Inclusão na educação, fortalecimento da saúde pública e resistência às privatizações foram alguns dos principais temas defendidos pela professora Priscila, candidata do PT a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), durante a sabatina promovida pelo projeto Franca Tem Voz e conduzida pelo jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN.
Professora da rede pública, ela colocou a educação como sua principal bandeira e defendeu mudanças na forma como alunos com deficiência e outras necessidades específicas são atendidos nas escolas regulares.
Ao longo da entrevista, Priscila criticou a terceirização do atendimento especializado e defendeu a presença de professores auxiliares especializados nas salas de aula, além da redução do número de alunos por turma. Para ela, a inclusão precisa ocorrer de forma efetiva, com suporte pedagógico adequado e participação das escolas especializadas em conjunto com a rede regular de ensino.
Na saúde, a candidata afirmou que pretende priorizar a atenção básica e o fortalecimento das Estratégias de Saúde da Família (ESF), em vez de concentrar os recursos apenas na construção de novas estruturas. Priscila também defendeu uma maior articulação entre os municípios da região para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde de Franca e citou o consórcio dos municípios da Alta Mogiana como um caminho para buscar soluções conjuntas.
A candidata também se posicionou contra privatizações de serviços públicos, incluindo áreas como educação, saúde e saneamento, e defendeu a manutenção de políticas públicas fortalecidas. Na sabatina, Priscila ainda falou sobre segurança pública, câmeras corporais para policiais, valorização dos servidores e medidas para o setor calçadista diante do tarifaço dos Estados Unidos.
A entrevista faz parte do Franca Tem Voz, iniciativa que busca valorizar a escolha do eleitor, prioritariamente entre candidatos com base eleitoral em Franca e na região. A íntegra da sabatina está disponível no canal do Portal GCN no YouTube e no vídeo publicado junto à reportagem.
Vinte candidatos a estadual e federal com base eleitoral em Franca e região foram convidados para as sabatinas. Dezoitos compareceram, de partidos de direita e esquerda, conservadores e progressistas, experientes e estreantes. Apenas dois faltaram: a delegada Graciela (PL) e o ex-prefeito Gilson de Souza não compareceram às entrevistas.
A sabatina com a Professora Priscila pode ser assistida na íntegra no vídeo acima.
A íntegra pode ser também lida abaixo.
A sabatina
Confira abaixo a transcrição da sabatina.
Corrêa Neves Jr. - Olá. Hoje, dentro do projeto Franca Tem Voz, que defende e valoriza a escolha do eleitor prioritariamente entre candidatos com base eleitoral na cidade de Franca e na região, é dia de conversar com a professora Priscila, que disputa uma vaga na Alesp pelo PT. Priscila, 42 anos, casada, mãe de uma menina, tem uma trajetória interessante. Trabalhou na fábrica de sapato, foi vendedora, é professora.
Priscila - Isso. Na verdade, eu trabalhei no comércio.
Corrêa Jr. - No comércio. Fábrica não, no calçado não?
Priscila - Não, fábrica não.
Corrêa Jr. - Mas você trabalhou um tempo bom no comércio?
Priscila - No comércio, exatamente.
Corrêa Jr. - Depois foi fazer sua formação e é professora, inclusive tem a causa da inclusão, né? Uma das causas que a senhora defende.
Priscila - Isso.
Corrêa Jr. - Durante muito tempo a gente viu essa luta para que alunos atípicos fossem incluídos na rede regular de ensino. Agora que eles estão incluídos, há muitas críticas sobre como essa inclusão é feita ou se ela atende à necessidade desses alunos. Na sua opinião, está funcionando ou não? O que precisa mudar?
Priscila - Na verdade, a gente tem uma lei muito nova desde 2015, né? Há uma luta das famílias realmente para conseguir inserir esses filhos, essas filhas, dentro desse lugar que é o ensino regular. E a gente sabe que a inclusão só acontece se elas estiverem dentro da sociedade, e a sociedade nada mais é do que a gente ter uma escola do ensino regular comum funcionando com a inclusão. Hoje nós temos no Estado, Júnior, mais de 20 mil famílias que judicializaram os professores auxiliares especializados para estarem junto com seus filhos dentro da sala de aula. Então nós temos um suporte adequado junto com essas crianças. Porém, não tem investimento, não tem formação para esses professores, porque eles foram conquistados pela Justiça. O juiz determinou que o Estado cumprisse com seu dever, que é direito da criança de ter esse professor. Porém, por ser um custo que eles acreditam que seja alto, que isso vai esbarrar na questão orçamentária e vai ser algo ruim para eles, eles não investem nesses professores. Então esses professores também ficam inviabilizados dentro desse espaço. Isso começou desde 2014, 2015, e hoje nós temos mais de 20 mil famílias no Estado todo que têm essa conquista judicial. E, conforme essa crescente foi aumentando, isso foi onerando cada vez mais para o Estado, né, essa questão. E isso foi ficando, virando um problema para o Estado, para o Poder Executivo. E aí então ele decidiu fazer uma forma de custear para ficar mais barato, para ter um custo menor, e aí tentou terceirizar esse serviço. E a gente sabe que essa terceirização e essa privatização é um risco muito grande, principalmente dentro da educação.
