INCÊNDIOS

Focos de calor caem 69% na região de Franca em agosto

Por Pedro Dartibale | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Sampi/Franca
Divulgação
Região passou de 39 focos em agosto de 2025 para 12 neste ano; Estado teve menor número de ocorrências para o mês em 28 anos
Região passou de 39 focos em agosto de 2025 para 12 neste ano; Estado teve menor número de ocorrências para o mês em 28 anos

A região de Franca registrou 12 focos de calor em agosto de 2026, uma redução de 69,2% em relação às 39 ocorrências registradas no mesmo mês do ano passado. No Estado de São Paulo, foram identificados 171 focos, o menor número para agosto desde o início da série histórica, em 1998, segundo dados do sistema BDQueimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O levantamento integra o monitoramento realizado pelo Governo de São Paulo, por meio da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), durante as ações de prevenção e resposta à temporada de estiagem.

Menor número desde 1998

Até então, o menor número de focos de calor registrado em agosto em todo o Estado havia sido em 2022, com 315 ocorrências. O maior registro ocorreu em 2024, quando São Paulo contabilizou 3.612 focos.

Segundo o subsecretário de Meio Ambiente da Semil, Jônatas Trindade, o resultado é explicado pela combinação de condições meteorológicas favoráveis e pelo reforço das ações de prevenção, monitoramento e fiscalização.

“Agosto nos traz um resultado histórico: o menor número de focos de calor para o mês desde o início da série, em 1998. As condições meteorológicas, com chuvas acima do habitual, contribuíram para esse cenário, e o Estado também chegou à temporada de estiagem mais preparado, com investimentos, monitoramento permanente, fiscalização e ações preventivas em áreas prioritárias”, afirmou.

Trindade ressaltou, porém, que a redução não significa o fim da mobilização. “É uma combinação que nos permite olhar para esse resultado com satisfação, mas sem baixar a guarda. A temporada ainda está em curso e seguimos mobilizados para proteger nossas áreas naturais e responder rapidamente a qualquer mudança nas condições”, disse.

Como os focos são monitorados

Os focos de calor são detectados por satélites a partir da identificação de anomalias térmicas na superfície. O indicador é utilizado para acompanhar possíveis ocorrências de fogo e auxiliar na definição das áreas que precisam de verificação em campo.

A detecção por satélite, entretanto, não significa necessariamente a existência de um incêndio. Diferentes situações podem provocar uma anomalia térmica, como uma queima prescrita.

Por isso, os dados do BDQueimadas são utilizados como ferramenta de monitoramento e alerta, em conjunto com outras informações e verificações realizadas em campo.

Para a temporada de estiagem de 2026, o Estado mobilizou mais de R$ 400 milhões em investimentos e ações preventivas. As medidas incluem monitoramento meteorológico e de focos de calor, uso de imagens de satélite, sensoriamento remoto e inteligência artificial, preparação das equipes e fiscalização de áreas prioritárias.

Fiscalização é reforçada

A DPFA (Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental) da Semil intensificou as ações de campo durante a temporada de estiagem.

Na Fase Amarela, 24 Unidades de Conservação estaduais foram priorizadas. As equipes percorreram 2.146 quilômetros e realizaram mais de 142 horas de monitoramento. Também foram emitidas 38 notificações e ofícios relacionados à implantação ou adequação de medidas preventivas.

Na Fase Vermelha, iniciada em julho e prevista até outubro, os técnicos da DPFA já percorreram 3.151 quilômetros, em 316 horas e 53 minutos de monitoramento, com a participação de 27 profissionais.

As equipes atuam na orientação da população, distribuição de materiais informativos, identificação de locais que precisam de melhorias em aceiros e acompanhamento de áreas com maior risco de ocorrência de fogo.

Incêndios também caem em áreas protegidas

Nas Unidades de Conservação sob gestão da Fundação Florestal, os registros de incêndios identificados em campo também apresentaram redução.

Em agosto de 2026, foram contabilizadas 31 ocorrências, contra 39 no mesmo mês de 2025, queda de 20,5%.

A Fundação Florestal vem ampliando as ações de Manejo Integrado do Fogo como estratégia de prevenção. Em 2025, foram realizados 350 hectares de queimas prescritas. Em 2026, já foram executados 600 hectares, com meta de chegar a 2 mil hectares até o fim do ano.

Também estão previstos 2 mil quilômetros de manutenção de aceiros.

Em 2026, a Fundação Florestal implementou uma iniciativa coordenada pelo Departamento de Planejamento para elaborar, de forma integrada, planos específicos de prevenção e combate a incêndios para cada Área de Proteção Ambiental inserida nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável.

O trabalho conta com a participação da sociedade civil, proprietários de áreas privadas, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar Ambiental.

Em 2025, as Unidades de Conservação registraram redução de 50% no número de incêndios e de 91% na área queimada em comparação com 2024. Em 2026, a Fundação Florestal destinou R$ 19,3 milhões para equipamentos e estrutura operacional voltados à prevenção e ao combate aos incêndios.

Plano prevê ações até 2027

O Governo de São Paulo também trabalha na elaboração do Plano de Manejo Integrado do Fogo (PMIF), instrumento que estabelece diretrizes para prevenção, preparação, resposta e recuperação diante dos incêndios florestais.

A previsão é de que o plano seja concluído até março de 2027, dentro do prazo legal.

As ações fazem parte da Operação São Paulo Sem Fogo, que reúne Semil, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Fundação Florestal, Cetesb, municípios, concessionárias e representantes do setor produtivo em uma atuação conjunta de prevenção e combate aos incêndios florestais.

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