Pesquisas sobre veneno e medicamentos, questões financeiras e um suposto relacionamento de William Ferreira Cardoso, de 40 anos, com outra mulher estão entre os elementos apontados pelo delegado da Polícia Civil David Abmael David para sustentar o indiciamento dele pela morte da professora Tatiane Cintra dos Santos Cardoso. William foi indiciado por feminicídio e permanece em liberdade.
William foi interrogado nesta quinta-feira, 10, na CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Franca. Segundo o delegado, ele negou qualquer participação na morte da mulher e qualquer conduta relacionada à causa da morte.
De acordo com David, a investigação ouviu cerca de 40 testemunhas e reuniu laudos e pesquisas. Entre os elementos analisados está uma pesquisa feita por William sobre veneno ou algo que pudesse provocar a morte.
“Ele disse que não se recordava exatamente dos termos da pesquisa, mas que ele tinha feito, sim, pesquisa a respeito de veneno ou de algo que pudesse ocasionar a morte, mas que essa pesquisa teria sido feita para ele”, afirmou o delegado.
Ainda segundo David, William também foi questionado sobre pesquisas relacionadas ao efeito de medicamentos com álcool e sobre medicamentos que poderiam provocar a morte. Nesses casos, ele disse não se lembrar do motivo das pesquisas.
Questões financeiras
O delegado também citou questões financeiras envolvendo o casal. Segundo ele, William e Tatiane tinham acesso às contas bancárias um do outro.
William teria afirmado não ter conhecimento de um seguro de R$ 100 mil, do qual seria beneficiário de 80%. A informação também foi considerada na análise da investigação.
Outro ponto citado pela polícia foi o envolvimento de William com outra mulher e os problemas enfrentados no casamento.
“Nós vamos concluir esse inquérito apontando, por meio desses indícios de pesquisa, da questão da conta bancária, da questão do envolvimento com outra mulher, nesse problema de casamento, que há esse indício de que ele realmente teria sido responsável, sim, pela morte”, disse o delegado.
Exumação do corpo
David explicou ainda que a exumação do corpo de Tatiane, realizada no início de 2026 após suspeitas de envenenamento, enfrentou uma dificuldade inicial por causa da tanatopraxia, procedimento realizado no corpo para prolongar o período de velório.
Segundo o delegado, o médico legista informou inicialmente que o procedimento poderia impedir a realização do exame. A polícia, então, recorreu à Justiça e insistiu pela exumação. O juiz determinou que o procedimento fosse realizado.
O laudo da exumação teve resultado negativo. De acordo com David, a tanatopraxia havia sido realizada exclusivamente pela família, sem participação de William.
Mesmo com o resultado da exumação, o delegado afirmou que outros elementos reunidos durante a investigação sustentam o indiciamento por feminicídio.
O inquérito será concluído e encaminhado à Justiça, com a indicação de que há elementos que apontam a responsabilidade de William pela morte. David afirmou ainda que não vai pedir a prisão do investigado neste momento.
“Ele permanece em liberdade e não vou pedir, nesse momento, a prisão dele. Vou encaminhar à Justiça para que seja avaliado, para ver como que a Justiça vai entender em relação a todo esse processo que nós fizemos”, afirmou.
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