Corrêa Jr. - Por quê?
Priscila - E, se tratando de educação especial, porque ele vai precarizar o trabalho da pessoa. Não vai ser contratado um professor auxiliar. Vai ser contratado um profissional de apoio, que são coisas totalmente diferentes. Um profissional de apoio só trabalha com cuidados de higiene, alimentação, atividades escolares. Ele não trabalha em questões pedagógicas com essa criança. E hoje, na sala de aula, no Estado de São Paulo, nós temos uma sala de aula com quase 40 crianças dentro dessa sala, com diversas diferenças, né, com várias particularidades. E ainda nós temos as crianças atípicas, neurodivergentes, autistas, todos os níveis de suporte. A gente tem ali dentro porque a inclusão acontece ali dentro. Só que, se você tira esse suporte, você vai realmente deparar com uma série de problemas ali dentro que não vai dar conta mesmo de suprir.
Corrêa Jr. - Mas do ponto de vista da criança — porque em tese é bonito, mas na prática — existem experiências no mundo bem-sucedidas desse tipo de inclusão? Ou uma educação específica, com um ambiente específico, não produz resultados melhores para essas crianças?
Priscila - Olha, não é bonito. Falar de inclusão não é nada bonito.
Corrêa Jr. - Não, eu acho muito bonito, mas não é fácil.
Priscila - Não. Eu acho que, se a gente romantiza esse lugar, a gente deixa de trabalhar o que a gente realmente precisa trabalhar, porque a gente sabe que é exaustivo. Os professores estão realmente exaustos. Eles estão sofrendo cada vez mais também. Quem é um professor regente, por não ter exatamente esse suporte adequado. Então não é fácil e não é falar: “Olha, eu vou colocar meu filho nessa escola, essa escola faz inclusão”. É uma inverdade, porque nós não temos uma sociedade inclusiva. A sociedade inclusiva tem que realmente entender que ele vai precisar desse suporte e ele não pode amenizar isso. Então, assim, é triste a gente romantizar esse processo. Existe, sim. Eu tenho um processo. Eu sou professora regente e...
Corrêa Jr. - O que é uma professora regente?
Priscila - Professora regente é professora especialista da área que dá aula para 40 crianças. Não é um professor auxiliar especializado que fica com uma ou duas crianças, mediando o suporte que a professora regente passa, que são as atividades. E aí, o que acontece? Quando eu entro, eu sou professora de Língua Portuguesa. Eu não tenho 30 alunos, eu tenho mais de 600, porque eu tenho uma rotatividade. Eu dou aula, eu entro em salas de 50 em 50 minutos...
Corrêa Jr. - Múltiplas classes.
Priscila - E aí eu tenho uma sala com quase 40 alunos, adolescentes, que ali têm diferentes habilidades, essas crianças, e eu preciso entender esse currículo para poder mostrar para eles que eles são capazes de aprender dentro do processo de cada um. E uma criança atípica que chega na escola, que não é alfabetizada, que tem todo um processo de rigidez, né? Como que eu faço para fazer com que ele entenda que eu sou aquela professora naquele momento dele e que ele precisa se atentar a mim? Não é fácil. Por isso o professor auxiliar especializado é extremamente importante para estar com essa criança, porque ele vai criar esse vínculo. Ele vai ter um suporte adequado de vivências com aquela pessoa e aquela pessoa vai entender exatamente quais são as habilidades dele para conseguir inserir pedagogicamente.
Corrêa Jr. - Mas, num cenário ideal, cada aluno com uma necessidade dessas teria um professor para ele ou um mesmo professor atende um grupo dessas crianças?
Priscila - Na verdade, você não pode montar grupo, né? Para que a inclusão aconteça, você não pode montar grupos específicos porque você vai estar segregando. Entende? Então, o que a gente precisa fazer é trabalhar um ensino colaborativo. Nós precisamos ter em mente, nós professores regentes, professores das nossas áreas, entender qual é o melhor formato que eu vou atender todas as crianças e todos os adolescentes. Então eu preciso ter condições de aplicar um currículo, que é o conteúdo, com diferentes formas de aprender. Essa é o ensino colaborativo. E o professor auxiliar especializado hoje ele tem que ser individualizado, ele tem que ser por determinado grupo. Por quê? Porque a gente não tem uma sociedade inclusiva.
Corrêa Jr. - Não, tudo bem, professora. Mas, na prática, para além do que a gente gostaria de ser ideal, na prática, do que é possível, a senhora preconiza o quê? Tem a professora regente que está cuidando da classe inteira...
Priscila - E mais o professor auxiliar especializado.
Corrêa Jr. - E mais um professor auxiliar.
Priscila - Para todas as turmas que tiverem um aluno matriculado.
Corrêa Jr. - Mas é um professor mais um professor ou é um professor mais um professor para cada aluno?
Priscila - Não, é um professor mais um professor.
Corrêa Jr. - Então seriam dois professores por sala de aula?
Priscila - Isso. E aí a gente precisa entender que precisa diminuir o número de alunos por sala de aula, porque com 40 também a gente não vai conseguir atender.
Corrêa Jr. - 25 ou 20...
