locais.
“Nós somos uma cidade que tem a sexta menor arrecadação do Estado de São Paulo. (Mas) Nós somos a segunda melhor cidade para se viver do país, a primeira para se viver dentro do Estado de São Paulo. Nós somos uma cidade que tem estrutura de saúde, estrutura de educação, estrutura de infraestrutura, de mobilidade, de tudo”, declarou.
Na sequência, resumiu o que considera ser o principal problema: “O que falta? Alguém nos representar lá fora.”
Para o prefeito, os representantes eleitos por Franca deveriam manter uma atuação próxima da população e uma estrutura de atendimento na própria cidade. “O escritório dela tem que ser aqui em Franca. O escritório dela tem que ser para receber as pessoas, receber a imprensa, receber mandatários”, afirmou.
Reforma tributária aumenta preocupação
Outro assunto abordado foi a reforma tributária e os possíveis impactos sobre a distribuição dos recursos públicos. Alexandre afirmou que a mudança aumenta, na visão dele, a necessidade de Franca contar com representantes políticos capazes de participar das decisões sobre a distribuição dos recursos.
“Todo o dinheiro do ISS, do ICMS, que vem direto, que fica aqui, a partir de 27 não vai mais ficar”, disse.
Segundo o prefeito, parte desses recursos passará por uma nova lógica de distribuição e será objeto de decisões políticas em Brasília. “O dinheiro que ficava aqui vai para Brasília. Quem vai decidir para onde ele vai é o deputado”, afirmou.
Alexandre argumentou que, sem representantes ligados à cidade, Franca corre o risco de perder espaço na disputa por recursos. “Então nós não vamos ter acesso mais ao ISS, nós não vamos ter acesso mais ao ICMS, nós não vamos ter acesso a uma série de recursos que já são pequenos, porque nós não vamos ter deputado federal”, declarou.
Prefeito critica candidatos que miram Prefeitura
Durante a conversa, Alexandre também fez críticas a candidatos a deputado que, segundo ele, utilizam a eleição para cargos legislativos como uma espécie de preparação para uma futura disputa pela Prefeitura.
Para o prefeito, os candidatos a deputado devem concentrar suas propostas nas atribuições do cargo que pretendem ocupar. “O sujeito que vem falar de problema de município (...) esse cara não é o deputado que você precisa. O sujeito que vem falar de como resolver e como representar a cidade, estas pessoas são as pessoas que nós precisamos”, afirmou.
Alexandre defendeu que a discussão sobre problemas específicos da administração municipal fique para a eleição de prefeito.
“Nós vamos discutir os problemas da cidade daqui a dois anos, na campanha próxima”, disse.
O prefeito também criticou candidatos que insistem em disputar eleições sem conseguir votação suficiente para conquistar uma cadeira. “Gente, a população não te quer. Você foi candidato uma, duas, três, quatro vezes e não deu certo nenhuma. Para. Tenha uma revisão de consciência. Você está atrapalhando a cidade”, afirmou.
Meta é eleger três representantes
Ao final da entrevista, Alexandre reforçou a defesa de uma bancada local e estabeleceu como meta a eleição de uma deputada federal e duas deputadas estaduais. “Uma federal e duas estaduais. Vamos eleger, vamos trabalhar, fazer firme para poder melhorar e mudar o patamar da cidade”, afirmou.
O prefeito também pediu que os eleitores deixem diferenças ideológicas de lado na hora de avaliar os candidatos e priorizem nomes com ligação com Franca.
“Mesmo que você esteja, vou falar assim, puto da vida com político. E eu também estou. (...) A gente precisa jogar o jogo. A gente precisa ter alguém daqui”, declarou.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.