Priscila - 25, 20 a 25 alunos a gente conseguiria atender muito bem as crianças. E aí eu vou te falar que eu tenho esse dado porque, no ano passado, em 2025, eu alfabetizei, em seis meses, um adolescente de 16 anos, na segunda série do ensino médio, junto com a professora regente. Em seis meses. Ele tem deficiência intelectual e nível de suporte de autismo 2. Então todas as crianças são capazes de aprender se o processo realmente é levado a sério, se realmente você cria aquele vínculo, se você realmente insiste naquele processo como forma de realmente atender as particularidades daquele adolescente. E não foi só ele que aprendeu, porque, a partir do momento que você oferece um currículo adaptado — currículo adaptado não é você facilitar, é você dar as habilidades realmente possíveis para aquele adolescente fazer —, isso você também consegue atender a todos os outros. Você não vai falar de assuntos diferentes. Por exemplo, a segunda série do ensino médio, Júnior, é muito difícil as pessoas entenderem que você não tem que pegar a cartilha da primeira série do ensino fundamental, lá dos anos iniciais, e aplicar para ele aprender, porque ele vai aprender sílabas. Então ele não precisa pegar lá o tatu, a abelha, ele tem 16 anos. Ele tem uma deficiência intelectual cognitiva, mas ele é um menino de 16 anos que entende tudo que está acontecendo. Ele é um adolescente assim como todos os outros. Se você dá uma cartilha para ele de tartaruguinha, ele não vai fazer, ele não vai querer fazer. Então nós trabalhamos dentro da segunda série do ensino médio: trabalhava trovadorismo, cantigas, trabalhava sílabas poéticas e, dentro da metrificação, nós alfabetizamos ele dentro desse processo.
Corrêa Jr. - E a senhora acha que essa inclusão tem que ser para qualquer nível de necessidade de suporte ou existe algum que a senhora acha que pode ser atendido fora, numa escola regular?
Priscila - Eu, enquanto professora, enquanto formadora, enquanto psicopedagoga, eu acredito que todos têm capacidade de aprender dentro do seu processo. Pode ser que ele não tenha condições de aprender coisas muito complexas que vão ser utilizadas, porque hoje a gente tem uma escola que forma as pessoas para fazer vestibular e provas. A gente tem um outro formato e uma outra perspectiva de que a escola tem que ser o lugar de transformação, de conhecimento, de gerar, de dar a possibilidade de você cada vez mais progredir naquilo que você já tem enquanto potencial e você avançar nesses potenciais. Então a escola precisa ter um olhar. A nossa luta é um olhar que transforma, que acolhe, para que todos possam estar dentro desse ambiente e se desenvolver dentro das potencialidades de cada um. Todos os alunos, de qualquer nível de suporte que seja, têm que estar dentro do processo escolar de ensino regular. Por quê? Porque é ali que acontece a inclusão. Não tem outro lugar para acontecer. “Ah, mas a APAE é importante.” As escolas especializadas são importantes? São importantes. A gente não está dizendo que elas não são importantes. Porém, elas têm que ser o nosso braço. Elas têm que caminhar em conjunto conosco. A APAE é uma reabilitação. Ela reforça a questão de conseguir fazer com que aquela criança continue aprendendo comportamentos, terapias. Então isso seria uma forma de abraçar junto conosco o ensino regular para que ela esteja inserida na sociedade. Nós, mães, nossos pais, queremos nossos filhos autônomos. E, para ele criar autonomia, tem que ser junto das outras pessoas. Tem que ser junto com todas as pessoas. Você não pode colocar uma pessoa que tem dificuldade dentro do espaço especializado, porque você só terá pessoas que têm as mesmas habilidades. Como é que você evolui se você não vê o processo? Nosso cérebro é gigante, ele é assim, magnífico. A gente aprende com a interação. Vygotsky já dizia isso, que a interação é importante. Nós temos o biológico, mas nós temos também possibilidade de aprender dentro da interação. E a interação vai ser dentro da escola regular. Não tem outro caminho.
Corrêa Jr. - Então a senhora acha que o caminho é esse e que não há dúvidas?
Priscila - É esse.
Corrêa Jr. - As experiências que a senhora estudou - bem-sucedidas no mundo - passam por esse tipo de premissa?
Priscila - Exatamente, sim.
Corrêa Jr. - Sempre, então, a senhora acha que o caminho é incluir, ter vaga na escola regular e conseguir, digamos, que a atuação seria melhor se houvesse dois professores e não apenas profissional de apoio dentro da sala de aula? Isso faria diferença?
Priscila - Sim. Faz toda a diferença. A gente vê isso, por exemplo: nós temos isso já. Os municípios oferecem profissionais de apoio. No Estado, a família conquistou o professor. Quando ele chega no Estado, há progresso, porque ele vai trabalhar o cognitivo dessa criança e o pedagógico. Enquanto ele estava lá no município — não estou dizendo que não tem progresso, existe —, porém é um profissional de apoio que só vai estar ali para tentar mediar o comportamento, o cuidado daquela criança. E não é isso que a gente quer. A inclusão tem que acontecer de fato, porque ele tem capacidade de aprender. Todos nós temos.
Corrêa Jr. - Professora, eu imagino que seja sua grande, grande bandeira de campanha: a educação e a inclusão. Para além disso, que outras áreas a senhora pretende atuar caso seja eleita deputada?
Priscila - Como deputada estadual, a gente entende que você precisa imediatamente atender todas as outras demandas que estão gritando, né? Então a gente vê muito forte a saúde, a questão do meio ambiente, a questão da segurança pública. Então todos esses assuntos são pauta também para que eu possa cuidar. A minha prioridade é educação, porque a minha formação é professora e não só por isso, né? Porque eu acredito que todas as outras áreas perpassam pela educação. Então, se a gente tem como prioridade uma educação fortalecida, uma educação que realmente transforma, que realmente possa oferecer as oportunidades, que realmente esses jovens saiam dessa escola preparados para entrar no mercado de trabalho, a gente diminui uma série de coisas na sociedade. Então a minha pauta e prioridade é cuidar dos professores principalmente, porque o professor está esquecido dentro desse lugar, sofrendo assédio moral, principalmente no Estado de São Paulo. Nós estamos sofrendo o maior desmonte da educação pública...
Corrêa Jr. - De que tipo?
Priscila - Com a plataformização, por exemplo, Júnior, que a gente está vivendo hoje no Estado.
Corrêa Jr. - Você está falando dos sistemas informatizados?
Priscila - Isso, isso. Isso adoece cada dia mais nós, como professores, ali naquele chão, porque você não consegue mais preparar o seu material.
Corrêa Jr. - Vem pronto.
Priscila - É um material que vem pronto por tela, que inclusive é feito hoje por uma inteligência artificial. Se eu te disser que hoje as nossas formações são feitas pelos nossos próprios pares para economizar. Não estou dizendo que nós não temos capacidade de formar os nossos colegas, mas, para que nós possamos dar uma educação melhor para os nossos jovens, nós precisamos das universidades conosco. Nós precisamos utilizar tudo aquilo que é científico para dentro das nossas escolas. Se eu tiro isso e eu fico dentro de um achismo com o material que foi feito por inteligência artificial, como que eu garanto que esse jovem vai sair dessa escola? Então realmente é um processo que precisa de cuidado. Então a minha bandeira é essa. Porém, existem outros assuntos muito por trás disso que a gente possa realmente ampliar e discutir. Questão da saúde, né? Que é uma coisa muito séria. É uma questão que a gente precisa entender a problemática disso. Por que que a gente fica com filas de espera? Pessoas morrem nessas filas. A minha pauta é lutar e cuidar de gente. Então, se eu quero cuidar de pessoas, eu quero cuidar de gente. Se eu quero entender todo esse processo, assim como eu fiz com o meu movimento em defesa da educação especial, quando a gente decidiu, eu e mais três mães, começar um movimento em Franca para deixar claro para as mães e orientá-las de que o que estava acontecendo no Estado ia ser algo prejudicial para as crianças e para os filhos delas, que não poderia deixar aquilo acontecer, nós fomos a fundo, nós fomos insistentes e nós não deixamos. Nós barramos o desmonte e, na verdade, a retirada desses professores auxiliares. Que é um projeto que existe, uma resolução, decreto, está prontinho. Nós não barramos isso e não derrubamos, mas nós conseguimos travar. A gente conseguiu fazer com que isso demorasse um pouco mais para ele conseguir retirar.
Corrêa Jr. - A senhora, caso eleita deputada, vai ter por volta de R$ 10 milhões por ano em emendas impositivas. Essas são suas e a senhora destina para onde quiser. Metade tem que ir para a área de saúde, metade pode ir para outras áreas. A senhora tem ideia do que vai fazer com esse dinheiro?
Priscila - Essas emendas acabam amarrando, né... Eu falo que a questão das emendas, de uma certa forma ou de outra, é bom, mas eu acredito que elas são utilizadas às vezes de formas imediatistas. Eu, Júnior, quando eu escolhi vir para este lugar, para sair e ser candidata a deputada estadual, eu escolho porque eu acredito em políticas públicas de verdade que funcionem. Então, quando a gente fala em emenda, não é simplesmente jogar uma emenda com o projeto e deixar só ser algo para ser imediato e ser algo que atendeu naquele momento, porque aquilo vai continuar. A gente sabe que vai ser um problema depois. Então a gente precisa trabalhar programas, projetos, para que essas emendas sejam destinadas e que realmente elas possam vir a ser fruto de políticas públicas.
Corrêa Jr. - Mas que tipo de iniciativa a senhora contemplaria com as suas emendas?
Priscila - Mas em que sentido, por exemplo?
Corrêa Jr. - Por exemplo, a senhora tem R$ 5 milhões que a senhora terá que mandar para a saúde. A senhora priorizaria, na sua cabeça, uma verba para a construção de uma UBS ou a senhora priorizaria o dinheiro para comprar um volume maior de cirurgias eletivas na Santa Casa ou no Hospital Estadual, ou a senhora faria um programa de Saúde da Família, por exemplo?
Priscila - Eu investiria...
Corrêa Jr. - E os outros R$ 5 milhões a senhora mandaria para quadras, uma escola, para construção, qual é o seu juízo?
Priscila - Sim. A minha ideia é trabalhar — não é estrutura — estrutura a gente já tem, nós temos estrutura. Não adianta criar mais estruturas e deixar que aquela estrutura não seja realmente feita, ou realizada, ou que o processo aconteça. Então eu destinaria com a ideia de realmente fortalecer principalmente o ESF, que são as Estratégias da Saúde da Família, que, para mim, é o primordial. Porque, se você tem uma prevenção bem informada, com certeza você consegue aliviar os outros, fortalecer.
Corrêa Jr. - Então a senhora ia dar essa atenção básica, muito primária mesmo, né, da saúde da família?
Priscila - Sim, sim, sim. Obviamente que iam falar assim: “Ah, mas você não destinaria nada para estrutura e tudo mais?” Isso tudo vai depender da logística do que está acontecendo, do que a gente vê que realmente vai ser prioridade naquele momento, mas a minha ideia é construir exatamente isso, fortalecer. Hoje você sabe o que nós temos em Franca? 14, né? Esses ESF que estão incluídos agora dentro das UBS e que nós deveríamos ter mais de 80. Então a gente precisa retomar isso, a gente precisa trazer de volta. Porque quanto mais perto da família, quanto mais perto da população, mais a população fica consciente, consegue ter consciência de quando ela tem que usar uma emergência ou não, e você desafoga esse lugar também.
Corrêa Jr. - A gente vive hoje os efeitos do tarifaço do Trump. Aqui na região afeta o calçado. O café ficou de fora, a carne ficou de fora, mas o calçado foi afetado. Os calçadistas reclamam que as medidas adotadas até agora pelo governo federal ou do Estado não surtiram muito efeito. O que a senhora — que vai legislar sobre todos os assuntos e não só sobre educação, vai ter que discutir sobre tudo — pensa disso? O que é possível fazer, do ponto de vista de uma deputada estadual, pelo setor calçadista?
Priscila - Olha, se você tem uma pessoa que você pode tratar diretamente dentro do seu espaço, que entende sobre a importância de você gerar cada vez mais emprego e trazer cada vez mais indústria, fortalecendo esse lugar dentro da cidade, obviamente você terá êxito nisso, né? Então a minha proposta... Nós já tivemos, inclusive, a presença do ministro da Fazenda e do ministro do Trabalho, o Marinho e o Haddad. E ele esteve e ele sentou, né, com o presidente, inclusive, do Sindifranca aqui, e ele conversou e deixou um diálogo muito aberto para que possa realmente resolver os problemas que estão causando esse tarifaço. Eles trouxeram muitas demandas e acredito que, através do diálogo e ação, para que realmente a gente resolva. Então, com certeza, vou ser essa porta-voz, vou ser essa força também para forçar que realmente o governo federal possa atender as demandas da nossa cidade. A gente vai ter uma facilidade maior. Hoje eu estou junto, né, com portas abertas com vários outros federais que têm a possibilidade de ter essa conversa. Então, assim, eu chegando à Alesp, com certeza eu vou conseguir ter esse olhar e essa comunicação mais rápida para chegar, para poder solucionar o problema que a cidade enfrenta.
Corrêa Jr. - Franca, pelas estatísticas, é uma cidade relativamente segura, tá entre as mais seguras do Estado de São Paulo, mas a sensação de insegurança é enorme em qualquer lugar do Brasil hoje. Aqui não é exceção. Como é que a senhora vê essa questão da segurança pública? Eu vou dar um dado: a letalidade policial em São Paulo saltou, em três anos, de 421 mortes em confrontos com a polícia para 834. O governo do Estado disse que isso mostra a eficiência das forças policiais no combate à violência. Quem critica diz que isso é brutalidade das forças policiais. Como a senhora vê essa questão?
Priscila - Eu enxergo como perigoso, né. São dados que mostram para a gente que é realmente algo que a gente precisa pensar. Como que a gente vai combater a criminalidade sem ser brutal, né, sem ter tantas mortes acontecendo? Como eu disse no início do meu discurso, eu prezo pela vida. “Ah, mas são pessoas que estão dentro do crime, estão ali causando problema para a sociedade.” A gente precisa ter outros caminhos, né? De tirar essa pessoa desse lugar e fazer justiça realmente para que não retorne a esse lugar. Agora, não é matando as pessoas que a gente vai conseguir resolver todos esses problemas. Acredito que a gente tem um investimento que talvez não tenha sido aplicado da maneira que poderia ter sido aplicada. A gente tem uma Polícia Civil que não tem investimento, que tem investimento menor; a Polícia Científica; a Polícia Militar, que prende, amanhã está solto na rua, então a gente sabe que existe isso. E os municípios deveriam também valorizar a questão dos guardas municipais, que também são uma força para a cidade. Então tudo isso precisa ser muito bem articulado. A gente precisa sentar e ter um programa, uma proposta, que realmente isso seja alinhado um com o outro e não um cada um num canto. Então ter uma estrutura de trabalho para que eles também possam ter essa garantia de conseguir fazer o trabalho adequadamente.
Corrêa Jr. - A senhora defende as câmeras corporais nos PMs? O governador Tarcísio no começo era contra, depois mudou de ideia, agora ele elogia, mas elas não gravam todo o tempo. Qual a sua opinião?
Priscila - Eu sou super a favor da câmera corporal. Eu acho que tanto protege um policial que tem aquela vontade de estar naquele lugar, naquele trabalho, fazendo um bom trabalho, prestando serviço para o cidadão, para a sociedade, de forma realmente que cuide, né, real daquele serviço que ele está fazendo, sem realmente ter ali alguns desvios brutais que a gente sabe que às vezes pode acontecer. E a mesma coisa para o cidadão também, né? Então acredito que o bom policial gosta de ter o uso da câmera corporal. E não gravar tudo, eu acho que é algo que deixa a gente na dúvida, né.
Corrêa Jr. - O Hospital Estadual, do governo do Estado, aqui na cidade foi inaugurado. Tem aí a perspectiva de operar com 220 leitos a partir do final do ano, começo do ano que vem, mas ainda está operando com um pouco menos da capacidade. Seguem as filas, né, à espera por internação nos prontos-socorros do município. E a senhora, caso eleita, terá que fiscalizar tudo isso. Como é que a senhora pretende fazer? Qual a sua opinião sobre essa unidade de saúde e o resto do atendimento?
Priscila - Olha, tudo tem que ser muito analisado, né. Eu preciso entender, primeiro eu vou precisar analisar esse processo e o que acontece. O que a gente vê? Que Franca, hoje, a gente pensa na questão da renda mensal hoje do nosso... Só para a gente chegar nessa questão, tá? A renda mensal hoje do nosso cidadão aqui francano chega em dois salários mínimos, de R$ 3 mil, né? Enquanto os outros municípios, mais de R$ 4 mil, R$ 4.400. Isso é um dado que realmente a gente tem pelo IBGE. Então a renda per capita que a gente tem aqui hoje, a gente tem R$ 40 mil consolidados aqui pelo IBGE, enquanto a média do Estado é de R$ 77 mil. “Ah, Priscila, o que que isso tem a ver com saúde? Que que isso vai causar de problema que a gente pode ser que tenha?” Porque a gente tem um baixo... a gente não tem os nossos impostos... O que acontece com a prefeitura? Ela não consegue arrecadar o suficiente. E isso, o que vai acontecer? Ele vai deixar de investir na saúde, na educação, naqueles serviços essenciais. Então, querendo ou não, essa renda conta muito. Então, nós temos hoje uma renda abaixo, um trabalho que é pouco remunerado, é baixa a remuneração, e isso não volta para a prefeitura. Então, ela acaba ficando dependente mais do governo, tanto estadual quanto do governo federal. Ela fica mais dependente dessa arrecadação. Então, isso, querendo ou não, também dificulta esses números, porque é uma dependência que ela vai ter que sempre buscar. E a gente precisa sentar e verificar como que a gente pode fazer. Por exemplo, a questão do Coman, que a gente tem os consórcios juntos aí, de toda a nossa região, que são mais de 22 municípios. O meu mandato, se eu chegar a levar à Alesp, eu quero realmente sentar e construir projetos e programas, trazer esses programas federais como proposta para que as próprias prefeituras possam dar conta daquilo que ela tem ali como atendimento, buscar remédios, a questão até mesmo de infraestrutura para fazer atendimento das emergências, enfim, tentar entender.
Corrêa Jr. - Desafogar um pouco a pressão aqui em Franca.
Priscila - Desafogar um pouco essa pressão aqui. E porque, assim, trazer um hospital regional é importante, mas não vai aliviar. As filas vão continuar, então a gente precisa pensar nisso. Como que a gente alivia? A questão agora de nós acabamos de receber a policlínica, que também vai chegar, né, por meio do governo federal. Então, assim, o que a gente pode fazer para que realmente surta um efeito que seja eficaz, que realmente diminua essa fila, que realmente pare de morrer pessoas, para que realmente sejam atendidas. Então a gente precisa fazer esse alinhamento. Então eu vou já junto com esse consórcio, com o Coman, que eu acho que é extremamente importante, né — o Coman é o consórcio dos municípios da Alta Mogiana —, que eu acho extremamente importante a gente sentar e fazer essas tratativas.
Corrêa Jr. - A senhora é uma defensora ferrenha em vários momentos aqui do serviço público, né?
Priscila - Sim.
Corrêa Jr. - Mas aí tem uma questão que pouco se discute no Brasil. A gente está acostumado, mal acostumado, a ficar apontando vilões. A gente sempre aponta um vilão. É mais fácil culpar o outro do que pensar. É mais simples. E problemas complexos não têm respostas simples. Eles têm respostas complexas. Mas eu estou falando isso porque o seguinte: no mundo ideal que a senhora coloca ou outras pessoas, nós temos um serviço público ainda maior, mas ele não cabe na conta do Brasil hoje. A minha pergunta é: de que forma se faria esse estudo para que seja possível oferecer tudo o que se pretende sem aumentar impostos? Ou a senhora defende que os impostos eventualmente sejam aumentados para fazer frente aos recursos necessários para prestar o serviço que a senhora imagina que seja o ideal?
Priscila - Os impostos já existem. Acredito que a gente tem aí uma demanda muito bem trabalhada, inclusive, pelo Ministério da Fazenda, pelo ministro Haddad, que acabou de... que é o nosso candidato, o futuro governador.
Corrêa Jr. - Ao governo de São Paulo.
Priscila - E que fez um trabalho que eu acredito que foi gigante, assim, ele foi corajoso demais de tirar de mais de 40 anos da gaveta a questão do imposto de renda e isentar muitas famílias, né, podendo dar esse...
Corrêa Jr. - Isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Priscila - Isso, até R$ 5 mil reais. E isso é uma coisa muito positiva, isso é muito bom, né? Isso vai realmente trazer com que as pessoas possam consumir mais, né, possam ter mais lazer, né? Então a gente sabe que isso é muito importante. E a questão da reforma tributária, que acaba também melhorando e acabando com a guerra fiscal. E aí você fala da questão do imposto. Como que eu faria para realmente garantir que esse serviço público chegasse...
Corrêa Jr. - Para que caiba no orçamento.
Priscila - Para que caiba, vai ter que ser um estudo de análise mesmo.
Corrêa Jr. - Deixa eu ser mais claro, porque eu falei sobre isso em uma outra sabatina aqui. Acho, na minha opinião, que a gente vem numa sequência de mentiras contadas pelos políticos dos mais variados matizes para a população. Ano a ano. Então, o que é claro para mim? Toda eleição, independente de quem esteja disputando contra quem esteja disputando, é assim: quem está no poder é um ladrão, corrupto, vagabundo que não fez nada. E eu, que sou candidato, tenho a solução para tudo. Você me elege e eu vou resolver. Aí essa pessoa é eleita, eventualmente, não resolve tudo, porque não vai resolver tudo. A gente tem esse ciclo que leva à descrença da população. Ela está sempre frustrada porque o mundo vendido para ela não é possível. Este é um problema. O outro problema é que a gente foi muito roubado por políticos, é verdade. Mas a ideia errada também de que se você não roubar, tem dinheiro para tudo, o que é uma outra mentira. Como eu já falei aqui, eu afirmo: se você zerar, não tem um único centavo desviado dos cofres públicos no Brasil, nenhum mais, ninguém. Ainda assim, a gente não teria dinheiro para pagar o mundo que foi prometido ao eleitor. Essa é uma questão fundamental. E aí, olhando para o mundo, tem modelos. Então a gente tem as sociedades europeias de bem-estar social, especialmente os países nórdicos, né, a Noruega, Finlândia e Dinamarca, que funcionam muito bem, mas são países menores, pequenos, homogêneos, não têm tanta diversidade, com uma carga tributária que chega a 75%. Ou seja, de cada R$ 100 que um norueguês ganhar, R$ 75 ele vai pagar de imposto. Ou a gente tem o outro lado, como nos Estados Unidos, onde o governo vai dizer: “Ema, ema, ema, cada um com seus problemas”. Você cuida da sua vida, eu não vou me meter, vou cobrar pouco imposto, mas, se você quiser educação, você paga; se você quiser saúde, você paga; se você quiser etc., e aí você tem uma carga tributária menor. Nós estamos no meio do caminho. Nós cobramos 30 e poucos por cento de imposto na média, mas a gente prometeu...
Priscila - Mais.
Corrêa Jr. - ...a Escandinávia para as pessoas. Então, a gente prometeu um lugar que é possível ter saúde de graça, é possível ter educação de graça, é possível ter segurança perfeita. Isso leva sempre à frustração. Como equilibrar essas coisas? De que maneira? Existe uma medida que a senhora vislumbra? Como enfrentar essa questão tão difícil que é? E é por isso que eu perguntei para a senhora. A senhora defende um Estado maior, presente, que custa. Então, a gente vai falar: professores custam. Uma saúde que eu acho que é uma das grandes fantasias nacionais. A gente prometeu um SUS para todos e aí é que tá, não para quem precisa nem para os mais pobres, mas para todos. Então o rico também pode ir na farmácia de alto custo pegar remédio. O milionário também tem direito a ser internado no hospital de ponta se ele precisar pelo SUS. A gente não faz distinção por capacidade de pagamento. Então, quando a gente promete tudo pra todo mundo, a gente, na verdade, não vai repetir o ciclo da frustração?
Priscila - É, a gente vive num sistema capitalista, né? Essa é a verdade. Então o sistema capitalista não vai permitir que realmente todo mundo consiga ter tudo.
Corrêa Jr. - E aí não é injusto com quem mais precisa?
Priscila - Com certeza é injusto. Por isso que a gente precisa fortalecer exatamente esse lugar do que é público, por quê? Porque, pra quem precisa e não tem realmente condições de adquirir...
Corrêa Jr. - Mas como é que cabe no dinheiro que tem?
Priscila - Eu não tenho essa receita, né, Júnior? Eu sou uma pessoa, uma formadora, uma pessoa que me comprometo a pesquisar, a entender o processo, a estar disposta a fazer o que a gente fez no movimento em defesa da educação, como eu acabei de dizer, que hoje está em mais de 30 cidades, que a gente consegue chegar a mais de 30 cidades. Então a gente foi e antecipou todos os problemas para que a gente pudesse conquistar um pedacinho dessa fatia, do que a gente ainda precisa lutar. Mas isso não, eu não posso fazer o que vários — como você trouxe aqui — chegar aqui e falar: “Olha, essa é a solução. Eu vou chegar lá, eu vou fazer e tal”, porque a gente não sabe qual que vai ser a realidade. Eu preciso sentar e ouvir, porque antes de você trabalhar algo, você precisa primeiro escutar o que tem para você fazer. Saber o que que tá acontecendo, por que que tá esse arrombo, por que que não está chegando e qual é o melhor caminho. Então o sistema neoliberal, o sistema capitalista que a gente vive não nos vai permitir, me desculpa, realmente ser o salvador da pátria. Nós não vamos conseguir salvar a pátria. Porém, a gente vai equilibrar. E o sistema vai trazer exatamente isso, o equilíbrio da desigualdade social, que é o que a gente luta.
Corrêa Jr. - Candidata, para a gente ir para a parte final aqui, nós vamos encerrar porque o tempo está chegando ao fim. Mas o governo de Tarcísio fez um amplo programa de privatizações. Sabesp, EMAE, trens da CPTM, enfim, e diz que quer privatizar mais. A senhora é contra ou a favor às privatizações?
Priscila - Contra.
Corrêa Jr. - Toda e qualquer?
Priscila - Dentro dos serviços que são públicos, educação, saúde, o que é básico...
Corrêa Jr. - Saneamento...
Priscila - Saneamento, eu sou contra.
Corrêa Jr. - A senhora é contra. Candidata, vou fazer um pinga-fogo com a senhora agora. Vou falar algumas perguntas rápidas e a senhora me responde sim, não, ou no máximo uma frasezinha pra definir a sua posição. Anistia ampla ao 8 de janeiro.
Priscila - Sim.
Corrêa Jr. - A senhora defende a anistia?
Priscila - Não, não defendo.
Corrêa Jr. - A senhora é contra a anistia?
Priscila - É.
Corrêa Jr. - Ah, então tá. Anistia ampla. Não, não, vamos anistiar.
Priscila - Não, não anistia.
Corrêa Jr. - Voltar a vincular 30% de receita à educação, porque o Tarcísio propôs a redução para 25%, imagino que sim, né?
Priscila - Sim.
Corrêa Jr. - Escolas cívico-militares?
Priscila - Não.
Corrêa Jr. - Câmera corporal gravando todo o tempo as atuações da PM?
Priscila - Sim.
Corrêa Jr. - Nova privatização?
Priscila - Não.
Corrêa Jr. - Praças de pedágio em rodovias que vão ser duplicadas?
Priscila - Não.
Corrêa Jr. - Votação nominal obrigatória para todos os projetos? Porque na Assembleia muitas vezes se vota simbolicamente e não se sabe como o deputado votou.
Priscila - Tem que aparecer, né?
Corrêa Jr. - Salário acima do teto constitucional no serviço público?
Priscila - Salário acima do?
Corrêa Jr. - Do teto constitucional. Hoje nenhum servidor público poderia ganhar mais do que R$ 46 mil por mês, que é o salário do ministro supremo. Mas, no Judiciário, em outras carreiras, muitos têm os penduricalhos que ganham mais do que isso.
Priscila - É, sou contra.
Corrêa Jr. - Então, contra salários acima do teto?
Priscila - Sim.
Corrêa Jr. - Reforma administrativa mexendo na estabilidade do servidor público?
Priscila - Contra total.
Corrêa Jr. - O Estado laico?
Priscila - Estado laico.
Corrêa Jr. - Sim? Então, a senhora é a favor. Candidata, você tem um minuto para suas considerações finais.
Priscila - Estou aqui, sou professora Priscila, moro na região de Franca, sou moradora aqui já há 42 anos e me disponho a estar nesse lugar numa disputa pela Alesp para que realmente possa ter essa representatividade pela região de Franca, por toda a nossa região, e colaborar principalmente com a nossa educação pública no Estado e fortalecer cada vez mais essa educação, trazendo melhorias e lutar por uma educação pública de verdade, inclusiva no nosso estado de São Paulo. Contem comigo, sou a professora Priscila, posso falar, né?
Corrêa Jr. - Claro.
Priscila - Sou a professora Priscila, 13.500.
Corrêa Jr. - Professora, muito obrigado pela entrevista, boa sorte na campanha.
Priscila - Obrigada.
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Comentários
1 Comentários
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Juarez 4 dias atrásAcho que essa integração de crianças não dá certo. Não se leva em consideração as outras crianças. Um trabalho profissional com crianças especiais é caro e deve ser mantido pelo Estado. As instituições não podem ser trampolim de políticos e roubalheira. As penas do 8 de janeiro são modicas e há inúmeros benefícios. Os que estão condenados são os mesmos que são contra saidinha, prisão especial, diminuição de penas etc. Quando presos, têm caganeira, ficam doentes, querem domiciliar, saidona, diminuição de penas. São os machões bolsonaristas, que logo pedem arrego, mas com preto e pobre é na bala.